MUNDIAL SUB-20 UAE 2003 / Apresentação: O FUTEBOL DO FUTURO

27 de Novembro de 2003
A MAIOR MONTRA DE JOVENS ESTRELAS DO FUTEBOL MUNDIAL

Apesar do clima de instabilidade política que ainda assola toda a região árabe, os Emiratos árabes Unidos irão ser, nas próximas semanas, um paraíso futebolístico para os caçadores de talentos. É a 14ª edição do Mundial Sub-20, um torneio cada vez mais adulterado pela ausência de muitas estrelas (Robinho, Tevéz, Ronney...) que, embora com idade júnior, já são propriedade do futebol profissional. Mesmo assim, observando as selecções presentes, podem-se descobrir muitos craques escondidos. Portanto, peguem num bloco de notas, apontem estes nome e sigam-nos nos próximos dias....
O argentino Tevéz, o inglês Rooney, e os brasileiros Robinho e Diego. Quatro estrelinhas entre os 18 e 20 anos que, se as leis da natureza ainda tivessem alguma importância no frio mundo actual, estariam, neste momento, a disputar o Mundial Sub-20. Dominado pela ânsia de descobrir grandes craques, quase desde o primeiro pontapé no berço, os agentes directivos do futebol actual como que adulteraram as regras do tempo e hoje, o que antes, aos 18/19 anos, seria ainda um promissor júnior ou um tímido miúdo na sua primeira época de sénior, é, já, em muitos casos, a grande figura da primeira equipa na qual se depositam as esperanças e a pressão de ganhar o próximo jogou ou, até, o próximo titulo. Neste contexto, os seus clubes, em nome do profissionalismo milionário no qual eles já se movem, recusam-nos ceder ás selecções jovens, privando-os de eventos que seriam únicos nas suas carreiras. Entre os grandes treinadores-formadores ainda presentes, destaca-se, após a retirada de Pekerman (três vezes campeão com a Argentina: 95, 97, 2001) um nome de referência: Juan Santiesteban, de cujas mãos saíram, nas últimas décadas, as maiores figuras do fútbol espanhol, de Guardiola a Raúl. Hoje, após vários anos nas categorias de base até aos Sub-19, é o líder da selecção Sub-20. Como novo símbolo da sua nova casta, emerge o novo motor veloz e de toque curto do Barcelona: Iniesta, um, digamos, Guardiola mais rápido, que com Van Gaal e Rjkaard já ganhou, muitas vezes, um lugar entre o primeira onze blaugrana. Entre as outras nações europeias, atenção ao playmaker da Eslováquia: Marian Kurty, um organizador de jogo com grande personalidade, capacidade de passe e fantástica visão de jogo. Na Inglaterra e na Alemanha, selecções com pouco tradição no futebol jovem, dois nomes: Milner, avançado do Ledes, na Inglaterra e, no onze germânico, o médio Trochowski, do Bayern Munique, que brilhou o ano passado no Europeu Sub-19 do qual foi finalista (derrota com a Espanha, 0-1). De entre os representantes asiáticos, especial curiosidade para ver como evolui a selecção sul-coreana a este nível, depois das proezas do onze principal, do qual muitos jogadores actuam hoje na Europa. Dez vezes campeão asiático Sub-20, os taeguk warriors, como são conhecidos, vivem do mesmo estilo veloz e vertical, atenuante da debilidade física inata dos seus jogadores.

Os mágicos do Brasil e Argentina

Os grandes favoritos continuam a ser, no entanto, o Brasil e a Argentina. Apesar das ausências de Diego e Robinho, o Brasil de Marcos Paquetá, o treinador que após vencer o mundial Sub-17 neste verão substituiu no cargo o popular Valinhos, conta com um grupo de belos jogadores. Na defesa, destaca-se o veloz lateral esquerdo Adriano, muito ofensivo, do Coritiba, e Daniel Alves, ala ou interior direito do Sevilha, que, com grande resistência física, faz toda a faixa a defender e a atacar. A meio campo, o motor é Dudu, do Vitória, inteligente a cobrir e a passar a bola, cabeça levantada e toques de filigrana. No ataque, quatro perigos á solta: Nilmar, que jogou pelo escrete principal na Gold Cup da CONCACAF, e Daniel Carvalho, a dupla atacante do Internacional que já joga junta desde há várias épocas conciliando velocidade com faro de golo, Dagoberto, avançado do At.Paranaense, muito oportuno, e Andrezinho, velocista criativo do Flamengo. Na Argentina, Hugo Tocalli, durante anos o fiel adjunto de Pekerman, conta com a mesma base que conquistou, em Março, a Copa Sul-Americana Sub-20, no Uruguai. Como principal destaque na defesa, emerge o categorizado central Gonzalo Rodriguez, já chamado por Bielsa á selecção principal. A meio campo, ao mesmo tempo a força criativa e o suporte atlético do onze, moram, para essa mescla, o incansável Zabaleta (S.Lorenzo), o capitão Colace,(Argentino Juniores), o artista Montillo (San Lorenzo), o driblador Carrusca (Estudiantes) e duas grandes promessas do River Plate, Ferreira, um esquerdino de grande classe que joga sobre a ala canhota, e Mascherano, um abre-caminhos da meia-cancha, lutador e com grande controle de bola. No ataque, o goleador chama-se El Torito Cavenaghi, também do River, Cangele, extremo esquerdo do Boca Juniores e, como grande revelação, Herrera, avançado do Rosário Central, um predestinado do golo.

A África negra e o fenómeno Adu

Embora muitas vezes envoltos na suspeita, lançada sobretudo pelos técnicos e analistas europeus, sobre a verdadeira idade de muitos dos seus precoces fenómenos futebolísticos, o futebol africano, sobretudo o da chamada África negra, tornou-se, pela superior mescla de condição atlética e capacidade técnica a um nível tão jovem, numa referência de qualidade a seguir neste torneios. Em 2003, sem a forte Nigéria, os talentos negros vêm do Mali, liderados pelas dinastia Coulibaly, Burkina Faso, lapidados desde 2001 pelo sábio treinador holandês Mart Nooij, e Costa do Marfim, onde mora Tony Koutouan, a jogar em França no Lorient, um diabo negro quase impossível de marcar. Da região norte, da África branca, surge o Egipto, campeão africano Sub-20, com estilo de jogo mais apoiado, de inspiração europeia. Provando, porém, a confusão em que hoje está afundado o mapa mundo, a grande estrela da actual África negra a jogar neste Mundial Sub-20, nascida no Gana, não irá alinhar com a sua selecção natural, mas com a adoptiva, os EUA, com a qual já brilhou no Mundial Sub-17. Trata-se, claro, do prodigioso médio ofensivo Freddy Adu, que, com apenas 14 anos, já assinou contratou profissional com a MSL. Alguns lunáticos analistas chamaram-lhe novo Pelé. Uma heresia futebolística muito comum nos tempos que correm. Adu é, de facto, um excelente jogador, mágico, tecnicista, rápido e inteligente, mas não é, como ninguém será, outro Pelé.

AS 24 SELECÇÕES

GRUPO A UAE Treinador: Jean François Jodar Estrela a seguir: Shehab Ahmed (médio, Al Ain) ESLOVÁQUIA Treinador: Peter Polak Estrela a seguir: Marian Kurty (médio, Ruzemberok) BURKINA FASO Treinador: Mart Nooij Estrela a seguir: Wilfried Sanou (avançado, Sion) e Boureima Ouattara (médio, ASF Bodo) PANAMA Treinador: Gary Stempel Estrela a seguir: Gabriel Gómez (médio, Envigado FC) GRUPO B ARGENTINA Treinador: Hugo Tocalli Estrela a seguir: Cavenaghi (River Plate, avançado) Gonzalo Rodriguez (defesa, San Lorenzo) MALI Treinador: Mamadou Coulibaly Estrela a seguir: Bakary Coulibaly (avançado, Djoliba At. Club) ESPANHA Treinador: Juan Santiesteban Estrela a seguir: Iniesta (médio, Barcelona) UZBEKISTÃO Treinador: Viktor Borisov Estrela a seguir: Ilyas Zeytulayev (médio, Juventus “Primavera”) GRUPO C BRASIL Treinador: Marcos Paquetá Estrela a seguir: Nilmar (avançado, Internacional) e Dudu (médio, Vitória) CANADÁ Treinador: Dale Mitchell Estrela a seguir: Wyn Belotte (avançado, Wisla Cracóvia) REP. CHECA Treinador: Pavel Vrba Estrela a seguir: Pavel Fort (avançado, Slávia de Praga) AUSTRÁLIA Treinador: Ange Postecoglou Estrela a seguir: Scott McDonald (avançado, Wimbledon) GRUPO D INGLATERRA Treinador: Les Reed Estrela a seguir: James Milner (avançado, Leeds) e Michael Chopra (avançado, Newcastle) COLÔMBIA Treinador: Reinaldo Rueda Estrela a seguir: Jaime Ruiz (médio, Cortulua) EGIPTO Treinador: Hassan Shehata Estrela a seguir: Ekramy (guarda-redes, Al-Ahly) JAPÃO Treinador: Kiyoshi Okhuma Estrela a seguir: Yutaro Abe (avançado, Yokohama F. Marinos) GRUPO E COSTA DO MARFIM Treinador: Mama Ouattara Estrela a seguir: Tony Koutouan (avançado, Lorient) REP. DA IRLANDA Treinador: Gerry Smith Estrela a seguir: Jonathan Daly (avançado, Stockport) MÉXICO Treinador: Eduardo Rergis Estrela a seguir: De Nigris (avançado, Tigres) ARÁBIA SAUDITA Treinador: Carlos Alberto Pachamé Estrela a seguir: Al Mahyani (médio, Al Wahda) GRUPO F ALEMANHA Treinador: Uli Stielike Estrela a seguir: Piotr Trochowski (Médio, Bayern Munique) COREIA Treinador: Park Sung-Hwa Estrela a seguir: Jung Jo-Gook (avançado, Anyang Chhetahs) PARAGUAI Treinador: Estrela a seguir: Edgar Barreto (médio, Cerro Porteño) EUA Treinador: Estrela a seguir: Freddy Adu (médio, Bethesda International)

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