O mundo profissional que, ciclicamente, desfila em frente aos seus olhos, nos pés de estrelas como Figo, Beckham ou Van Nistelrooy, não passa para a maioria dos jogadores que vestem as camisolas de selecções futebolisticamente rudimentares como Liechtenstein, São Marino, Andorra ou Ilhas Faroe, de um realidade distante que, logo após o apito final, se desvanece quando a maioria deles volta á sua vida normal, onde os pontapés na bola se confundem com outras profissões, de carpinteiros a carteiros.
Até finais dos anos 80, os, digamos, parentes pobres, do futebol europeu a nível internacional, eram sobretudo Malta, Luxemburgo e Chipre, esta uma selecção que evoluiu bastante nos últimos anos e já adquiriu uma dimensão menos frágil. A partir do inicio dos anos 90, com a revolução geo-politica registada, também o futebol seguiu a eclosão de novas nações independentes ou territórios autónomos, e gerou um novo núcleo de selecções competitivamente débeis, encurraladas numa galáxia muito distante, que nos primeiros tempos entravam em campo quase sem saberem se colocar posicionalmente em campo, acumulando, jogo após jogo, sucessivas goleadas.
As proezas dos empates
com Hungria e Irlanda
Só de lanterna em punho, vasculhando nos frios tabelas de resultados, é possível encontrar momentos em que estas selecções conseguiram espantar a Europa do futebol. Esses momentos, porém, também existira, pelo que importa tê-los sempre na mente, na hora de entrar em campo, pois os desígnios do futebol são insondáveis. Nos casos em que roubaram pontos a selecções com credenciais, as respectivas contas de qualificação ficaram, de imediato, abaladas. Foi o caso na campanha para o Mundial 2002, quando a Republica Checa empatou em Malta e comprometeu decisivamente o apuramento para a fase final. Uma surpresa que os checos já tinham sentido nas eliminatórias para o Euro 96, quando perderam no Luxemburgo por 1-0. Nessa edição, porém, conseguiriam dar a volta á situação e, em Inglaterra, chegar até á final. Enquanto que no curriculum de São Marino mora um empate (0-0) frente á Turquia, então uma selecção em crise, no apuramento para o Mundial 94, os maiores feitos, neste baú das surpresas pertence, claramente, á exótica selecção das Ilhas Faroe que logo no seu jogo de estreia, após se separar futebolisticamente da Dinamarca, venceram a Áustria, em declínio profundo, por 1-0. Depois disso, como que se tornaram numa selecção fantasma para a Escócia que, por duas vezes, nos apuramentos para o Europeu 2000 e 2004, empataram no gélido e ventoso terreno de Torshavn, 1-1 e 2-2 respectivamente.
Para o Liechtenstein, os maiores momentos da sua recente história futebolística (que começou a ser escrita através de jogos particulares a partir de 1982, quando defrontou a Suíça e perdeu 0-1), tem como ponto mais alto, em termos de resultados, dois empates sem golos logrados no seu pequeno campo de Vaduz, frente ás selecções da Republica da Irlanda (na qualificação para o Euro 96) e da Hungria (na fase de apuramento para o Euro 2000). A única vitória oficial da sua história surgiu, em 14/17/98, na qualificação para o Euro-2000, quando venceu o Azerbeijão, por 2-1. Na campanha para o Euro 2004, o momento histórico residiu no empate, em casa, frente á Macedónia (1-1), numa campanha que terminou com o gol-average de 2-22.

Martin Andermaat, seleccionador do Liechtenstein
Mario Frick:
A estrela do Liechtenstein

Como no Liechtenstein não se disputa um campeonato nacional (apenas uma competição de Taça), as suas melhores equipas participam nos campeonatos suíços. Nenhuma delas, porém, na I Divisão. Enquanto o FC Balzers, USV Eschen Mauren, FC Ruggell e FC Tirsen disputam as ligas inter-regionais, a III Divisão, o seu clube mais representativo (vencedor da Taça 2003/04, batendo na final o Blazers por 5-0) é o FC Vaduz, actualmente a disputar a II Divisão suíça. É do seu onze que o técnico Martin Andermatt retira o núcleo central que constituiu a actual selecção do Liechtenstein. Seis jogadores: os defesas Daniel Hasler, central, Michael Stocklasa, lateral esquerdo, Martin Telser, lateral ou ala direito, Franz Burgmeier, médio, Andreas Gerster, trinco, Fabio D`Elia, avançado. De todos, o jogador mais emblemático é o capitão Hasler, 30 anos, com 47 internacionalizações, pilar do FC Vaduz, onde fez quase toda a carreira, tirando três épocas no FC Will da Suíça. Na baliza, estará, em principio, Jehle, há cinco épocas no Grasshoppers, embora quase sempre no banco.
No ataque, destacam-se Thomas Beck, ponta de lança do Chiasso, terceiro classificado da II divisão suíça, onde, na época passada, fez 10 golos em 28 jogos, e para Mario Frick, 30 anos, o jogador do Liechtenstein de maior projecção internacional, ao longo de uma carreira que o levou ao Basileia e ao FC Zurich, onde o seu futebol despertou a atenção dos clubes italianos. Após passar por Arezzo e Verona, alinha desde 2002/03 no Ternana, da Serie B, pelo qual fez, a temporada transacta, 7 golos em 25 jogos. Esta época esteve nos planos do Messina e, agora, aguarda colocação. Todos os outros elementos a jogar fora do principado alinham em clubes anónimos de divisões regionais, como o médio Beck, no VFB Hohenems da regional austríaca, e Roher, no Chur 97 suíço.

1992-2004 : Os últimos doze anos
AS MAIORES GOLEADAS
Europeu 92: Jugoslávia, 7-Ilhas Faroe, 0
Europeu 92: Malta, 0-Holanda, 8
Europeu 92: Espanha, 9-Albânia, 0
Europeu 92: Suíça, 7- São Marino, 0
Europeu 92: São Marino, 0-Russia, 7
Mundial 94: Noruega, 10-São Marino, 0
Mundial 94: Roménia, 7-Ilhas Faroe, 0
Europeu 96: França, 10-Azerbeijão, 0
Europeu 96 : Portugal, 8- Liechtenstein, 0
Europeu 96: Áustria, 7- Liechtenstein, 0
Europeu 96: Liechtenstein, 0-Portugal, 7
Mundial 98: Roménia, 8- Liechtenstein, 0
Mundial 98 : Liechtenstein, 1- Roménia, 8
Mundial 98: Ilhas Faroe, 1-Jugoslávia, 8
Mundial 98: Turquia, 7-São Marino, 0
Europeu 2000: Roménia , 7- Liechtenstein, 0
Europeu 2000 : Portugal, 8- Liechtenstein, 0
Europeu 2000: Portugal, 7-Azerbeijão, 0
Europeu 2000: Espanha, 9-Austria, 0
Europeu 2000: Austria, 7- São Marino, 0
Europeu 2000: Espanha, 9-São Marino, 0
Europeu 2000: Israel, 8 –São Marino, 0
Europeu 2000: Espanha, 8- Chipre, 0
Mundial 2002: Bélgica, 10-São Marino, 1
Mundial 2006: Eslováquia, 7- Liechtenstein, 0
AS MAIORES SUPRESAS
Europeu 92: Ilhas Faroe: 1-Áustria, 0
Europeu 92: Irlanda do Norte, 1-Ilhas Faroe, 1
Mundial 94: São Marino, 0- Turquia, 0
Europeu 96: Luxemburgo, 1-Republica Checa, 0
Europeu 96: Liechtenstein, 0- Irlanda,0
Europeu 2000: Liechtenstein, 0-Hungria, 0
Europeu 2000: Liechtenstein, 2-Azerbeijão, 1
Europeu 2000: Ilhas Faroe, 1-Escócia, 1
Europeu 2000: Ilhas Faroe, 2-Bósnia, 2
Mundial 2002: Letónia, 1-São Marino,1
Mundial 2002: Malta, 0-Republica Checa, 0
Mundial 2002: Ilhas Faroe, 2-Eslovénia, 2
Europeu 2004: Ilhas Faroe, 2-Escócia, 2
Europeu 2004: Liechtenstein, 1-Macedónia, 1