Notas 2010/11 (28)

1. Sporting: novo conceito

Em Alvalade, continua a existir uma equipa que joga todas as semanas. Para além do controlo de danos que será prioridade da gestão de balneário, Couceiro quis também deixar uma marca como treinador no plano do jogo e jogadores ao dispor. O jogo com o Beira-Mar é um bom meio de debater o que podia ser (ou ter sido) esta equipa (ou alguns jogadores) com outra ideia. Não tanto pelo sistema (4x3x3), mas pela opção por um único pivot (André Santos), colocando nos vértices ofensivos do triangulo do meio-campo Matías Fernandez (meia-direita) e Valdez (meia-esquerda). Claro que faltam rotinas para jogar assim, mas esta opção (sobretudo Matias que assim descobriu um lugar entre a ala, onde não pode jogar, e o nº10 onde fica sem apoios) deu uma luz táctica (em termos de filosofia com bola) diferente da que um trio de contenção puro saído de Pedro Mendes-Maniche-A.Santos-Zapater deu em tantos jogos.

Ou seja, neste momento, já nem é tanto avaliar como se joga (não há tempo para criar novos princípios), mas como se quer jogar (e avaliar conceitos).

2. Mossoró: estratégia forçada

Notas 2010 11 28Existem dois grandes factores que levam o treinador a mexer na equipa: as ideias e as circunstâncias. Esta época, a dinâmica defesa-ataque do Braga tem ficado aprisionada num duplo-pivot de clones (entre Vandinho, Viana, Custódio, Madrid, Vinicius, escolham dois). Contra o Benfica, foram Custódio-Viana (como na Naval). A ideia, portanto, é esta. Transição lenta, em passe largo preferencial de Viana. Mas o jogo tem vida própria. As lesões de Custódio e depois de Vinicius (que entrara para o seu lugar) abriu, mais a expulsão de Javi Garcia, outras circunstâncias no jogo. E foi por força delas que entrou Mossoró, símbolo de outra ideia de jogo. Embora parecendo às vezes demasiado dócil tacticamente, é um jogador raro no nosso campeonato pelo repentismo de acção ofensiva/imaginativa entre-linhas. Com ele, numa estrutura diferente, o jogo bracarense com bola redimensionou-se perto da área encarnada.

O golo foi a expressão máxima. E Domingos ganhou quando as circunstâncias foram mais fortes do que as ideias. O futebol é mesmo um jogo de ironias.

3. Rio Ave: o que mudou?

Notas 2010 11 281De repente, quatro jogos, quatro vitórias, e o Rio Ave saiu do precipício da descida para respirar tranquilo. Mas, o que mudou no onze de Carlos Brito para esta súbita transformação? Pouca coisa, mas mesmo tratando-se só duma afinação posicional, foi (mantendo o 4x3x3) fundamental para mexer com a equipa. O factor de mudança foi a entrada de um médio com mais chegada ao ataque: Braga. Primeiro na sua colocação de origem atrás dos avançados, de perfil com os extremos e não com o médio de transição que joga à frente do trinco (como acontecia quando jogavam, por exemplo, Tarantini-Wires). Depois, porque, de todos os médios ao dispor, é o que tem mais remate.

Podem até dizer que ele nem fez exibições brilhantes nestes jogos, mas bastou a sua colocação e ideia que traz para o jogo, para mudar a distribuição e dinâmica posicional nesses espaços e em seu redor. Obriga a ter durante mais tempo o segundo médio mais recuado, mas os outros jogadores, médios e alas, passaram a ter outras referências de movimentação e visão/ocupação dos espaços.

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