MUNDIAL SUB-20 / 2005: Estrelas por entre túlipas

10 de Junho de 2005
DISPUTA-SE NA HOLANDA O 15º MUNDIAL SUB-20, UMA VERDADEIRA FEIRA DE TALENTOS EMERGENTES.
Pela terceira vez consecutiva sem Portugal, o Mundial Sub-20, reunindo a nata das promessas futebolísticas de todo o mundo, volta a ser um verdadeiro paraíso para os caça-talentos. 24 selecções nas quais moram jogadores de encantar, alguns já integrados no mundo profissional ao mais alto nível (Cesc, Babel, Diego Tardelli...) outros ainda camuflados em paragens mais escondidas (Yachour, Mikel, Rodallega...).
Em especial destaque, as selecções que iniciam o torneio como campeões continentais das confederação historicamente mais fortes. Nesse sentido, na Europa, a Espanha volta a exibir uma atraente selecção, na senda de outras que a tornaram, na ultima década, como uma grande referência do futebol-formação, obra de uma sábia escola de treinadores pedagogos como Santiesteban, Iñaki Saez e José Ufarte, o actual timoneiro. O grande símbolo do actual onze hispânico é o médio volante organizador de jogo Cesc Fabregas, já estrela do Arsenal de Wenger, raptado ao Barcelona logo após ser descoberto a partir tudo no Mundial Sub-17 de 2002. Desde essa data, Cesc não parou de crescer. É sob a sua batuta que se move toda a equipa onde também se destacam outros atraentes médios, como o volante Zapater (Saragoça), garra e inteligência, e Juan Fran (já membro do principal plantel do Real Madrid), interior-direito, tecnicista e personalizado, joga sempre de cabeça levantada. No ataque, cuidado com o gigante avançado Llorente (1, 94m. ) do Ath.Bilbao, capaz de, pelo ar e pela relva, derrubar sozinho uma defesa inteira.
Noutro quadrante, tomem especial atenção á Colômbia, que sagrou-se campeã sul-americana Sub-20 em Março passado, derrotando os gigantes Brasil e Argentina. Embora já não tenha o perfume do toque colombiano, é um onze muito interessante, congeminado pelo sábio técnico Eduardo Lara, praticando um jogo apoiado, em 3x5x2, mas que muda muito bem de velocidade em passes largos verticais de contra-ataque, destacando-se, nesse estilo, jogadores como o avançado Renteria (Boyaca Chico FC), rápido a arrancar com a bola, á frente de um meio campo com visão de jogo, com Aguilar (Dep. Cali) mais recuado, volante, e Toja (Santa Fé) mais adiantado a apoia,, na frente de ataque, um imponente ponta de lança que, no futuro, em força e técnica, embora sem ser muito rápido, pode virar de pernas para o ar os estádios de todo o mundo: Rodallega.
Tradicionalmente grande força do futebol jovem a nível de selecções (embora muitas vezes envolta na suspeita das falsas idades), África volta a surgir com grandes ambições neste Mundial. Neste contexto, a equipa a seguir (para além da emergente selecção do Benin, com jogadores muito interessantes, já a jogar em França) é a Nigéria, que em Fevereiro sagrou-se campeão africano Sub-20, jogando um futebol táctica e tecnicamente adulto, embora defensivamente menos rigoroso, dando muitos espaços. É, assim, no ataque, com força atlética e imaginação que o onze cresce no jogo, esquematizado num 4x3x3 que, na fase final ofensiva, se transforma num claro 4x2x4. Principais intérpretes: Okoronkwo, avançado possante e habilidoso, do Hertha, Taiwo, belo lateral esquerdo ofensivo, sabe ir á linha e cruzar com precisão, Promise, médio ofensivo que cai sobre a esquerda, entrando de trás, com sentido de oportunidade, nas costas dos avançados e Adeyinka (muita atenção a este jogador!) rápido, criativo, uma espécie de Makelele pequeno, mas com maior pendor ofensivo. Para além deles, olhem para um menino de 18 anos por quem Chelsea e Manchester United tem andado a lutar desde há meses: Mikel Obi, do Lyn da Noruega, médio centro que joga de área a área, um pouco ao jeito de Vieira.

BRASIL E ARGENTINA Diego Tardelli, Messi e os outros

Históricos do futebol-arte sul americano, Brasil e Argentina, vencedores, no conjunto de 8 títulos mundiais Sub-20 ( 4 os canarinhos, 4 os gaúchos), voltam a surgir com renovadas estrelinhas quebra-corações. O Brasil de René Weber, quase sempre em 4x4x2, é um dos grandes favoritos. No seu onze, destacam-se dois bons laterais, Rafael (Coritiba) e Filipe (já na escola do Ajax). A meio campo prestem atenção a Renato (At.Mineiro), médio volante técnico, caindo sobre a direita, muito consistência nas manobras defesa-ataque-defesa, ao lado de Diego Andrade (Fluminense), de quem se fala poder vir para Portugal, um jogador que, á frente da defesa, enche o meio campo, no passe no sentido de organização que possui. São eles que servem uma dupla atacante muito perigosa, formada pelo veloz Diego Tardelli (S.Paulo), sempre em movimento, que gosta de furar pela direita, e o elegante Rafael Sóbis (Intenacional), mais sóbrio, para, toca, passa, remata, parece até um jogador muito mais velho pela forma adulta e pensada que se move no ataque.
A Argentina, mantendo os ensinamentos de Pekerman, o homem que, hoje na selecção principal, devolveu a técnica ao um estilo que se tornara demasiado agressivo, é, talvez, o onze tacticamente mais adulto deste torneio. Por outro lado, mescla a técnica fina com uma picardia muito própria e, assim, cria um estilo, ao mesmo tempo, sedutor e competitivamente temível. No onze orientado pelo velho Francisco Ferraro, 60 anos,, emerge como principal estrela o médio ofensivo Leonel Messi, jogador do Barcelona B, e que já mora em Espanha há vários anos, para onde foi menino com os pais. Algo franzino (1,670m. e 65kg.) é um médio esquerdo ofensivo com velocidade, visão de jogo e remate. Um playmaker completo que pode vir a ser um caso muito sério. A estrutura do onze, esquematizado preferencialmente entre o 3x5x1x1 e o 3x4x1x2, engloba, porém, outros jogadores a seguir sem pestanejar como o defesa Garay, na linha dos tradicionalmente destemidos centrais argentinos, muito forte no jogo aéreo, o médios Biglia e Zabaleta, e, na frente, a revelação da época na Liga Argentina, Pablo Viiti, do Rosario Central, mágico dos golos bonitos

Iajour, Babbel e o sonho holandês

Embora seja considerada a suprema referência na formação (com a idolatrada escola do Ajax), a Holanda nunca conquistou um titulo internacional com as suas selecções jovens. O facto deste Mundial Sub-20 jogar-se em sua casa, é uma soberba oportunidade de, por fim, colocar o seu nome na lista de vencedores. Para tal, conta com uma interessante selecção, orientada pelo experiente Fope de Haan, que chega ao cargo após 20 anos no Hereveen. Entre as figuras a seguir, dois nomes emergem: o central Vlaad do AZ Alkmaar e o esguio ponta de lança Babel, do Ajax. No Chile, mora um nº10 com arte e garra, Matías Fernandez (Colo Colo), um talento nato a driblar e a perseguir a bola com picardia, tudo com bom sentido de passe, organizando jogo em velocidade. Na Suíça, quatro jogadores muito adultos, já a jogar em grandes equipas: na defesa, o central Senderos, do Arsenal; no meio campo, o veloz ala esquerdo Ziegler, do Tottenham, e, o gigante (1, 90m.) Djourou, do Arsenal; No ataque, um veloz vagabundo com sangue colombiano, Vonlanthen (esteve no Euro-2004) emprestado pelo PSV ao Brescia. Um trio que, se inspirado, pode guiar o onze helvético a um grande torneio. Nos EUA, ai está de novo Freddy Addu, agora mais adulto futebolisticamente. Aos poucos, o menino-maravilha ganês vem lapidando o seu futebol. Aos 16 anos, ele é grande esperança do soccer para o futuro. A essência do seu jogo continuam a ser, porém, os assombrosos gestos técnicos, num onze onde também está o defesa Spector, aposta de Alex Ferguson em Manchester. Na Ucrania, atenção ao veloz avançado Vorobei, já muito vezes chamado á selecção principal e também por vezes titular do Dinamo Kiev, rápido, com grande inteligência de movimentos nos últimos 30 metros do terreno, muito difícil de ser marcado e com faro de baliza.
Na selecção de Marrocos há um jogador imperdível: Mouhssine Yajour, avançado centro fisicamente forte (,82m. e 80kg.), com boa técnica, pujante a mudar de velocidade, furando as defesas, nesse movimento, com uma facilidade impressionante. A nível europeu, uma das selecções que tem progredido mais nos últimos tempos a nível de selecções jovens é a Alemanha, num trabalho que começou há um par de anos e que teve como primeiro mentor Stielike. Hoje, surge com um onze, orientado por Skibe (antigo adjunto de Voller na equipa principal), robusto fisicamente, qu representa o melhor do futebol anglo-saxónico a nível jovem, embora recorrendo cada vez mais ás duplas nacionalidades. Nesse sentido, prestem atenção a Martin Matip, do Colónia, central, um camaronês naturalizado alemão, que impõe grande personalidade á defesa, e, a meio campo, Delura, do Schalke, polaco naturalizado, lutador e com visão de jogo. Na Ásia, a Coreia do Sul, onze vezes consecutivas campeão asiático Sub-20, volta a sonhar em deixar marcas num Mundial. Para isso, conta com goleador que nunca pára um segundo: Park Chu Young, do FC Seoul, eleito jovem jogador asiático do ano em 2004.

GRUPO A

HOLANDA Treinador: Fope de Haan Estrela a seguir: Ryan Babel (Ajax) JAPÃO Treinador: Kiyoshi Ohkama Estrela a seguir: Morimoto (Tokyo Verdi) BENIN Treinador: Serge Devèze Estrela a seguir: Abou Maiga (Creteil) AUSTRÁLIA Treinador: Ange Postecoglu Estrela a seguir: Spase Dilevski (Tottenham)

GRUPO B

TURQUIA Treinador: Senol Ustaomer Estrela a seguir: Ali Ozturk (Genclerbirligi) CHINA Treinador: Eckhard Krautzun Estrela a seguir: Dong Fangzhuo (Antuérpia) UCRÁNIA Treinador: Pavlo Yakovenko Estrela a seguir: Vorobei (Dinamo Kiev) PANAMÁ Treinador: Victor Mendieta Estrela a seguir: Armando Gun (Chorrillo)

GRUPO C

ESPANHA Treinador: José Armando Ufarte Estrela a seguir: Cesc Fabregas (Arsenal) MARROCOS Treinador: Jamal Fethi Estrela a seguir: Mouhssine Yajour (Raja Casablanca) HONDURAS Treinador: Rubén Guifaro Estrela a seguir: Jose Guity (Marathon) CHILE Treinador: José Manuel Sulantay Estrela a seguir: Matías Fernandez (Colo Colo)

GRUPO D

ARGENTINA Treinador: Francisco Ferraro Estrela a seguir: Lionel Messi (Barcelona) EUA Treinador: Sigi Schmid Estrela a seguir: Freddy Adu (Wasghinton United) ALEMANHA Treinador: Michael Skibbe Estrela a seguir: Marvin Matip (FC Koln) EGIPTO Treinador: Mohamed Ali Estrela a seguir: Ahmed Ferrag (Sochaux)

GRUPO F

COLÔMBIA Treinador: Eduardo Lara Estrela a seguir: Hugo Rodallega (Deportes Quindio) ITALIA Treinador: Paolo Berrettini Estrela a seguir: Andrea Coda (Empoli) SIRIA Treinador: Mardakyan Estrela a seguir: Majed Al Haj (Al Jaish) CANADÁ Treinador: Dale Mitchell Estrela a seguir: Ryan Gyaki (Sheffield United)

GRUPO G

BRASIL Treinador: René Weber Estrela a seguir: Diego Tardelli (São Paulo) NIGERIA Treinador: Samson Siasia Estrela a seguir: Obi Mikel (Lyn) COREIA DO SUL Treinador: Park Sung-Hwa Estrela a seguir: Park Chu Young (FC Seoul) SUÍÇA Treinador: Pierre-André Schurmann Estrela a seguir: Vonlanthen (PSV)

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