Já com as selecções asiáticas e centro-norte europeias todas afastadas, os grandes favoritos ao titulo voltam a emergir da América do Sul e da Europa. Entre os intrusos africanos, permanecem a Nigéria e Marrocos.
Passeando entre os defesas adversários quase como uma girafa, Llorente, 1,94m., feito na cantera do Ath.Bilbao, é um ponta de lança que, embora algo inestético, faz a diferença no jogo aéreo. Com os seus golos e passes nas alturas, a Espanha assume-se como o grande favorito europeu. Uma equipa com grande cultura táctica, muito adulta, num 4x2x3x1 com dois volantes muito experientes, Cesc, o organizador, e Zapater, o recuperador, ambos já habituados, no Arsenal e no Saragoça, á alta competição. Nas alas, Juan Fran, á direita, e Gavilan á esquerda, são as asas do onze, que tem em Markl o enganche com o ponta de lança Llorente.

O Brasil é uma equipa colectivamente inconsistente, sem um claro fio de jogo definido. Defensivamente, é muito forte, esquematizada sempre com uma defesa de quatro elementos, apoiada por um trinco, Roberto, com perfeito sentido posicional no corte e na recuperação. A atacar é uma equipa desequilibrada, pois faltam-lhe extremos e, no centro, não tem um organizador de jogo clássico.
Se Renê Weber quer, como pede incessantemente de pé no banco, que a equipa circule a bola e abra a toda a largura do campo, tem de jogar com homens nas alas. Se na esquerda, ainda abre com Ernane, apesar de este ser destro, na direita, quem faz a faixa a atacar é o lateral Rafael, visto que não tendo a equipa médio centro para organizar o ataque –facto que se agravou com a lesão de Diego, um volante defensivo que subia para pegar no jogo- Renato flecte muito no terreno, ao ponto de ser sobretudo quando o avançado Rafael Sóbis descai para a faixa, que o onze ganha a dinâmica posicional correcta, deixa de ser uma equipa, digamos, coxa, e passa a desenhar um circuito preferencial de jogo. Nesta fase, o 4x4x2 inicial, quase se transforma num 4x2x3x1.

Entre as selecções africanas, a Nigéria, embora algo débil defensivamente, controla muito bem a posse de bola, com Mikel, médio centro, a servir de placa giratória dos movimentos de todo o onze, esquematizado num 4x4x2 muito activo nas faixas, onde se destaca o veloz Abwo, que, ambidestro, troca várias vezes de flanco durante o jogo, servindo a perigosa dupla atacante Promisse-Okoronkwo. Tem um estilo semelhante ao surpreendente Marrocos, um onze muito interessante que procura sempre jogar pelos flancos, tendo para isso dois bons flanqueadores, Zhar e Bendamou, apoiados pelas subidas dos laterais, num dinâmico sistema de 4x1x4x1 explanado num jogo apoiado e que preenche bem todo o terreno. No centro, Hermach, trinco, e, mais adiantados a manobrar jogo, Chihi, Ahmadi e Tiberkanine -já a jogarem em França, Alemanha e Holanda, respectivamente- pautam o ritmo de jogo, servindo o excelente ponta de lança Iajour.
O maior ponto franco reside na fragilidade a defender em frente á área, na zona central, ao contrário do que sucede nas alas, onde fecha muito bem. Uma lacuna colmatada por um categorizado líbero, Rabeh, o patrão da defesa.
Tácticas:
A Argentina e os «tácticos» europeus

Mantendo-se fiel aos seus sistemas de três defesas, a Argentina guiada pelo pé esquerdo de Messi é, no papel, o onze mais forte do torneio. Para ganhar, está dependente, sobretudo, de uma questão de atitude. Em campo, estende-se num longo 3x1x3x3, com e laterais ofensivos e só um médio defensivo (Biglia), soltando no apoio ao ponta de lança Oberman, um trio de médios ofensivos, onde se destacam Zabaleta e Cardozo. O «dono da bola» é, no entanto, Messi.
O principal destaque europeu reside na subida competitiva da selecção alemã, sem grandes tradições no escalão Sub-20. Joga num coeso 4x4x1x1 que vive, sobretudo, da condição atlética e, no plano ofensivo, das entradas de trás dos médios e do playmaker Delura, que quando rasga no apoio ao ponta de lança, transforma o sistema em 4x4x2.
No geral, o onze é forte na zona central (com o trinco Cimen a defender e Gentner a manobrar, fazendo ligação com Delura), mas nas faixas é mais forte defensivamente a fechar, como Thomik e Jansen ou Reinhard, do que a dar profundidade ofensiva. São raras as idas á linha ou o flanqueamento de jogo em desequilibro. Assim, o ponta de lança (Adler ou Senesie) recebe poucos passes em condições, acabando as jogadas mais perigosas por nascer das penetrações de Delura em busca de tabelas.

A Itália, após duas derrotas nos primeiros dois jogos, renasceu das cinzas. Apesar dos desaires, Berreteini, manteve, no geral, o onze base, em 4x4x2, mas incutiu-lhe maior dinâmica posicional ofensiva. Continua, porém, estruturalmente fiel á tradicional linha de contenção transalpina, sempre com a defesa completa, laterais recuados e dois coesos volantes defensivos (Nocerino-De Martino) que só sobem pelo seguro. A criação atacante fica, assim, a cargo dos flanqueadores, Galoppa, á esquerda, e Bentivoglio, que parte da direita para vir pegar no jogo a meio, fazendo ligação como o ataque, onde está, nas costas de Defendi, o melhor jogador do onze. Pellé, um segundo avançado cm técnica, controle de bola, dois pés e remate.
Aproveitando o embalo de jogar nos seus relvados, a Holanda joga num ofensivo 4x3x3, com dois extremo puros, Vinken, á direita, e Abeyie, á esquerda, inspirarando toda a equipa rumo á baliza adversária, sempre sob a ameaça do ponta de lança Babel. O equilíbrio nos movimentos defensivos é garantido pelo trinco Maduro, enquanto para organizar o ataque, depois da lesão do inteligente nº10 Afellay, grande visão de jogo, destacam-se Kruys e Emanuelson.