1. Primeiro impacto
Toscano entrou na equipa do Vitória e mexeu com as dinâmicas ofensivas. Primeiro na posição de médio, depois a avançado. Nos jogos anteriores, o onze revelara dificuldade em ligar as linhas do meio-campo perto da área. Toscano, não é, por definição, um jogador que junte linhas, mas os movimentos sincronizados com outro jogador, em trocas posicionais, permitiu isso. Na essência, ele é avançado. Não organiza, rompe. Pelo que enquanto jogou no meio-campo (vértice ofensivo do 4x4x2), quando os outros médios pegavam na bola, ele, em vez de pedi-la na segunda linha, buscava desmarcações e metia-se entre os avançados. Era então o recuo de Maranhão que dava lógica a esse movimento.
Depois, passou para avançado (saiu Maranhão) e foi João Ribeiro, numa inovação posicional para si a surgir, repentista, numa posição interior (antes era ala) nas suas costas, entrando com a bola nos espaços vazios entre-linhas. Uma segunda combinação (J. Ribeiro-Toscano) que mostra bem como o rendimento de um jogador depende muito de se posicionamento dos outros a seu lado.
2. Instruções para ver Moutinho
Vejo o Rio Ave vs FC Porto e fixo olhar em Moutinho. Num meio-campo «3», parte entre Fernando e Beluschi. O jogo começa, ataque-defesa-ataque-transições e ele surge em todos os momentos. Ao ponto de a equipa ganhar a bola e ele arrancar logo. Sobe e chega à frente ao mesmo tempo ou antes de Belluschi (que já lá estava) surgindo em apoio e passe. A equipa perde a bola e ele imediatamente recua.
Quando a bola chega junto da área do FC Porto, já lá está, perto de Fernando, ou, se o jogo o obrigar, travando antes, a cobrir onde a bola vai entrar. Noutras vezes, vendo como Fernando avança, ele fica e faz a cobertura, mantendo o equilíbrio táctico. Um jogo completo, motorizado. Leio depois que esteve discreto e só se destacou num remate. Fico intrigado. Gostava, claro, de o ver fazer mais coisas. Organizar com a bola. Mas Moutinho não é esse jogador egocêntrico. É o protótipo da solidariedade táctica em campo.
No próximo jogo, pois, levem este manual de instruções para seguir Moutinho. Depois, voltem a fazer a análise ao seu jogo. É só uma sugestão.

3. O alinhamento dos alas
Diferentes sistemas (4x3x3 ou 4x2x3x1) a mesma necessidade táctica: a acção defensiva (primeiro, transição, depois, organização) dos extremos. FC Porto e Sp.Braga, com Hulk-Varela e Alan-Paulo César são dois exemplos. Com princípios diferentes, eles têm de recuar quando a equipa perde a bola em zonas adiantadas e o adversário sai a jogar. Nessa missão, a obrigação é, primeiro, de posicionamento (recuar até se alinharem com o(s) médio(s) da segunda linha que também recuaram) e, depois, de pressão, apoiando na recuperação ou juntando ao lateral.
Nessa tarefa, o Braga está muito mais evoluído. A característica dos jogadores também suporta mais essa missão. No FC Porto, em Vila do Conde, foi curioso notar que esse alinhamento de recuo defensivo de Varela e Hulk começou bem, mas foi perdendo velocidade e precisão com o tempo. A meio da primeira parte já só acontecia quando o jogo abrandava (ou parava) o que dava tempo para eles chegarem à posição. É um ponto onde o onze precisa aumentar a sua capacidade de pressão para, depois, jogar melhor.