Está no banco, com a mesma postura tranquila com que estava, no campo, como médio defensivo. Um treinador sereno que respira tranquilidade. Olhámos para a sua postura e temos a certeza que a equipa nunca se irá dominar pelos nervos. Esqueçam a pressão e os gritos para o relvado. Os jogadores apenas devem entender que está ali um homem decisivo que sabe sempre o caminho a indicar. É este o perfil de Paul Le Guen, um dos treinadores mais valorosos e promissores do actual futebol europeu. Quando começou, em 1998, a sua carreira nos bancos, ainda muito novo, com 34 anos, congeminou uma interessante equipa do Rennes, com jogadores então pouco conhecidos mas hoje valores seguros, como Diatta, Reveillere, Cissé e dos jovens avançados africanos, Diouf e Nonda. O 5º lugar fez muitos olharem de outra forma para aquele homem tranquilo que mexia na equipa como se estivesse sentado frente a um tabuleiro de xadrez mexendo as peças.

Os três conquistados consecutivos conquistados no Lyon (2003, 2004 e 2005) fazem hoje dele um treinador de referência. Ao longo dessas três épocas, pegando no 4x4x2 de Santini, Le Guen, que diz ter como modelo Wenger e ter aprendido muito sobre auto-confiança e estilo com Ricardo Gomes, seu ex-colega de sector no Paris St.Germain, não hesita em apontar o segredo do seu sucesso: grande rigor na prospecção e escolha dos reforços. Foi o que sucedeu esta época: saíram Muller e Edmilson (centrais), Dhorasso (médio-ofensivo) e Luyndula e Elber (avançados), entraram Cris (central), Abidal (central-lateral), Frau e Nilmar (avançados) e Wiltord (ponta de lança).
Assim, nunca perde o equilíbrio e a filosofia de jogo da equipa, só possível se, aptos um êxito, manter a sua estrutura base ou gerindo cirurgicamente entradas e saídas. Tacticamente, foi, desta forma, possível manter, ao mesmo tempo, durante três anos, a coerência e a evolução do modelo, que varia entre 4x2x3x1, com dois volantes de contenção á frente da defesa, mas grande transportadores de bola (Juninho-Essien), pelo que são capazes, mantendo os mesmos jogadores, evoluir, mecanicamente, para 4x3x3, quando os volants passam a abrir nas alas, ficando o eixo entregue ao trinco Diarra, enquanto na frente surgem extremos típicos, nos quais emerge o veloz Govou. Ele, Juninho e o central Caçapa foram os três únicos jogadores a fazer estas quatro consecutivas épocas vitoriosas no Lyon.
O estilo de jogo manteve-se, porém, sempre inalterável. A isto, chama-se saber construir um «projecto de futebol».