8. Notas 2008/09

23 de Setembro de 2008
1. O regresso do «camaleão»

2. Os «passos» do Paços Ferreira

3. Futebol: o «macro» e o «micro»

 

1. O regresso do «camaleão» 
 
Gosta de dizer que não é um treinador de sistemas. Eu penso que o que quer mais dizer é que não é um treinador de um sistema apenas. Em vez de mexer na dinâmica a partir das movimentações, Manuel Machado procura que esta alteração de dinâmica nasça da alteração da distribuição posicional. Isto vale tanto para o processo atacante como para o defensivo. O jogo do seu Nacional em Guimarães foi mais um exemplo desta filosofia. Começou num desenho perto do 4x4x2 losango, mas quando Cajuda lançou outro ponta-de-lança (Douglas ao lado de Roberto) Machado reagiu metendo mais um central, passando a jogar em 3x5x2 que fechava a «5» no momento defensivo, depois de, no inicio, apostar no recuo dos alas do losango (Edson e Luiz Alberto) para acompanhar na marcação as subidas dos laterais minhotos (Andrezinho e Luciano). Sempre que mexeu na equipa (no seu sistema) mexeu no jogo (no seu controlo). Depois de agir, reagiu. Duas formas de expressão que marcam o regresso à vida do jogo de sistemas de Manuel Machado, o camaleão táctico. 
 
 
2. Os «passos» do Paços Ferreira
 
Paulo Sérgio é o tipo de treinador que, quando fala, transmite uma sensação de tranquilidade. Em Paços de Ferreira, depois da veia mais lutadora de Zé Mota, trouxe também outra ideia de jogo. Adepto do 4x4x2, procura conquistar o direito a ganhar o jogo sobretudo no meio-campo. Contra o Benfica, mudou um pouco. Entre um 4x1x4x1 com ambições de virar 4x3x3 (com Edson e Tatu nas alas) tentou ganhar a zona de pressão no espaço de transição central do meio-campo. Só que este Benfica não sai a jogar apoiado. Procura sobretudo transições rápidas pelas faixas. Por isso, o Paços só conseguiu melhorar quando criou quase um jogo de espelhos com essa ideia benfiquista, embora num sistema diferente, com três centrais (quase um 3x5x2) saltando a pressão também com velocidade nas faixas. Já o tentara contra o Braga.
 
No fim dos jogos a ideia que fica é que a equipa ainda não entendeu o funcionamento destas diferentes formas de jogar. Há momentos em que perde as bases: o jogo posicional. E abre espaços fatais. Sem este ponto prévio, nenhum sistema é capaz de controlar um jogo.
 
 
3. Futebol: o «macro» e o «micro»   
 
Muito se falou da paragem prolongada do campeonato. Manuel Machado disse que fez 23 treinos para preparar apenas um jogo! Outros aceitaram porque precisavam de afinar processos. De treinar mais para jogar melhor. Mas estará esta ultima frase certa? Sim e não. Em vez de treinar mais, treinar melhor, mas há momentos da época em que é preciso combinar as duas coisas. Quando se está no inicio de transmissão de ideias e construção de um jogar. É o inicio de época. Noutra fase mais adiantada, cada jogo é quase como um treino.
Em síntese:
1. O assunto central do treino é o próprio jogo, isto é, a bola.
2. Aptidão físico-técnica e táctica; Três elementos diferentes mas que nos treinos e nos jogos interpenetram-se.
3. O jogo determina tudo. É o começo e o fim de um ciclo que se inicia no final de cada jogo e se inicia com o treino e conclui no jogo seguinte.
Adquirido este plano macro (filosofia de jogo e metodologia de treino) é preciso, depois, adaptá-lo á realidade micro (especificidades do momento, época e equipa). O treino é tudo. O jogo é o todo  

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