Leverkusen: Um onze, três duplas

26 de Dezembro de 2009 11:41
A obra de Leverkusen, uma equipa feita a partir de três duplas ao longo de todo o relvado

 

É como a face de um novo império. O estilo mais musculado permanece como imagem de marca mas a outrora caverna impenetrável do futebol-força tem hoje outros aromas a moldar as suas principais equipas. É uma chamada técnica musculada, onde coexistem, pacificamente, fintas com remates de 30 metros. O Bayer Leverkusen, discurso e método, é, no comando da Bundesliga, o melhor exemplo dessa realidade cruzada nos relvados germânicos.
Para Jupp Heynckes é como uma nova vida nos bancos do futebol alemão. A equipa tem personalidade, a defender e a atacar, sem, para isso ter de endurecer o estilo do seu discurso futebolístico. O principal factor dessa fórmula de bom futebol, desenhada num 4x4x2 clássico (ver quadro em baixo) baseia-se em dois pivots à frente da defesa e dois alas bem abertos. Ambas as duplas têm, no entanto, dinâmicas muito diferentes.
Assim, no centro, impõe-se a sociedade Vidal-Rolfes. O chileno Vidal que sai mais para o jogo. Rolfs gere melhor os timings de transição, mas sem ele nos últimos jogos, podem surgir adaptados no seu lugar, Reinartz, central de origem, ou Castro, lateral-esquerdo, regressando então Reinartz para central no eixo da defesa onde continuam a mandar o gigante finlandês Hyypia e o experiente Fredrich.
Nas alas, as asas Kroos-Barnetta. São muito diferentes. O suíço Barnetta dá profundidade. Procura a linha e cruzamentos. É um ala puro. Kroos flecte no terreno e transforma-se num médio-centro nº10.
No ataque, outra dupla com poder físico e técnico. Derdiyok-Kiessling. Têm sempre a baliza nos olhos. O suíço Derdiyok move-se menos, joga mais simples no toque e remate. Kiessling também tem processos simples, mas a sua passada larga ocupa mais espaços de terreno. É felino na desmarcação e faz golos de todas as formas. Em corrida, na pequena área, de cabeça…
No fundo, um onze onde, partindo da clássica defesa a «4», se desenham depois, posicionalmente e nas dinâmicas de jogo, três duplas em cada sector e linhas do terreno: Vidal-Reinartz, duplo-pivot defensivo; Kroos-Barnetta, os donos das alas; Derdiyok-Kiessling, pontas-de-lança complementares. Na baliza, está, muito provavelmente, o melhor guarda-redes alemão da actualidade: Adler.
O título, com este nível de jogo, é um projecto com bases tácticas e técnicas sólidas. Não tem tanto poder individual como o Bayern de Vaan Gaal, um monstro que quando acorda parece imparável, ou, até, o Schalke de Magath, tacticamente talvez a equipa mais interessante da Bundesliga. Cruzando todas elas, um sedutor traço de combinação força-técnica que faz hoje o melhor futebol da fantástica Bundesliga do Sec.XXI. Para a começar a descobrir, porém, rumem primeiro a Leverkusen…
 

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