Notas 2010/11 (2)

21 de Agosto de 2010 15:21
1. O jogo ou o resultado 2. Quatro equipas, oito alas 3. Observando o Nacional

 

1. O jogo ou o resultado
 
A Naval de Zvunka revelou, contra o FC Porto, excelente organização posicional durante todo o jogo. Mas, apesar dessa boa ocupação de espaços, a sua colocação (táctica e mental) revelou, com o passar do tempo, uma transformação que afecta muitas das ditas equipas mais pequenas frente aos grandes.
Se durante a primeira parte, a Naval tentou controlar o jogo (com dois médios, Godemeche e Alex Hauw, que já são, na Figueira, autênticas instituições de pressão, alta ou baixa), na segunda parte, a Naval passou apenas a tentar controlar o…resultado. Isto é, viu o 0-0 no marcador, olhou para o relógio, o tempo a passar, e sentou-se tacticamente em cima deles. Mais do que olhar para o controlo do jogo olhou para os ponteiros do relógio, até perder o controlo do…jogo. Deixou o FC Porto crescer, ganhar espaços (o problema da equipa no processo de construção atacante está hoje sobretudo na capacidade de aumento de ritmo) mudar para 4x4x2 sem ter uma resposta táctica imediata, até, no fim, perder, também, o controlo do…relógio (e do resultado, claro).
 
 
2. Quatro equipas, oito alas 
 
Convém não exagerar mas existe a substituição perfeita? Quando ao minuto 92, Jorge Costa meteu Júnior Paraíba, apenas tinha a intenção de queimar tempo. O jogador, porém, excedeu a ideia. Pegou na bola ainda junto à sua área e arrancou com ela, transição e contra-ataque individual, até a entregar a Laionel. Depois, «só» faltavam mais 30 metros. Formalidade que Laionel ultrapassou com um longo e preciso chapéu em arco que fez o fabuloso golo do 1-2.
Jorge Costa montou a sua Académica fiel à sua estrutura preferencial, o 4x3x3. Interessante, aliás, verificar, como contra os quatro candidatos ao título, todas as equipas mais pequenas se estenderam em 4x3x3 (Naval, Paços, Académica e Portimonense) e com avançados rápidos a dar largura e profundidade de jogo nas faixas: Palembe e Ivanildo, no Portimonense. Sougou e Diogo Valente, na Académica. Marinho e João Pedro, na Naval; Caetano e Manuel José, no Paços; Quatro equipas, oito interessantes alas (chamem-lhe mesmo extremos a alguns). Foi, para mim, a nota mais cativante desta primeira jornada.
 
 
3. Observando o Nacional
 
Vejo o Nacional em Vila do Conde (bem o 4x3x3 do Rio Ave, mais rápido e criativo) e, quase sempre dominado, Jokanovic vai mexendo na equipa até encontrar a melhor forma dela se expressar (e libertar) tacticamente. De início, quis montar um 4x4x2 losango, mas, na prática, ele acabou partido num triângulo, tal o sono com que jogou o seu médio centro (Thiago Gentil) no vértice mais ofensivo. O triângulo, era o pivot Luiz Alberto, e os interiores Bruno Amaro e Mihelic.
No início da segunda parte, quase um 4x3x3, com Thiago Gentil mais na direita, Diogo na esquerda e Orlando Sá no meio, mas a bola não chegava à frente. Só pegaria no jogo a meio-campo, quando retirou o enganche adormecido, Thiago Gentil, e, refazendo o 4x4x2 losango, recuou Diogo para vértice ofensivo, nas costas de dois avançados Orlando Sá e João Aurélio. E, de repente, vi que afinal Diogo até era rápido e sabe jogar. Não terá sido por tudo isto que ganhou o jogo, mas pode ser por tudo isto que Jokanovic pode ter percebido como melhor construir a equipa no futuro.

 

 

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