1. O potencial de Orlando Sá
O futebol português ganhou, nos últimos tempos, uma novo ponta-de-lança para fazer sonhar: Orlando Sá, o miúdo forte do Braga. É dos tais casos em que basta vê-lo poucos minutos para logo se dizer que tem pinta de avançado-centro. Pela compleição física e pela forma como está no jogo, cabeça levantada a seguir e pedir a bola, sempre à espera que ela chegue na área. E quando isso acontece, ataca-a com decisão. E remata. Muito forte no jogo aéreo. Falta-lhe, porém, ainda muitas coisas. A certeza que tem talento é tão grande com a de que ainda não o sabe utilizar da melhor maneira. Por exemplo, sabe desmarcar-se, mas vai muitas vezes ao choque quando devia procurar o espaço vazio. Depois há o timing centro na altura do cruzamento para decidir se vai ao primeiro ou segundo poste, onde a bola entra. Fala-se que vai para o FC Porto. Jesualdo já disse que tem “avaliação técnica positiva”. Sem dúvida, falta-lhe lapidar a avaliação…táctica. A tal cultura de movimentos para usar melhor todo o seu enorme potencial. É a chamada táctica individual.
2. A especialização de Nuno Piloto
Os polivalentes, jogadores que fazem várias posições, são muito apreciados. Por qualquer treinador. Porque resolvem vários problemas, embora nunca façam verdadeiramente a diferença. Para isso, estão os especialistas. Ao lado deles, o polivalente, por mais injusto que seja, cai na vulgaridade. Por isso, uma das coisas que mais me custa ver é um especialista em potência virar um polivalente. É o que sinto ao ver Nuno Piloto na Académica. Já vagueou por várias posições, de lateral a todo o meio-campo. Mas, há uma posição onde marca a diferença. É a pivot-defensivo. Sem Pavlovic, recuperou essa posição no onze. Vendo-o contra o Belenenses, a forma personalizada como assume a bola, passa e move-se para a pedir novamente, dá equilíbrios aos defesas e chega-se à frente (até fez o golo) voltei a ter a mesma sensação. Este jogador dava um excelente especialista. Como pivot nº6, claro. E nem coloco agora o defensivo. Comete erros, naturalmente, mas a equipa parece logo melhor. Devia criar raízes na posição. E ganhar especialização táctica.

3. O “outro” Olberdam
Há jogadores cujas características são devoradas pelo carácter. Ou seja, têm tal entrega ao jogo que essa imagem lutadora como que submerge as outras qualidades do seu jogo. É o caso de Olberdam no Maritimo. Parece lutar mais do que joga, quando, na verdade, o seu futebol tem um traço muito mais pensado e de equilíbrio para a equipa do que o tal estilo guerreiro faz parecer. O facto de alinhar junto de um jogador iminentemente construtor pausado como Bruno (esse sim, duzendo que está em campo para jogar, no passe, e não para lutar) também ajuda a criar essa imagem. É, no entanto, uma imagem muito redutora do futebol de Olberdam. Porque embora seja o seu carácter que inspira a equipa num primeiro momento, no jogo ele é muito mais do que isso. Tem perfeito sentido posicional no espaço do nº6 (o seu lugar natural) e, à frente da defesa, dá critério à saída de bola. Uma garra mais cerebral do que a imagem transmite. Raparem bem e descubram o jogador, no corte e passe, que se esconde por trás da atitude. É o outro lado do futebol de Olberdam.