MUNDIAL SUB-20: Abeyie, drible em velocidade, e Mikel, o relógio nigeriano

17 de Junho de 2005
Ainda na primeira fase, o Mundial Sub-20 já revelou alguns talentos interessantes que podem marcar o futebol do futuro. Primeiros apontamentos, onde emerge um extremo holandês que vira qualquer jogo de pernas para o ar – Abeyie- o labor táctico de Mikel, na Nigéria, o dinâmico Aliiev, da Ucrania, enquanto a China escreve a primeira nota de sensação do Torneio.
A primeira estrelinha a despontar foi um veloz e imaginativo extremo esquerdo holandês, 19 anos, que já mora no Arsenal: Owusu-Abeyie. Chegou á corte de Wenger depois de nove anos nas escolas do Ajax. A facilidade com que ultrapassa os adversários driblando em progressão vale ouro para qualquer equipa. Inserido no 4x3x3 holandês, Abeyie é o tipo de jogador que pode, com a sua velocidade imaginativa, virar sozinho o curso de um jogo. Wenger sabe que tem aqui um diamante e já o vai metendo aos poucos na primeira equipa. Mas esta Holanda, que tem na frente de ataque um grande ponta de lança em embrião, Babbel, já titular no onze principal do Ajax, também tem outros talentos sedutores, na linha do seu estilo apoiado de posse e circulação de bola. E o caso do inteligente nº10, Afellay, do PSV, bem a passar e a ler o jogo, embora talvez lhe falte ainda um pouco de agressividade, e, na ala direita, Kruys, médio pendular do Utrecht. Tem apenas 17 anos mas a cultura táctica que revela desde o berço fazem parecer um jogador já adulto. Defensivamente, apesar de ter um excelente central, Vlaar, a equipa não é tão forte. Fecha mal nos flancos, começando a defender demasiado atrás o que permite aos adversários ganhar terreno e traçar linhas de cruzamento nas imediações da área. É uma questão de equilíbrio devido aos alas e extremos terem quase sempre os movimentos ofensivos na mente e jogar só como um médio defensivo clássico no centro, Maduro, também já habitual titular na equipa principal o Ajax. Tem excelente presença em campo, posiciona-se bem e atleticamente impõe respeito, mas é muito lento nas transições e nas dobras, fazendo a equipa sofrer com isso, a defender e a atacar. Necessita de ter outro médio, mais raçudo e recuperador a seu lado, para poder soltar o seu futebol que, assim, parece demasiado macio.

NIGERIA

Outros nomes para apontar no bloco de notas, são Okoronkwo, ponta de lança da Nigéria, um pequeno monstro com técnica e força que até assusta os pássaros á medida que avança no terreno. A equipa nigeriana, onde mora um must de jogadores muito interessantes confirmou, no entanto, a ideia que tínhamos dela antes do torneio e já ficara presente no Mundial Sub-20 africano que ganhou, apesar de revelar uma debilidade defensiva, em termos de dinâmica posicional, bastante grande. Tem um bom defesa esquerdo, Taiwo, já na rota do Marselha, mas os outros elementos do sector não possuem a mesma destreza na antecipação, marcação e corte. Como possui dois excelentes médios centro, posicionados verticalmente, Adedeji, um «makelelezinho» incansável a roubar e procurar bolas, iniciando a saída para o contra ataque como um coelho corre-caminhos, e Obi Mikel, o tal «gigantezinho» que, joga no Lyn da Noruega, está a ser alvo de disputa por Chelsea e Manchester United. Vê-se que sabe colocar-se no terreno, está sempre no sitio certo para receber a bola, mas revela-se uma lentidão excessiva com a bola nos pés na hora de sair para o ataque, não dando, assim, fluidez ao jogo da equipa. Pelo poderio físico e inteligência de jogo, é, no entanto, um jogado muito interessante. Veremos a sua evolução. No ataque, Isac Promisse e Okoronkwo são dois avançados em permanente movimento. Okoronkwo é mais perigo na finalização, mas nas movimentações sem bola, Promisse é mais inteligente. Sabe procurar muito bem o local para receber a bola e, depois, espera a subida dos médios ou dos extremos, sobretudo o nº14 Abwo (rápido, está sempre a trocar de flanco) para procurar elaborar as movimentações atacantes. Empatou com o Brasil, mas caiu, pelas razões defensivas expostas, frente á primeira sensação da prova, a Coreia do Sul.

CHINA E UCRANIA

Na Ucrânia, olhem para o nº10 Milevskyi, avançado centro, muito inteligente a arrancar de trás com a bola dominada, enquanto entrando pelas alas, com faro de baliza, destaca-se Aliiev. São ambos jogadores do Dinamo Kiev. Junto com Feshchuk, do Karpaty Lviv, são os dinamizadores do ataque ucraniano, quer na construção como na finalização. É uma nova geração já totalmente liberta e formada (para o bem para o mal) dos velhos ditames do futebol de leste da antiga URSS por vezes em demasiado limitativa da criatividade individual dos jogadores desde os escalões de formação. Apesar do talento destes elementos, A Ucrânia acabou, no entanto, surpreendido com a maior sensação da prova até ao momento, a China, que procura com a sua selecção Sub-20 como que vingar o afastamento da sua selecção principal do próximo mundial sénior. Com seis pontos m dois jogos, o onze chinês já está apurado para os oitavos-de-final. A equipa revela alegria e destreza em campo, não sente pressão e, com verticalizações rápidas, avança no terreno sempre com perigo. Quanto a nomes, reparem no avançado Zhu Ting, jogador do Dalian Shide. Não é um fenómeno, mas pela forma como se movimenta, foge ás marcações e surge bem para concretizar, será sempre um jogador para não perder de vista, tal como o médio Cui Peng, do Shandong Luneng, um construtor. Voltaremos mais tarde, no decorrer do torneio, para analisar, em maior pormenor esta selecção chinesa.

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