MUNDIAL SUB-20: Argentina, ao ritmo de Messi e a Colômbia de «RodaGol»

18 de Junho de 2005
Estão encontradas as 16 selecções apuradas para os oitavos-de-final do Mundial Sub-20 2005. Entre as afastadas, destaca-se a Suíça, que caiu no chamado «grupo da morte», frente a Brasil e Nigéria. Entre as principais notas de surpresa, atenção á China. Como favoritos, confirmam-se Espanha, Holanda e, claro, Brasil e Argentina, sempre. Possiveis out-siders: Colômbia, Nigeria e EUA. Analisemos Argentina e Colômbia, uma delas vai cair na eliminatória seguinte....

ARGENTINA: Ao ritmo de Messi

Resultados: Argentina, 0- EUA, 1 Egipto, 0-Argentina, 2 Argentina, 1-Alemanha, 0 Sempre fiel ao seu sistema de três defesas, a Argentina tem cultura de jogo, saber táctico e talento individual. Se emoldurar estas qualidades numa concentração e qualidade exibicional correspondentes, é uma das mais forres candidatas ao titulo. Gago, Cardozo e Messi são três figuras para referenciar e seguir no futuro, mas o belo onze do experiente Ferraro move-se sempre tendo em conta a dinâmica colectiva. É, raro, no circuito preferencial de jogo do onze gaúcho, ver jogadores parados, mesmo que a bola esteja longe, do outro lado do terreno. É o chamado domínio do tempo e dos espaços. Como condutor de jogo desde trás, Neri Cardozo (Boca Juniores) assume-se como o guia espiritual. Autoridade e toque de bola em progressão, sempre em busca de linhas de passe, soltando-se na frente de um trinco-volante de grande qualidade táctica: Gago (Boca Juniores, esquerdino, maca desde o centro da defesa, é a chave do equilibrio colectivo da equipa, embora, curiosamente, esteja a jogar numa posição que não é, por hábito, a sua, pois no clube, costuma jogar mais adiantado. A forma como, mesmo jogando como volante de contenção, recupera, sobe, passa e organiza, destapa, num ápice, a maior amplitude do seu futebol..
Na defesa a «3», respira-se cada vez mais confiança. Torres (Racing) comanda no centro. Cabral (Racing), pela direita, e Paletta (Banfield), pela esquerda, fecham a toda a largura do terreno, dando liberdade aos laterais para subir: Barroso, na direita, e, sobretudo, Formica (Newells) , na esquerda, quase um volante de faixa, na forma como sobe e flanqueia o jogo. Na linha de criação atacante, Zabaleta (San Lorenzo), pela direita, é, já se sabia, um talento com velocidade, imaginação e picardia. Está, a cada dia que passa, cada vez mais jogador. Tal como a grande estrela desta equipa, que, é, indiscutivelmente, o maestro Messi (Barcelona B), outro esquerdino para marcar o futuro do futebol argentino nos próximos anos. Está sempre a pedir a bola. Quando a recebe assume as chamadas despesas do jogo, como que dizendo “ok, vamos jogar”. Não é jogador de «futbol-tricot» sem objectividade. Nada de lateralizar o jogo. Toca para a frente, busca triangulações ou espaços de penetração, grita com os colegas, move-se para receber a bola, toca, passa, elabora, remata, sempre em movimento, com criatividade e técnica apurada. Não estranhem se o virem, em breve, a tabelar com Deco ou Ronaldinho na primeira equipa do Barcelona. Como ponta de lança, Oberman (Argentinos Juniors) é uma avançado interessante. Não é muito forte fisicamente, mas luta muito pela bola. Persegue-a mesmo quando está a sair pela linha de fundo, vai no choque, ganha espaços e está sempre em busca de uma oportunidade de remate. É muito difícil de ser marcado, mas falta-lhe alguma frieza de movimentos e finalização. Para ganhar o Mundial, esta Argentina está dependente, sobretudo, de uma questão de atitude.

COLÔMBIA: O futebol em toques curtos

Resultados: Colômbia, 2 – Itália, 0 Colômbia, 2- Canadá, 0 Colômbia, 2 – Síria, 0 Três jogos, três vitórias, sempre o mesmo resultado (2-0), nove pontos, seis golos marcados, zero sofridos. É este, até ao momento, o cartão da selecção colombiana, campeã Sub-20 sul-americana em titulo, no actual Mundial 2005 da categoria. Nada de surpresas, a equipa mantêm a base do onze sul-americano, revela uma mecanização quase perfeita e joga com ritmo, toque e cérebro. A obra já começara a ser montada, anos atrás, por Reinaldo Rueda (hoje na selecção principal) e teve seguimento no actual seleccionador Sub-20, anterior adjunto, o sábio Eduardo Lara. Tacticamente bem distribuído, avançando sobretudo em toques curtos, este onze “cafetero” sub-20 merece que a vejam jogar com atenção. É o bom futebol, embora sem a velocidade que dita a alta competição dos tempos modernos, em movimento. Quando vemos uma selecção com esta filosofia de jogo, acabamos o jogo inevitavelmente com um sorriso. Na baliza, Arenas (Envigado) confirma-se como um guarda redes seguro. Na defesa, Zapata (Deportivo Cali) e Harrison Morales (Deportes Quindio) são dois centrais com personalidade, no corte e na antecipação. Entre os laterais ofensivos, um nome para apontar e fixar: Zuñiga (Atlético Nacional), faz todo o corredor direito com agressividade, criatividade e inteligência táctica, a cruzar ou triangular. Um estilo que lhe está no sangue, muito devido a ter feito quase toda a sua formação como médio volante, revelando-se, sobretudo, nesse posto, pela sua vocação para criar jogo. Á esquerda, está Casierra (Once Caldas), menos dinâmico ofensivamente, mas dono de um potente remate. No meio campo, onde o bom futebol deve ser congeminado, um nº10 que já alinha na principal selecção colombiana: Aguilar (Deportivo Cali). Mesmo com tendência a descair para a esquerda, é ele que faz a equipa circular a bola, lança o ataque, orienta as movimentações e dita ordens. Na direita, Valência (America Cali), um tecnicista, combina com Zuñiga nas subidas deste, e na esquerda, Marrugo (Atlético Nacional) ou Guarin (Envigado), são ambos flanqueadores com grande dinâmica atacante. Têm sempre presente, no entanto, o trabalho sem bola, recuando a defender na fase defensiva, funcionado ao como recuperadores. No ataque, Rodallega (Deportes Quindio), que surgiu algo longe da sua melhor forma neste Mundial Sub-20, move-se com inteligência. É mortífero no remate, procura espaços vazios, embora não seja muito rápido, e sabe tabelar muito bem com o outro avançado, Renteria (Boyaca Chico), mais de combate na luta entre os centrais, abrindo os braços nos lances divididos, ganhando sempre espaço para manobrar. Nas costas desta dupla, Otálvaro (Amarica Cali), faz o rombo como médio ofensivo criador.
No meio campo, onde o bom futebol deve ser congeminado, um nº10 que já alinha na principal selecção colombiana: Aguilar (Deportivo Cali). Mesmo com tendência a descair para a esquerda, é ele que faz a equipa circular a bola, lança o ataque, orienta as movimentações e dita ordens. Na direita, Valência (America Cali), um tecnicista, combina com Zuñiga nas subidas deste, e na esquerda, Marrugo (Atlético Nacional) ou Guarin (Envigado), são ambos flanqueadores com grande dinâmica atacante. Têm sempre presente, no entanto, o trabalho sem bola, recuando a defender na fase defensiva, funcionado ao como recuperadores. No ataque, Rodallega (Deportes Quindio), que surgiu algo longe da sua melhor forma neste Mundial Sub-20, move-se com inteligência. É mortífero no remate, procura espaços vazios, embora não seja muito rápido, e sabe tabelar muito bem com o outro avançado, Renteria (Boyaca Chico), mais de combate na luta entre os centrais, abrindo os braços nos lances divididos, ganhando sempre espaço para manobrar. Nas costas desta dupla, Otálvaro (Amarica Cali), faz o rombo como médio ofensivo criador.

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