1. O que é um jogador «levezinho»?
Falando do cansaço, Jesus disse que isso afecta sobretudo os jogadores mais levezinhos. A afirmação, engraçada, leva a uma boa questão: o que é um jogador levezinho? E, já agora, neste Benfica, quem é mais forte fisicamente: Javi Garcia ou Ramires? Seguindo a avaliação natural dos músculos, altura e peso, dir-se-ia Javi, mas é uma mera ilusão. Porque o jogo tem desafios tácticos fisicamente… mais profundos. E nesses, Ramires é muito mais rotativo. Ocupa mais campo, alternadamente, está em ambos os momentos de transição. Por isso, acho Ramires muito mais forte fisicamente do que…Javi Garcia.
Aimar não é o mesmo, na rotação avanços-recuos ao minuto 5 como ao 75 e, na voragem de estar sempre em jogo, tem dificuldade em se proteger (e precaver) disso. Uma inteligência que é indispensável Saviola (a correr demais nesses momentos) manter nesta fase. Ou seja, para perceber as perturbantes razões de hoje a equipa tanto aumentar como perder intensidade de jogo, a questão, no actual Benfica, é saber quais são os jogadores levezinhos…tacticamente!
2. O sofrimento…táctico
O Leixões empatou, heroicamente, com o FC Porto. Mostrou pouco em termos de dinâmica de jogo. Mostrou muito em termos de sofrimento. Para uma equipa que luta pela sobrevivência já não é pouco e até pode ser um bom começo para a salvação. Porque, especificando conceitos, entenda-se que falo aqui em sofrimento…táctico. Nesse plano por resgatar a equipa, Castro Santos (em 4x2x3x1) começou pela defesa, onde erros anteriores tinham perdido muitos jogos.
Viu-se na forma como, desde o inicio, pedia insistentemente calma à sua linha defensiva, procurando dizer-lhe como manter-se…alinhada. O facto de, na primeira parte, ela jogar do seu lado, mesmo à frente do seu banco, ajudou a essa tarefa (de comunicação). Um central (Nuno Silva) a defesa-direito e nos últimos 20 minutos mais outro central (Tucker) para fechar todas as portas na área, disseram muito desse plano. Não é, claro, o projecto futebolístico mais atractivo, mas, nesta altura da época, não me parece que a equipa tenha uma alternativa táctica mais válida para tentar fugir à descida.
3. Belém: Os «meios-sistemas»
Imagino a cabeça de Toni em Belém. Quer jogar no seu 4x3x3 e os jogadores (características) puxam-no para o 4x4x2. O onze inicial, sua estrutura híbrida e, depois, tentativas de trocas posicionais, revelam muita dessa hesitação. O ideal seria conseguir, no jogo, desdobrar-se nos dois sistemas mas isso não é fácil de fazer, muito mais entrando a meio da época. Os jogos com Braga e Benfica provaram-no. A equipa é macia a pressionar atrás no corredor central (Gavilan) pedindo um esforço excessivo às linhas mais adiantados na transição defensiva. Muito bem Mano, mas, nesta fase da carreira, só peço que o deixem especializar-se como lateral-direito!
A equipa está claramente vocacionada para 4x4x2, o sistema que é a cara de Lima, o seu melhor (desmarcações) avançado, mas, numa visão global, a ideia que fica é que joga em dois meio-sistemas. Isto é, quer desdobrar-se, mas posicionalmente fica sempre incompleta nessa tarefa. Precisa definir quem é o quarto médio ou, então, o terceiro avançado (isto é, o que recuará mais). Vida difícil para Toni.