Apesar de não ter muita projecção na Europa, a Liga mexicana é hoje uma dos torneios com maior nível e intensidade emocional dentro do futebol mundial. Embora nas últimas épocas, tenham sido equipas como Toluca, Pachuca e UNAM, a conquistar o titulo, os clubes que continuam a movimentar as maiores paixões, desde 1943, são o América, Las Aguilas da capital, e o Chivas, nome porque é conhecido o histórico emblema de Guadalajara.
Ao longo de 62 anos, 140 embates, 48 vitórias das Águias, 45 do Chivas e 47 empates. Esta época, o choque entre estes dois monstros do fútbol azteca voltou a ser um hino ao futebol. Grandes jogadores, emoção e golos, em noventa minutos vertiginosos, que terminaram num empate (3-3).
Na frente de ataque do América, dirigido por Mario Carrillo, um trio de grande nível, guiada pelos sprints de um renascido Piojo argentino, Claudio Lopes, 30 anos. Junto com o acrobático Blanco, 32, que continua sempre em busca de soltar a sua finta da rã (segura a bola entre os pés e salta com ela por entre dois adversários), e o ponta de lança brasileiro Kléber, um artilheiro pujante e oportuno, são o melhor ataque do campeonato.

Velho símbolo azteca, o Chivas alinha um onze composto só por jogadores mexicanos, entre eles o carismático Palencia, 31 anos, fiel ao seu rabo de cavalo, furando em busca do golo por entre as defesas em zigzags, combinando no ataque com o terrível Bautista que festeja os seus golos atirando para os adeptos enlouquecidos a bota com que o marcou, convidando depois para jantar quem a apanhar. Logo a seguir, volta a calçar outro par e segue na caça ás redes adversárias. Comandado no banco pelo chefe Galindo, é, apesar da garra indomável, é ainda um onze em formação, guiado pelo mastro Morales, um dos melhores jogadores mexicanos da actualidade, um médio com picardia e visão de jogo que alinha sobre a esquerda do meio campo, sector onde brilham outras duas belas promessas, os chicos Medina, Alberto, avançado, e Rafael, ala direito, grande precisão de passe.
Ambos sonham roubar o titulo ao bicampeão UNAM, o Pumas, treinado pelo mítico Hugo Sanchez, que depois da fábrica de golos que foi como jogador, tornou-se, talvez aproveitando os ensinamento de tantos anos no futebol europeu, um astuto estratega táctico de um onze onde brilham dois talentosos esquerdinos, Galindo e Augusto, e um excelente médio ofensivo, Fonseca, espécie de segundo avançado, um tipo de jogador muito comum no futebol latino-americano mas raro na Europa.
Disputada a partir dos quartos de final em jogos de eliminação directa a duas mãos, a Liga mexicana tornou-se num local de peregrinação obrigatória para quem gosta do chamado futebol emocional.