Marcelo Salas, tem nas veias o sangue espanhol, cruzado com o dos Índios Mapuche. Origens que justificam o seu futebol feito de coração, arte e raça. Ele pertence a uma elite de jogadores com a capacidade de definir, como se diz na Argentina, ou seja é daqueles jogadores que viram sozinhos o curso de um jogo e ganham títulos com isso. Nasceu há 23 anos na véspera de natal, em Temuco, perto de Santiago do Chile, e começou a dar os primeiros pontapés na bola no Santos FC, um clube pobre da zona de Temuco, que ainda hoje não tem nem sede nem telefone.
No presente, levanta em delírio multidões que enchem os estádios na Argentina e no Chile. Em pouco menos de dois anos ele tornou-se num dos jogadores mais idolatrados da América do Sul, onde o futebol é uma religião, como se lia num cartaz pendurado na rede durante um jogo do River Plate, onde joga Salas,“sí no lo sentís, no lo entendés”- se não o sentes, não entendes.

Foi em Setembro de 96 que Salas surgiu pela primeira vez na Liga argentina, com a camisola do River Plate, vindo do Universidade do Chile. Um sentimento de “matador” que assinalou com um golo ao Boca Juniores de Billardo que poucos meses antes recusara a sua contratação por o considerar “um avançado como os outros e demasiado baixo”. Salas não é, de facto, o típico ponta-de-lança possante que joga entre os defesas. Com 1,73 metros recua muitas vezes no terreno em busca da bola, seu objecto de desejo. O seu estilo recorda os jogadores dos velhos tempos que quando tocavam a bola pareciam marcar o ritmo de jogo. “Penso que uma das minhas virtudes é a minha noção do espaço. Isso é decisivo dentro da área. Tenho sempre a intuição onde a bola vai cair e a velocidade para chegar-lhe um segundo antes do defesa. É esta habilidade que me ajuda a marcar muitos golos”. A sua forma de jogar prova que o bom futebol é inteligência em movimento. Uma definição temperada com o sedutor aroma do estilo sul-americano: técnica e picardia, expressa preferencialmente no seu mágico pé esquerdo. Nelson Acosta, seu treinador na selecção, diz não recordar um golo seu em que a bola não tivesse entrado por onde ele queria. O seu primeiro jogo na selecção foi em Maio de 94, com apenas 20 anos, frente à Argentina. O jogo terminou empatado 3-3 e Salas marcou um golo na primeira vez que tocou na bola!
Hoje forma com Zamorano a temível dupla atacante da selecção chilena que no mês passado ganhou em Wembley à Inglaterra, com mais dois golos assinados por Salas. Alex Fergusson, treinador do Manchester United, foi ao Chile só para o ver jogar, contra a Bolívia na fase de apuramento para o Mundial, mas seria a Lazio, de Itália, a conseguir assegurar, com uma transferência milionária, o seu futebol para a próxima época. Apesar da sua juventude revela já grande maturidade no relvado e fora dele. De poucas palavras com os jornalistas, gosta mais de “falar” dentro do campo onde festeja os seus golos com os estilo dos toureiros espanhóis depois da estocada final. Uma imagem que lhe valeu a alcunha de “El Matador”. A França, primeiro, e a “bota da Europa”, depois, esperam por ele.
OS GOLOS E AS EQUIPAS DE SALAS
1994: UNIVERSIDADE DO CHILE - 27 JOGOS 28 GOLOS
1995: UNIVERSIDADE DO CHILE - 24 JOGOS 17 GOLOS
1996: UNIVERSIDADE DO CHILE - 11 JOGOS 5 GOLOS
1996: RIVER PLATE ( TORNEIO APERTURA)- 14 JOGOS 11 GOLOS
1997: RIVER PLATE ( TORNEIO CLAUSURA)- 10 JOGOS 4 GOLOS
1997: RIVER PLATE (TORNEIO APERTURA) - 19 JOGOS 10
GOLOS NA SELECÇÃO DO CHILE: 33 JOGOS 18 GOLOS