Quando atingiu a final da Liga dos Campeões, 2001/2002, a armada de Toppmoller assustara a Europa com os remates de Ballack, os cortes de Lucio e Nowotny, a classe de Basturk, os dribles de Zé Roberto, a velocidade de Neuville e os golos de Kirsten. No ano seguinte, porém, tudo se desmoronou e o onze de Leverkusen lutou até ao último minuto para fugir á queda na II Divisão.
Entre as causas para esta súbita hecatombe exibicional, esteve, desde logo, o desmembramento da coluna vertebral (defesa central-médio centro-ponta de lança) na qual se baseia a construção de qualquer grande equipa. Com as saídas de Ballack, o playmaker, e do extremo brasileiro Zé Roberto, ambos para o Bayern Munique, a equipa perdeu os dois elementos mais criativos, ora na organização de jogo, ora a rasgar pelos flancos, missões que nem Basturk ou Schneider souberam ocupar com igual capacidade. Ao mesmo tempo, os centrais Nowotny (toda a época) e Lúcio (vários meses) estiveram afastados por lesão, o ponta de lança Kirsten eclipsou-se e nenhum dos principais reforços, o médio Simak e os avançados França e Berbatov, muito irregulares, estiveram á altura das expectativas. Sem as estrelas do passado, os maus resultados sucederam-se e Topmoller acabou demitido.
Noutra perspectiva, uma das suas principais questões tácticas esteve na posição de Ramelow: defesa central como jogara no Mundial ou médio defensivo, como alinhava em Leverkusen? Depois de iniciar a época preferencialmente como trinco, acabaria por recuar para central após a lesão de Lúcio. Com a saída de Toppmoller, á 21ª jornada, regressaria, com Horster, ao seu posto de médio, lugar no qual se mantêm com Augenthaler. Este caso-Ramelow, apenas reflectiu, no fundo, a crise defensiva vivida no centro da defensa, pelo qual também passaram Cris, Kaluzny e Zivkovic, até o sector resgatar a segurança, já na fase final da época, com a solidificação da dupla Lucio-Juan. Para além de Ramelow, em relação á era-Toppmoller, as inovações de Horster, treinador transitório, foram a troca de Baltish por Zivkovic como lateral direito, a entrada do nigeriano Ojigwe, e a aposta mais continuada no ponta lança Berbatov. Na ligação meio campo-ataque, emergiu Bierofka. Com Augenthaler, por sua vez, nas duas últimas jornadas, a única alteração foi a entrada de Babic para médio ala esquerdo
A força e a técnica
do novo 4x1x3x2 de Augenthaler
Lapidando apenas dois postos-chave do onze, o playmaker e o ponta de lança, Augenthaler reconstruiu a base da equipa sobre um esquema táctico de 4x1x3x2. Na defesa, manteve a linha de quatro elementos, com uma forte dupla de centrais brasileiros, Lucio-Jean. São dois jogadores fortes atleticamente que se complementam em termos de estilo de jogo. Em comum sabem ambos sair a jogar, mas Lucio é mais forte no corte, enquanto Jean, mais rápido, incute maior velocidade a avançar com a bola ominada. Nas faixas, dois laterais que embora tenham temperamento ofensivo, tornaram-se mais cautelosos a subir: Balitsh na direita e, sobretudo, o argentino Placente, na esquerda.
Á frente da defesa, um volante de contenção ao tradicional estilo germânico, Ramelow, também com rotina de jogo como central, funcionando como uma espécie de farol de um meio campo, onde moram dois médios-alas ofensivos: Babic, na esquerda, e Schneider (ou Bierofka) na direita, ficando sobre o centro o novo organizador de jogo do onze que substituiu Basturk: o brasileiro Robson Ponte, um nº7 com alma de nº10 moderno. A sua subida de nível competitivo e adaptação ao musculado estilo teutónico, após duas épocas emprestado ao Wolfsburg, tem sido notável. Dotado de grande capacidade técnica e com excelente visão de jogo, enche o meio campo e apesar de algo frágil fisicamente (1,74m. e 66kg.) demonstra grande resistência. É ele o principal servidor da dupla de avançados: o extremo suíço-germânico Neuville, um rato a furar em diagonal desde os flancos e mortífero a surgir isolado, após jogadas de um-dois, já na área, na cara do golo, ao lado de um ponta de lança renascido que retirou a titularidade a Berbatov: o brasileiro França. Na época passada fez apenas um golo, esta época já leva três. São jogadores muito diferentes. França é mais lutador, sabe recuar no terreno para vir buscar jogo e fugir ás marcações. É muito hábil nas movimentações, tecnicista e rematador. Berbatov é um n9 mais de área, cabeceador nato, mais atlético e forte nas jogadas divididas, onde ganha muitas das chamadas segundas bolas. O ideal para defesas muito fechadas e jogar em cunha entre os centrais.
Robson Ponte, França, Schneider
e o regresso de Nowtny

Assim, em relação á época passada, as principais alterações são, no lugar de ponta de lança, as entradas de França por Berbatov (agora a iniciar os jogos no banco), a troca de Robson Ponte por Basturk no papel de playmaker, e, posicionalmente, o regresso de Schneider ao flanco direito, o seu lugar natural, abandonando o centro. Para isso, porém, Bierofka, o melhor jogador da recta final da época passada, saiu do onze-base. Esta terá sido a decisão mais difícil de Augenthaler que, no último jogo, contra o Hertha, colocou-o como ala esquerdo.
Na defesa, surgiu, ex-Leeds, nova alternativa é o sueco Lucic, enquanto que se levanta a questão de saber como se estruturará o sector com o regresso de Nowotny após um ano parado. Nos últimos dois jogos surgiu a titular ao lado de Lucio, tendo, contra o Hertha, descaído Jean para lateral direito. Como tem vocação ofensiva, cumpriu com a bola nos pés, mas revelou pouca mobilidade em cobrir as bolas que lhe eram metidas nas costas. Descobrir como encaixar Bierofka e Nowtny são, portanto, as duas actuais questões tácticas de Augenthaler, no momento em que após uma época de sofrimento, o onze de Leverkussen volta a assumir-se como candidato á conquista da Bundesliga, sonhando com um titulo de campeão alemão que nunca venceu na sua história.

A EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS