21. Notas 2008/09

23 de Dezembro de 2008
1.Os problemas dos “grandes”

2. Defender em «campo grande»

3. Posse curta, jogo largo

 

1. Os problemas dos “grandes”
 
Benfica, FC Porto e Sporting. Zero golos numa jornada estranha. Resultados iguais, causas diferentes para cíclicas depressões tácticas. O Benfica no processo de construção que ligue a equipa através dos vários sectores. Um problema com epicentro no corredor central, onde, com Ruben Amorim deslocado na direita, falta um transportador de jogo, lacuna disfarçada muitas vezes pela velocidade dos alas (Reys) a queimar linhas. O Sporting na falta de profundidade em organização ofensiva, forçando os avançados a abrir muito nessa fase para ter bola, fugindo assim da área. Um problema de faixas mas que nasce no centro onde o início de transição defesa-ataque é sempre lento e permite o adversário reorganizar-se. Em losango é indispensável ter um pivot-defensivo rápido (Moutinho). O FC Porto na dificuldade em lançar um 4x3x3 sem extremos puros nem laterais capaz de criar desequilíbrios de trás para a frente. Sem essas asas, choca muitas vezes, na organização ofensiva, com a zona de pressão central do adversário da qual só sai com a mobilidade dos avançados.
 
 
2. Defender em «campo grande»
 
É a melhor defesa do campeonato mesmo jogando com um meio-campo dominado por avançados disfarçados de médios. O Braga de Jesus, em 4x1x3x2, tem uma organização defensiva imperturbável mesmo quando parte o jogo a atacar. Melhorou a cultura defensiva do sector em transição defensiva e força muitas vezes o médio centro ofensivo a vir atrás pegar no jogo, mas o mais curioso é notar como a equipa defende bem mesmo mantendo sempre o campo grande, principio que vale antes para atacar bem. Ou seja, não necessita de, como mandam os livros, fazer campo pequeno (isto é, juntar mais as linhas) para defender bem. Penso que o segredo para isto suceder está na velocidade dos laterais (João Pereira e Edvaldo) a recuperar a posição defensiva após subirem ao ataque. Mesmo quando um perde alguns segundos nessa transição, o reequilíbrio é garantido pelo trinco. Foi Vandinho, pode ser agora Madrid, o regresso táctico da semana. Se o argentino resgatar a classe do seu jogo, o onze ganhará o relógio indispensável para melhor gerir todos esses ritmos e espaços.
 
 
3. Posse curta, jogo largo
 
É agradável ver uma equipa sentir-se mais confortável quando tem a bola do que quando a perde e fica só a pressionar. Dirão que devia ser sempre assim, mas não é. A ultima jornada provou-o bem. Ora vendo como o Rio Ave, mesmo perturbando o Braga, não queria ter bola e tinha medo de a assumir para controlar assim o jogo. Ora, ao invés, vendo como a Académica a tratava em Alvalade, trocando-a, em toque apoiado que ia dando largura à equipa e adormecendo o jogo. Era, no entanto, uma posse curta. Isto é, com dificuldade para, chegada á segunda zona de construção, mudar de velocidade e desequilibrar. Este já é, porém, um ponto que foge ao treinador e esbarra nos jogadores. A Académica estende-se em largura no campo todo mas quando tenta ataque organizado (isto é, mais posicional) perde a maior profundidade que consegue em contra-ataque com Lito e Sogou. Não é no entanto, um processo contra-natura para o onze. É o único capaz de lhe dar personalidade e, até, fazer alguns jogadores crescer, como explicava Miguel Pedro sempre que pegava na bola.

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