Desde logo, refira-se que esta opção preferencial surge, sobretudo, nas equipas menos cotadas. Tirando a solitária incursão da Juventus de Capello no 3x4x1x2, sistema repetido na Liga dos Campeões contra o Liverpool, em casa, a única equipa de topo a jogar nesse sistema é a Udinese de Spaletti, desde sempre devoto do 3x4x3, com que, esta época, montou um belo onze (com um trequartista de luxo, Pizarro, alas rompedores, Di Michele e Jankulovski, e um nº9 possante, Iaquinta) na luta pela Liga dos Campeões.
Para além da Udinese, são também, desde inicio da época, fieis á defesa a «3», são
o Brescia de Cavasin (3x5x1x1 ou 5x3x1x1),
o Livorno de Donadoni (3x5x2),
a Reggina de Mazzari (3x5x2 ou 3x4x2x1),
e, apesar de já ir no terceiro treinador, a Roma, hoje de Bruno Conti (3x5x2 ou 3x4x1x2).
Nas últimos tempos, porém, outras equipas também optaram pelo mesmo modelo. De forma mais sistemática:
a Atalanta de Rossi (3x5x1x1),
o Siena de De Canio (3x5x2 ou 3x4x1x2),
o Palermo de Guidolin (3x4x2x1 ou 3x5x1x1)
e o Parma de Carmignani (3x4x2x1),
para além, como segunda opção,
aa Lazio de Papadoupolo (3x4x1x2),
a Fiorentina de Zoff (3x4x1x2) e,
até o Bolonha do velho Mazzone (3x4x2x1).
Apenas Milan, Inter e Sampdoria, entre os quatro primeiros, mais Lecce, Messina e Cagliari, jogaram sempre com a clássica defesa a «4».

- Este cenário não traduz, no entanto, um súbito despertar ofensivo do Calcio. Ultrapassando a questão de, muitas vezes, à partida ou durante o jogo, se estar a falar antes de três centrais, e, consequentemente, de cinco defesas (o que é muito diferente da genuína defesa a «3»), tal resulta, sobretudo, de um dos princípios básicos para controlar um jogo: ganhar o meio campo.
Perante o déficit qualitativo de muitos desses onzes na gestão técnica da posse da bola, a alternativa é, assim, ganhar superioridade numérica no sector intermediário, ao mesmo tempo que tentam colmatar a falta de grandes médios ala (uma lacuna no actual futebol italiano), com a arma dos laterais ofensivos, que fazem todo o corredor e dão profundidade de jogo pelas faixas.
Mesmo sem ser uma tendência para marcar uma nova época, esta nuance posicional é um case study táctico muito interessante que, em certos aspectos, poderá criar novos hábitos nos modelos de jogo preferenciais das equipas italianas de nível médio.