Na Alemanha, abram alas para Delura, um polaco naturalizado que corre o campo todo. Recupera, transporta, organiza e remata. Joga no Schalke 04 e a reconstrução do futebol alemão não irá, certamente, passar sem a categoria do seu futebol, em força e técnica. A selecção Sub-20 alemã, como de resto todos os escalões de formação do futebol germânico, é, no contexto europeu, aquele que mais têm subido de nível. Na base do novo rosto par encarar os desafios do futuro está um melhor mescla da técnica com a força, ou vice versa, que se perdera um pouco, a partir da segunda metade da década de 90, como era visível na selecção sénior teutónica. Nesse sentido, Delura, pode ser um jogador crucial para a reconstrução.
Na defesa, Matip, com pai camaronês e mãe alemã, é um jogador elegante, vê-se que sabe jogar e colocar-se no terreno, mas parece, digamos, com demasiado peito feito”. Parece algo adormecido como os elogios que lhe foram sendo dirigidos durante toda época. Para ser um «Beckenbauer negro», como alguns lhe gostam de chamar, precisa de jogar muito mis (e imaginem este muitos mais escrito pelo menos mais dez vezes). Tem potencial, isso é inegável, mas necessita de ganhar mais agressividade para ser mais decidido a atacar bolas para o corte. Veremos a sua evolução no futuro. Na próxima época deverá jogar mais vezes na primeira equipa, já na dureza da Bundesliga, no recém -promovido Colónia. Se for bem orientado, não há duvida que também poderá ter uma importante palavra a dizer no futuro do futebol alemão.
ESPANHA

Na Espanha, o gigante ponta de lança Llorente, embora lento, lembra um pouco o estilo de Julio Salinas. Quando parece que não vai dominar ou chegar á bola, ele surge e, com simplicidade, remata para golo. Ele é em termos de finalização, a face mais visível desta Espanha, uma das mais fortes candidatas ao titulo, que está ser orientada no banco por Iñaki Saez, mas o patrão da equipa, aquele que manda nas coordenadas atacantes, é o dinâmico Juan Fran, que irá, diz-se ficar na primeira equipa do Real Madrid. É rápido, sabe conduzir a bola, abrir espaços, procurar os flanco cruzar com perigo e entrar de trás a causar desequilíbrios. Tendo atrás de si uma excelente dupla de recuperadores, Zapater e Albiol (fantástica a história deste miúdo que esteve quase acaba para o futebol – e para vida- regressando gora á ribalta), Juan Fran pode soltar-se com maior facilidade nas suas iniciativas atacantes sobretudo pelo flanco direito.
Mais no centro, funcionando como placa giratória, está Victor, enquanto na esquerda abre Gavilán. Na defesa, Alexis garante a disciplina posicional do sector. Claramente um forte candidato ao titulo.
SUIÇA

Em termos colectivos, uma das selecções mais interessantes é a Suíça. A base do onze é a mesma que venceu o Europeu sub-17 há dois anos. Joga em 4x4x1x1, tem uma excelente central, Senderos, dois bons alas, Antic e Ziegler, um volante e um playmaker que sabem tratar a bola, Dzemaili e Zambrella, embora este tem, obrigatoriamente, de aumentar o ritmo do seu futebol para poder vingar no duro futebol profissional ao mais alto nível, e um polivalente que pode jogar como lateral direito ou médio ala em ambos os flancos, embora seja destro: Barnetta, que na próxima época irá jogar no Bayer Leverkusssen. Neste Mundial Sub-20, está a jogar como lateral direito ofensivo (mesmo inserido numa defesa a «4», mas no Hanover 96, a época passada, jogou como médio ala. Chegou á Alemanha a época passada vindo do St.Gallen. No Hannover, como uma lesão, sofreu para ganhar um lugar de titular, mas quando actua na principal selecção helvética ou no onze sub-20, o seu valor fica bem patente. Apesar de ser destro, joga muita vezes como ala esquerdo. Em qualquer flanco, revela os mesmos traços: velocidade, habilidade e consistência a defender e a atacar. Está li um excelente jogar. Fixem o seu nome: Tranquilo Barnetta
Só falta a esta Suíça poder de remate, ou, melhor, de concretização, como ficou patente no belo jogo que fez contra o Brasil. Volanthem está jogar sozinho na frente de ataque. É rápido, esquivo, desmarca-se bem e foge ás marcações mas não é um finalizador nato. Renderia muito mais como segundo avançado solto ao lado ou mais atrás de um ponta de lança clássico, como que pudesse tabelar.
BRASIL

Campeão do mundo em titulo, o Brasil ainda não soltou, neste Mundial Sub-20, a essência do futebol. Dois jogos (empate 0-0 com a Nigeria e uma vitória injusta frente á Suíça, 1-0), duas exibições descoloridas e todos continuam a esperar pelo perfume artístico canarinho. Não parece, no entanto, vendo a sua equipa-tipo, que ele vá aparecer neste Mundial com grande intensidade.
Basicamente, a razão para este descolorido Brasil, no ponto de vista das suas tradições artísticas, reside na falta de criatividade e até de um fio condutor de jogo, visto não ter um organizador de jogo clássico, só ganhando o jogo sentido colectivo quando o trinco volante Diego, sem dúvida um belíssimo jogador, como já se vira no Sul-Americano da mesma categoria. Sabe conduzir a bola, como capacidade física, cobre-a muito bem e passa com inteligência. Não dribla, mas cada passe ou movimento é de máximo rendimento.
Nas suas costas, quando sobe, fica o recuperador Roberto, já um produto dos tempos modernos canarinhos.
Sem um médio dentro organizador jogando em 4x4x2, os alas, Ernane-Evandro- deveriam, obrigatoriamente ter mais dinâmica de profundidade ofensiva. Tal não acontece. Flectem muito no terreno, não criam linhas de passe e o circuito de jogo não existe com fluidez, acabando, por inerência a equipa «coxa», sem extremos, deixando os dois avançados, Diego Tardelli e Sobis, entregues á sua sorte (entenda-se talento individual) para resolver os problemas atacantes. Os movimentos destes dois avançados são, porém, de contornos digamos, anárquicos. Jogam demasiado distantes um do outro. Diego pela esquerda e Sóbis pela direita, pelo que é difícil tabelarem, só surgindo triangulações e jogadas de ataque continuado, onde a equipa surge com mais jogadores na fase final da conclusão atacante.
Em termo de organização a meio campo e lançamento do ataque, o onze mehora, claramente, quando entra Renato. Tem velocidade, visão de jogo e verticaliza o jogo como muita facilidade. Inserido neste conjunto, o seu futebol acaba, porém, por se esvaziar com grande facilidade.
Na defesa, muito bom o lateral direito Rafael, do Coritiba, inacansável a atacar e a defender, e o alto central Gladstone, do Cruzeiro, imperial no jogo aéreo e sempre muito atento no corte.
Veremos se este Brasil de Rene Weber, ainda em fase de crescimento de forma, poderá ter uma melhor perfomance nos próximos jogo. Como no decisivo embate contra a Coreia do Sul, uma equipa que não para um segundo e vai obrigar o canarinhos a correr muito, muito...
ITALIA

A grande decepção da prova, embora surgisse com algumas baixas importantes, é a selecção italiana. Sem profundidade atacante, presa de movimentos e carente de mecanização na fase de transição defesa-ataque-defesa, a «squadra azzurra» Sub-20 de Paolo Barretini caiu eliminada na primeira fase da prova (derrotas com Colômbia e Siria = 0 pontos). Sem jogadores-chave como Curci, Montolivo, que fora nos últimos jogos o patrão da equipa, Zambelli, lateral direito, e Guarente, do Verona, o seleccionador Barretini teve de improvisar.
Defensivamente, Andrea Coda, central do Empoli, confiram-se como um jogador para seguir no futuro pelo sentido posicional e condição atlética que o faz impor-se no centro da defesa. Poderá estar aqui mais um bom central para o futuro do futebol italiano. Entre o 4x4x2 e o 4x5x1, a Itália terá de começar pensar noutra geração Sub-20. Neste Mundial, pelo observado na primeira fase, seria uma grande surpresa se avançasse até ás meias-finais...