1. A sub-dinâmica de Di Maria
Os equilíbrios consubstanciam-se através de distintas formas de posicionamento ou movimentação. Falando em padrões de jogo, existem, porém, posições com posicionamento mais fixo do que outras. É outra boa forma de ver o jogar do Benfica de Jesus. Que posições (para além do guarda-redes, claro) são, nesse prisma, mais fixas? Os centrais, o pivot (médio defensivo baixo) e um avançado. Quatro posições em 10. O resto equilibra-se conjuntamente em movimento. Mas isso não é o mais importante.
O fundamental é ver que esse comportamento dinâmico resulta de um posicionamento inicial que permite depois aos jogadores desenvolver/coordenar as suas diferentes variantes de inter-ligação no jogo. Ou seja, a estrutura potencia a dinâmica que respeita as características dos jogadores. Neste contexto, a especificidade do bom jogo de Di Maria resulta de uma sub-dinâmica que a estrutura (seu posicionamento e dos colegas em redor) lhe proporciona. A sua melhoria em relação à época passada neste ponto. Ele não melhorou tecnicamente. Ele melhorou tacticamente!
2. O «médio defensivo baixo»
Sem Javi Garcia, o Benfica nunca se desequilibrou na sua organização. Em vez de Ruben Amorim, Jesus, buscou outra âncora táctica e meteu Airton, clone táctico-estilistico do espanhol. Não se notou a diferença. A razão, para além da inteligência simples de Airton (encostando-se bem aos centrais sem perder de vista os médios mais subidos), dando peso táctico e físico aquele espaço de pressão-recuperação-construção, esteve num conceito mais global do jogar benfiquista. Nesse espaço, as transições são feitas em segurança (apoiadas e curtas). O jogo só acelera depois.
Jesus não potencia o factor-surpresa a partir dessa posição. Potencia antes o factor-equilíbrio. Por isso, é difícil chamar ao seu nº6 um pivot. Colocar-lhe o rótulo defensivo também seria redutor, face à chamada construção simples. A melhor definição (para Javi ou Airton) da posição 6 no jogar, seria um médio defensivo «baixo» (entendendo-se o termo baixo como referente à sua colocação em campo na relação com o bloco). Nunca se mete em pressão e sai sempre dela com serenidade.
3. Não leia este texto
Sinceramente, esta é a análise que mais me custa fazer neste campeonato: criticar a equipa do Olhanense. Porque tem a ideia mais atraente de todas que lutam pela permanência. Em 4x3x3, o que a pode fazer ganhar (ataque móvel, largo e profundo) é também aquilo que a pode fazer perder (defesa em inferioridade numérica, desequilibro posicional, espaços abertos). O problema é a sua eficácia (o termo de Jorge Costa em Braga) em muitos momentos do jogo. Sobretudo quando é necessário equilíbrio defensivo (transição e organização). Esteve tão perto de ganhar 0-2 como de perder 3-1.
Por isso, quando ganhava 0-1 (e jogava aberto) tive o pensamento mais sem sentido que alguma vez tive a ver um jogo: o melhor que podia acontecer ao Olhanense era agora ficar reduzida a 10 jogadores. É que, assim (como na primeira volta) o onze ia recuar e juntar mais as linhas. Face a um Braga tão nervoso, podia aguentar. Só que isso já não seria o Olhanense de Jorge Costa. Seria outra equipa. E, para a saúde do campeonato, é bom que seja a verdadeira a salvar-se.