JUVENTUS

Durante a época, Lippi esquematizou o onze, quase sempre, em 4x3x1x2, mesmo durante a primeira fase da época -quando Trezeguet esteve lesionado- alinhando então com Nedved trequartista e a dupla de avançados Di Vaio-Del Piero. A lesão de Del Piero obrigaria, porém, a várias alterações, passando, nessa fase, a jogar em 4x2x3x1, só com um ponta-de-lança, Trezeguet, ficando Nedved nas suas costas, e Di Vaio e Camoranesi nos flancos. Outra opção, já com Trezeguet e Del Piero juntos, foi o clássico 4x4x2 puro, com os médios em linha, surgindo Del Piero ao lado De Trezeguet, encostando-se Nedved á esquerda do meio campo. Na defesa, sempre quatro elementos, formada, no centro, por Thuram, que também alinha a lateral-direito, Montero, Ferrara ou Tudor, que também pode jogar a trinco. A latera-esquerdo, Birindeli, ou o adaptado Zambrotta.
A Juventus sem Nedved: Que soluções tácticas?

Sem Nedved, o seu maestro-trequatista, Lippi terá de encontrar novas soluções para a o seu sistema táctico e respectiva dinâmica. As opções poderão recair sobre uma mudança de sistema –resgatar o 4x3x2x1- ou, pura e simplesmente, manter o 4x3x1x2, mas, por força das alterações individuais, incutir-lhe várias adaptações táctico-posicionais. Durante a época, o sistema preferencial foi o 4x3x1x2, o sistema do trequartista, papel desempenhado por Nedved. Se pretender manter este esquema, como será sem a presença do checo? Tendo em conta que o 4x3x1x2 é uma derivação do 4x4x2, Lippi poderá optar por várias alternativas:
Solução 1
Um 4x4x2 em linha, com alas: Nesse sistema, poderão fazer a linha do meio campo, Tudor e Tacchinardi, no centro, Zambrotta, ala direita e Davids, ala esquerda. Seria a postura mais defensiva. Outra alternativa, seria a reentrada de Camoranesi para o flanco direito, passando Davis para o centro, ao lado de Tacchinardi, enquanto Zambrotta regressava ao seu lugar original como ala direito. A outra hipótese, seria a entrada de Di Vaio para um dos flancos, o direito ou o esquerdo, jogando Zambrotta, ambidestro, na outra ala. No centro mantinha-se a dupla Tacchinardi-Davids. Em qualquer das opções, seria determinante para a dinâmica ofensiva da táctica, as incursões, sobre as faixas, de Zambrotta, e, também partindo das alas, a capacidade rompedora de Davids, Di Vaio ou Camoranesi, exímios a flectirem no terreno para, em velocidade, penetrarem pelo centro.
Solução 2
Um 4x4x2 com rombo: Neste sistema, fazendo o losango a meio campo, este passa a desenhar-se em 1x2x1, com alas, mas só um trinco, Tacchinardi. Nos flancos, Davids á esquerda e Zambrotta á direita. O vértice ofensivo do losango poderia ser ocupado ora pela entrada de Camoranesi ou Di Vaio, ora pelo recuo de Del Piero.
Solução 3
- 4x3x1x2 com trequartista: Neste sistema, Lippi buscaria, apenas, um substituto para, em campo, desempenhar, salvo as devidas proporções, o mesmo papel de Nedved. Uma opção seria, com o trio recuado composto por Zambrotta, á direita, Tacchinardi, no meio e Davids, á esquerda, inserir Camoranesi nas costas da dupla atacante Del Piero-Trezeguet. Outra alternativa, seria recuar Del Piero, e inserir Di Vaio na frente de ataque.
Solução 4
O regresso ao 4x2x3x1: Sem Nedved, Lippi poderia alinhar um sistema mais conservador, com um meio campo composto por dois trincos puros, Tacchinardi e Davids, e dois alas, Camoranesi e Zambrotta. Na fase ofensiva, apenas um ponta-de-lança, Trezeguet, jogando Del Piero nas suas costas, como falso avançado. Para melhor servir Trezeguet nos cruzamentos, poderia recuar Zambrotta para lateral-esquerdo e inserir, como ala, Di Vaio, mais ofensivo e muito forte a penetrar pelos flancos.
MILAN

Ao longo da época, o desing táctico do Milan de Ancelotti conheceu, em traços largos, três fases.
1. O 4x3x1x2 tecnicista:
No inicio, vendo Rui Costa, Rivaldo, Seedorf, Pirlo, Shevchenko e Inzaghi juntos, pensou-se estar face a uma revolução do belo jogo. Bastou, no entanto, alguns resultados negativos para Anceloti resgatar o defensivismo, abandonando o belo e dinâmico 4x3x1x2. Nesse sistema, utilizado na primeira metade da temporada, o onze soltava-se, na saída para o ataque, pelo menos com três jogadores á frente da linha da bola. Para a eficácia desse sistema, foi decisivo o sacrifício de Seedorf, adaptado ao flanco esquerdo de forma a equilibrar um meio campo que se tornou idolatrado por alinhar com dois registas: Pirlo, regista defensivo, cujo recuo no terreno foi a maior novidade de posicionamento táctico desse período, e Rui Costa, regista ofensivo, atrás de Rivaldo, que descaía na direita, ao lado de Inzaghi, um ponta-de-lança exímio a jogar no chamado limite do fora-de-jogo.
2. O conservador 4x2x3x1:
Na segunda metade da época, Ancelotti, perante o decréscimo de forma de Pirlo, recuou para 4x3x2x1, sistema de um só ponta de lança -visto Rivaldo ter sempre tendência para recuar no terreno- passando o onze a estender-se, em campo, num longo 4x2x2x1x1.
3. O 4x3x1x2 guerreiro:
Com o avançar da época, porém, mais se intensificaram as tendências conservadoras de Ancelotti, ao ponto de hoje já ser natural ver Rivaldo no banco e Brocchi como titular, embora o sistema táctico preferencial tivesse voltado a ser o 4x3x1x2, com dois pontas de lança Inzaghi-Shevchenko á frente do trequartista Rui Costa. Apesar de, no papel, o sistema ser o mesmo do elogiado inicio da época, a dinâmica colectiva perdeu, no entanto, classe, fruto da opção por um meio campo mais guerreiro e menos tecnicista, gerido pela raça de Gatuso e pelo carácter lutador de Ambrosini e Brochi No decorrer do jogo, depois, a principal alternativa para abrir a frente de ataque, reside, na entrada do brasileiro Serginho, muito rápido a rasgar pelo flanco esquerdo. Em qualquer opção, mantêm-se sempre a defesa a «4», com Maldini como central, ao lado de Nesta, ficando as laterais entregues a Simic e Kaladze.