O argentino Tevéz, o inglês Rooney, e os brasileiros Robinho e Diego. Quatro estrelinhas entre os 18 e 20 anos que, se as leis da natureza ainda tivessem alguma importância no frio mundo actual, estariam, neste momento, a disputar o Mundial Sub-20. Dominado pela ânsia de descobrir grandes craques, quase desde o primeiro pontapé no berço, os agentes directivos do futebol actual como que adulteraram as regras do tempo e hoje, o que antes, aos 18/19 anos, seria ainda um promissor júnior ou um tímido miúdo na sua primeira época de sénior, é, já, em muitos casos, a grande figura da primeira equipa na qual se depositam as esperanças e a pressão de ganhar o próximo jogou ou, até, o próximo titulo. Neste contexto, os seus clubes, em nome do profissionalismo milionário no qual eles já se movem, recusam-nos ceder ás selecções jovens, privando-os de eventos que seriam únicos nas suas carreiras.
Entre os grandes treinadores-formadores ainda presentes, destaca-se, após a retirada de Pekerman (três vezes campeão com a Argentina: 95, 97, 2001) um nome de referência: Juan Santiesteban, de cujas mãos saíram, nas últimas décadas, as maiores figuras do fútbol espanhol, de Guardiola a Raúl. Hoje, após vários anos nas categorias de base até aos Sub-19, é o líder da selecção Sub-20. Como novo símbolo da sua nova casta, emerge o novo motor veloz e de toque curto do Barcelona: Iniesta, um, digamos, Guardiola mais rápido, que com Van Gaal e Rjkaard já ganhou, muitas vezes, um lugar entre o primeira onze blaugrana.
Entre as outras nações europeias, atenção ao playmaker da Eslováquia: Marian Kurty, um organizador de jogo com grande personalidade, capacidade de passe e fantástica visão de jogo. Na Inglaterra e na Alemanha, selecções com pouco tradição no futebol jovem, dois nomes: Milner, avançado do Ledes, na Inglaterra e, no onze germânico, o médio Trochowski, do Bayern Munique, que brilhou o ano passado no Europeu Sub-19 do qual foi finalista (derrota com a Espanha, 0-1).
De entre os representantes asiáticos, especial curiosidade para ver como evolui a selecção sul-coreana a este nível, depois das proezas do onze principal, do qual muitos jogadores actuam hoje na Europa. Dez vezes campeão asiático Sub-20, os taeguk warriors, como são conhecidos, vivem do mesmo estilo veloz e vertical, atenuante da debilidade física inata dos seus jogadores.
Os mágicos do Brasil e Argentina

Os grandes favoritos continuam a ser, no entanto, o Brasil e a Argentina. Apesar das ausências de Diego e Robinho, o Brasil de Marcos Paquetá, o treinador que após vencer o mundial Sub-17 neste verão substituiu no cargo o popular Valinhos, conta com um grupo de belos jogadores. Na defesa, destaca-se o veloz lateral esquerdo Adriano, muito ofensivo, do Coritiba, e Daniel Alves, ala ou interior direito do Sevilha, que, com grande resistência física, faz toda a faixa a defender e a atacar. A meio campo, o motor é Dudu, do Vitória, inteligente a cobrir e a passar a bola, cabeça levantada e toques de filigrana. No ataque, quatro perigos á solta: Nilmar, que jogou pelo escrete principal na Gold Cup da CONCACAF, e Daniel Carvalho, a dupla atacante do Internacional que já joga junta desde há várias épocas conciliando velocidade com faro de golo, Dagoberto, avançado do At.Paranaense, muito oportuno, e Andrezinho, velocista criativo do Flamengo.
Na Argentina, Hugo Tocalli, durante anos o fiel adjunto de Pekerman, conta com a mesma base que conquistou, em Março, a Copa Sul-Americana Sub-20, no Uruguai. Como principal destaque na defesa, emerge o categorizado central Gonzalo Rodriguez, já chamado por Bielsa á selecção principal. A meio campo, ao mesmo tempo a força criativa e o suporte atlético do onze, moram, para essa mescla, o incansável Zabaleta (S.Lorenzo), o capitão Colace,(Argentino Juniores), o artista Montillo (San Lorenzo), o driblador Carrusca (Estudiantes) e duas grandes promessas do River Plate, Ferreira, um esquerdino de grande classe que joga sobre a ala canhota, e Mascherano, um abre-caminhos da meia-cancha, lutador e com grande controle de bola. No ataque, o goleador chama-se El Torito Cavenaghi, também do River, Cangele, extremo esquerdo do Boca Juniores e, como grande revelação, Herrera, avançado do Rosário Central, um predestinado do golo.
A África negra
e o fenómeno Adu
Embora muitas vezes envoltos na suspeita, lançada sobretudo pelos técnicos e analistas europeus, sobre a verdadeira idade de muitos dos seus precoces fenómenos futebolísticos, o futebol africano, sobretudo o da chamada África negra, tornou-se, pela superior mescla de condição atlética e capacidade técnica a um nível tão jovem, numa referência de qualidade a seguir neste torneios. Em 2003, sem a forte Nigéria, os talentos negros vêm do Mali, liderados pelas dinastia Coulibaly, Burkina Faso, lapidados desde 2001 pelo sábio treinador holandês Mart Nooij, e Costa do Marfim, onde mora Tony Koutouan, a jogar em França no Lorient, um diabo negro quase impossível de marcar. Da região norte, da África branca, surge o Egipto, campeão africano Sub-20, com estilo de jogo mais apoiado, de inspiração europeia.
Provando, porém, a confusão em que hoje está afundado o mapa mundo, a grande estrela da actual África negra a jogar neste Mundial Sub-20, nascida no Gana, não irá alinhar com a sua selecção natural, mas com a adoptiva, os EUA, com a qual já brilhou no Mundial Sub-17. Trata-se, claro, do prodigioso médio ofensivo Freddy Adu, que, com apenas 14 anos, já assinou contratou profissional com a MSL. Alguns lunáticos analistas chamaram-lhe novo Pelé. Uma heresia futebolística muito comum nos tempos que correm. Adu é, de facto, um excelente jogador, mágico, tecnicista, rápido e inteligente, mas não é, como ninguém será, outro Pelé.
AS 24 SELECÇÕES
GRUPO A
UAE
Treinador: Jean François Jodar
Estrela a seguir: Shehab Ahmed (médio, Al Ain)
ESLOVÁQUIA
Treinador: Peter Polak
Estrela a seguir: Marian Kurty (médio, Ruzemberok)
BURKINA FASO
Treinador: Mart Nooij
Estrela a seguir: Wilfried Sanou (avançado, Sion) e Boureima Ouattara (médio, ASF Bodo)
PANAMA
Treinador: Gary Stempel
Estrela a seguir: Gabriel Gómez (médio, Envigado FC)
GRUPO B
ARGENTINA
Treinador: Hugo Tocalli
Estrela a seguir: Cavenaghi (River Plate, avançado) Gonzalo Rodriguez (defesa, San Lorenzo)
MALI
Treinador: Mamadou Coulibaly
Estrela a seguir: Bakary Coulibaly (avançado, Djoliba At. Club)
ESPANHA
Treinador: Juan Santiesteban
Estrela a seguir: Iniesta (médio, Barcelona)
UZBEKISTÃO
Treinador: Viktor Borisov
Estrela a seguir: Ilyas Zeytulayev (médio, Juventus “Primavera”)
GRUPO C
BRASIL
Treinador: Marcos Paquetá
Estrela a seguir: Nilmar (avançado, Internacional) e Dudu (médio, Vitória)
CANADÁ
Treinador: Dale Mitchell
Estrela a seguir: Wyn Belotte (avançado, Wisla Cracóvia)
REP. CHECA
Treinador: Pavel Vrba
Estrela a seguir: Pavel Fort (avançado, Slávia de Praga)
AUSTRÁLIA
Treinador: Ange Postecoglou
Estrela a seguir: Scott McDonald (avançado, Wimbledon)
GRUPO D
INGLATERRA
Treinador: Les Reed
Estrela a seguir: James Milner (avançado, Leeds) e Michael Chopra (avançado, Newcastle)
COLÔMBIA
Treinador: Reinaldo Rueda
Estrela a seguir: Jaime Ruiz (médio, Cortulua)
EGIPTO
Treinador: Hassan Shehata
Estrela a seguir: Ekramy (guarda-redes, Al-Ahly)
JAPÃO
Treinador: Kiyoshi Okhuma
Estrela a seguir: Yutaro Abe (avançado, Yokohama F. Marinos)
GRUPO E
COSTA DO MARFIM
Treinador: Mama Ouattara
Estrela a seguir: Tony Koutouan (avançado, Lorient)
REP. DA IRLANDA
Treinador: Gerry Smith
Estrela a seguir: Jonathan Daly (avançado, Stockport)
MÉXICO
Treinador: Eduardo Rergis
Estrela a seguir: De Nigris (avançado, Tigres)
ARÁBIA SAUDITA
Treinador: Carlos Alberto Pachamé
Estrela a seguir: Al Mahyani (médio, Al Wahda)
GRUPO F
ALEMANHA
Treinador: Uli Stielike
Estrela a seguir: Piotr Trochowski (Médio, Bayern Munique)
COREIA
Treinador: Park Sung-Hwa
Estrela a seguir: Jung Jo-Gook (avançado, Anyang Chhetahs)
PARAGUAI
Treinador:
Estrela a seguir: Edgar Barreto (médio, Cerro Porteño)
EUA
Treinador:
Estrela a seguir: Freddy Adu (médio, Bethesda International)