Foi uma das sensações mais estranhas da vida de qualquer adepto do futebol italiano. Ao mesmo tempo que todas as grandes equipas europeias iniciavam a participação na Liga dos Campeões, a Juventus, vergada por um processo judicial que abalou todo o Calcio, entrou em campo, pela primeira vez na sua história, para disputar um jogo da Série B (II Divisão italiana). Aconteceu numa tarde de sol em Rimini. Empatou 1-1, mas nesta descida ao inferno transportou, no entanto, um onze ainda com o brilho de várias estrelas.
Seja tacticamente, seja na intensidade de jogo, existem poucas diferenças entre o futebol que em Itália se joga na Série A ou B. As equipas fazem do futebol quase xadrez tal a forma como especulam tacticamente com o jogo, pelo que, neste sentido, as dificuldades, que encontrará neste escalão serão as mesmas, embora como todos os adversários são inferiores, irão sempre surgir fechados, mesmo em casa, em estádios mais pequenos, repletos de público ávido de ver a «vecchia signora» na II Divisão.
Deschamps falou, no final, do empate em Rimini, uma equipa que surgiu fechada no casulo do seu 4x5x1, que aquele é que era o verdadeiro futebol. Para Nedved ou Del Piero é, no entanto, diferente.
Com semblantes sempre carregados, o choque condicionou as suas atitudes. Mantiveram o estilo de jogo, mas no 4x4x2 da Juventus nunca meteram a segunda velocidade.
Em ritmo baixo, Deschamps manteve sempre a defesa a «4» completa (Birindelli-Kovac-Boumsong-Chiellini), com dois volantes à sua frente, Giannichedda e Paro (belo jogador), pivots centrais de um meio campo em linha, com Nedved, à esquerda, e Marchionni (revelação ex-Parma que remeteu Camoranesi para o banco), à direita, no apoio à apática dupla atacante formada por Del Piero (mais atrás) e Zalayeta (entre os centrais). Mais tarde entraria Bojinov.
Não é mesma coisa, porém, para estes jogadores, alinhar na Champions ou na Série B. Mentalmente a equipa está sem atitude. Precisa de aprender a sofrer no “verdadeiro futebol” de Deschamps.