Notas 2010/11 (31)

6 de Abril de 2011 08:05
1. Posse = provocação com bola 2. Benfica: a "posse rápida" 3. O momento decisivo

 

 
1. Posse = provocação com bola
 
A transição ofensiva é mais rica (versátil) porque está mais ligada à criatividade dos jogadores do que a defensiva (mais ligada à disciplina táctica). No FC Porto, falar em circulação de bola é falar num meio (organizado) para chegar à baliza adversária. O mais natural é pensar numa circulação horizontal (variando flanco). Existem, porém, momentos em que essa circulação passa ser vertical, para fazer o passe entrar no avançado (Belluschi em Falcao ou na diagonal do ala) só depois surgindo os médios. Temos logo aqui duas formas de circulação (ou de finalizar a circulação).
O essencial é fazer da posse de bola uma...provocação para o adversário. Tirá-lo das posições (marcações), atraí-lo pela bola e depois aproveitar o espaço nas costas que ficou vazio. O desafio é faze-lo mesmo em espaço reduzido. Tal só se consegue pela qualidade do passe. Ou seja, a velocidade de passe antes da velocidade do jogador que faz o passe. Dar, assim, uma amplitude de jogo superior na posse e nas transições (sejam estas para buscar segurança ou profundidade)
 
 
 

2.      Benfica: a "posse rápida"
 
Ao contrário do FC Porto, o Benfica não privilegia a posse pausada em construção. Quando pega na bola, imprime logo velocidade de construção ofensiva (menor numero de passes/maior velocidade de pernas). Isso leva a que o momento de organização ofensiva se esgote mais rapidamente. Em vez de o prolongar pela posse, devora-o pela voragem da construção veloz. Para o bem ou para o mal. Perde a bola, recua também rapidamente, recupera-a e volta a tentar chegar à área adversária em 4/5 passes (o FC Porto pode dar 10/12 para percorrer igual espaço).

 

Ou seja, ao contrário de Villas Boas, o estilo-Jesus leva a equipa a passar a maior parte de tempo do jogo na vertigem das transições (defensivas e, sobretudo, ofensivas), momentos (alternados) mais constantes num jogo do Benfica do que no FC Porto (no qual predominam os de organização). Não só por ser uma equipa estruturalmente mais lenta nos seus processos do que o Benfica, mais veloz, mas sobretudo, pelas diferentes filosofias de jogo adoptadas. Equipa de transição? Diria mais de posse rápida.
 

 


 
3.    O momento decisivo
 
Com o campeonato resolvido, surge sempre a pergunta de qual o momento decisivo da época. Já vi que é inglório tentar fazer perceber que decisivo é definir, desde o início e manter durante a época, o correcto processo de construção/solidificação do nosso modelo de jogo (seus princípios, encaixe das características dos jogadores neles e definição das estruturas/sistemas, preferencial e variantes). O tal momento decisivo (que se quer ligar a um ou outro jogo) só é possível como consequência desses jogar bem construído.
Por isso penso que o momento decisivo deste campeonato foi a pré-época do Benfica e a forma desequilibrada (táctica e emocionalmente) como o seu jogar entrou no campeonato. A contrário senso, a ideia/processo de construção do FC Porto. Apesar da imagem de velocidade ofensiva, as equipas de Jesus sempre tiveram como grande primado a superior cultura de organização defensiva. Olhando as últimas épocas, esta será aquela em que se nota ser mais fácil criar oportunidades de golo a uma equipa sua. Vou buscar essa razão à origem.

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