NOTAS 2009/10 (J.2)

5 de Setembro de 2009
1. A «táctica individual»
2. Fechar espaços ou jogadores?
3. Seguindo o «líder»


 

 
1.    A «táctica individual»
 
Duas jornadas e chovem criticas ao futebol praticado. Principais alvos: os treinadores e o «futebol defensivo». É um critica vazia. Tal como o rótulo «futebol de ataque». Porque o jogo que é, por natureza, inquebrantável. Mas os jogos estão, de facto, fracos. E há, claramente, um problema táctico, mas não de natureza colectiva. Porque neste ponto as equipas raramente se desequilibram. Sabem posicionar-se. Trabalho do treinador, sobretudo. O problema está, depois, na forma como os jogadores resolvem os lances. Não é só o deficit técnico (passe e recepção).
 
É, sobretudo, uma questão de táctica…individual. Ou seja, depois de ter a bola, o jogador tomar a decisão certa (passar, segurar, avançar) sobre o que fazer com ela. Processo simultâneo a quem, sem bola, move-se a seu lado para lhe dar soluções. É raro ver uma boa recepção orientada. Só assim existe bom futebol. A defender ou a atacar. É este o grande problema do nosso futebol. As enormes limitações dos jogadores a ler o jogo em cada lance que entram. A cultura táctica individual.
 
 
2.    Fechar espaços ou jogadores?
 
Quando entram em campo, as equipas pensam o jogo de diversas formas, mas um factor que trespassa qualquer estratégia é o medo terrível que têm de ficar em inferioridade numérica a defender. É uma questão táctica, claro, mas também mental. Muito desse «estado de alma táctico» nasce de um pré-conceito de jogo que emerge sobretudo contra os «grandes»: Em vez de fechar espaços à bola, fechar espaços a jogadores. Não se trata de marcações individuais em vez da zona. Trata-se de não distinguir os melhores espaços de pressão para recuperar a bola e lançar o contra-ataque.
 
Pensei nisso ao ver o Nacional jogar no Dragão. Já sentira o mesmo contra o Sporting. Sentido posicional imperturbável na linha defensiva mas, na primeira linha do meio-campo, não se detectava capacidade para interceptar linhas de passe. Dá vantagem espacial ao adversário para que se aproxime da sua baliza. Sem isso, não consegue temporizar depois a saída de bola. Tenta-a fazer sempre individualmente em velocidade (Salino) mas raramente entra depois pelas zonas mais favoráveis.
 
 
3.     Seguindo o «líder»
 
Dois jogos, duas vitórias. O crescimento do Braga partiu da maior consistência defensiva adquirida. Linha recuada mais compacta (regresso de Moisés) e melhor distribuição do meio-campo (equilíbrio de Hugo Viana). Mesmo retirando um avançado, consegue atacar melhor, porque já não se desequilibra tanto quando perde a bola. Isso dá outra confiança aos jogadores com a bola, como Alan, mais solto, e suporta melhor um jogador como Mossoró, elemento fundamental no centro da segunda linha, mas com muitas lacunas de recuperação.
 
Não se expõe tanto ao erro táctico e, por isso, em Alvalade, a ganhar, receou lançar mais o contra-ataque nos espaços vazios e entrou F. Alexandre para reforçar marcações, em vez de Mattheus para soltar-se nos espaços. Tal opção não é uma questão de futebol «calculista» (ou defensivo). É uma questão de sensibilidade táctica em face do nível em que o processo de construção do «jogar» da equipa se encontra. Independentemente do sistema, o fundamental é ter o corredor central sempre com as ligações entre-linhas controladas.
 
 
 
 

 

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