1. O meu reino por um «pivot»
Em Belém, primeiro teste do Braga no campeonato sem Vandinho. Mantendo a estrutura, entrou Filipe Oliveira. O jogo foi estranho, mas mesmo jogando com 10 durante 75 minutos, Domingos não retirou protagonismo ao seu pivot (o que aconteceria se reforça-se logo o espaço com outro jogador). Pelo contrário, tirou aquele que poderia ser o seu acompanhante defensivo natural (Hugo Viana) e meteu um avançado rápido para cair nos espaços vazios que surgiam face à natural subida da linha defensiva azul. E assim (com a velocidade de Matheus) matou o jogo. Mas, mesmo nesse momento, quando todo o banco festejava o golo, Domingos procurava pelo seu pivot e quando o viu logo lhe fez o sinal de quatro dedos com a mão, colocando outro dedo (que significava…Filipe Oliveira) bem perto como dizendo a forma que ele se devia posicionar para equilibrar a equipa naquele espaço.
Um pequeno (grande) pormenor que diz muito sobre a importância do pivot no equilíbrio de uma equipa no espaço mais táctico do jogo. E este Braga é, antes de tudo, uma boa equipa táctica.
2. A boa transição é «vertical»
O upgrade do meio-campo azul-e-branco ganhou outro novo jogador: Tomás Costa. Via-o só como um médio rápido, para esticar jogo, na ala ou mais por dentro. Não o via, por natureza, a pivot. Jogara nessa posição contra o At. Madrid mas como então tinha sobretudo missão de seguir os movimentos entre-linhas de Forlán, fugiu do seu jogo e jogou mais atrás do jogo do adversário. Agora (contra Sporting e Naval) ressurgiu nessa posição e jogou o…seu jogo. E bem. Mais do que a velocidade, essa sensação nasceu, porém, da tipologia de passe.
Ao contrário de Fernando, que tende mais a lateralizar jogo (em segurança) Tomás Costa assume a sua verticalização (em risco). Isto é, recebe a bola virado para o meio-campo adversário e mete um passe vertical de ruptura das linhas adversárias. Não é fácil fazer isto com a destreza que ele o faz. Fernando durou meio campeonato a fazê-lo a época passada. Tomás Costa entendeu-os como a coisa mais natural de um jogo que tem como base, nesse momento, a transição rápida. E uma boa transição rápida é, claro, vertical.
3. O elemento «estranho»
Um jogo inteiro pensado a partir duma trincheira: cinco defesas, mais um trinco (Djikiné), intensidade nas segundas bolas e um médio meio-metro mais solto (Neca) para a transição. Uma estratégia desenhada, no papel, para sofrer mas que, em campo, tinha um jogador para, quando via a bola perto de si, fugir a toda esta lógica e jogar…outro jogo. Dirão que era a segunda parte da estratégia. Talvez, mas penso que era mais o grito táctico de um grande jogador por entre uma ideia de jogo estruturalmente feita de zonas de pressão.
Esse elemento estranho era Hélder Barbosa. Quando a bola ia parar aos pés do extremo mentiroso (porque engana o adversário ao dizer que é apenas um ala), o jogo (e a equipa) ganhava outra cor. O princípio (estratégia defensiva) para o fazer não o foi melhor, mas furando nas brechas dessa ideia primária, o facto de jogar solto por toda a frente de ataque (quando normalmente joga mais fixo sobre uma ala) mostrou como o futebol de Hélder Barbosa tem uma dimensão muito superior àquela em as jaulas tácticas o querem meter.