Rubin Kazan: força Russa
É a nova força emergente do futebol russo. O Rubin Kazan. Um poder demonstrado na ultima jornada, em Moscovo, casa do Spartak. A dez jornadas do fim da Liga, as equipas estavam separadas por um ponto no topo da classificação.
Imperturbável, o onze do experiente treinador russo Kurban Berdiev que, desde há anos, vem, em surdina, congeminando esta equipa, dominou o jogo de principio ao fim. E ganhou, sem pestanejar: 3-0.
No plano táctico, estende-se num 4x4x2 (ver quadro ao lado) com grande profundidade de jogo. Não procura grande circulação de bola, pelo que quando a recupera atrás, procura logo verticalizações rápidas.
Com uma dupla de centrais (Sharonov-César Navas) forte e confortável com a bola no primeiro passe, tem, para isso, tem um duplo-pivot complementar que faz muito bem a transição defesa-ataque: Semak, experiente, controla e avança, com visão de jogo, tal como, a seu lado, o equatoriano Noboa, com boa leitura de jogo.
Nas alas, o flanco mais activo a atacar é o direito. Pelas subidas do lateral Kaleshin e pela permanente mobilidade do turco Karadeniz, veloz, serpenteado por zonas interiores em busca de espaço.
Na frente de ataque, a pequena sociedade entre Dominguez, argentino móvel que vem buscar jogo às faixas e surge na área, tecnicamente evoluído, entende na perfeição o jogo mais fixo do possante Bukharov, ponta-de-lança entre os centrais adversários.
Kacar: O «futebol-total»
A época vai começando a dar os primeiros sinais para perceber onde se pode encontrar o melhor futebol para ver. Em geral, para além das tácticas, eles está sempre fatalmente escondido nos melhores jogadores.
Pois bem, nesse caso, o melhor caminho que indicaria é Berlim e ver um jogo do Hertha. Não tanto pela equipa, até algo desequilibrada, mas por causa de um médio que está a jogar tanto que mete impressão: o sérvio Gojko Kacar, craque de Vojvodina.
Não quis ser defesa nem trinco como o inicio de carreira parecia lhe destinar a vida. Ele quer jogar no campo todo. Um desejo que faz hoje dele, com apenas 22 anos, um dos melhores médios a jogar nos quatro momentos do jogo com igual categoria táctica e técnica. Recupera bola, faz as transições (defensiva e ofensiva) e surge a atacar, com grande sentido de baliza. Por isso, resistente e amigo da bola, não é um mero operário. Também mete imaginação no jogo.
Claramente, um jogador para entrar nas melhores famílias futebolísticas (leia-se gigantes) do futebol europeu.