1. O que mudou em Guarín?
Um jogador é, essencialmente, o que pedem dele. Mora neste ponto a resposta à questão como é possível este jogador ter mudado tanto esta época? que, todo o ano, rodeou Guarín no FC Porto. Mas o jogador não mudou. Nem sequer mudou a posição onde joga, nem o sistema. Mudou o que o treinador lhe pede. É o que basta. Porque é o mais importante. A época passada pediam-lhe para pressionar, dar dimensão física ao jogo, ganhar bolas divididas e ficar posicional, recuado, no 3 do meio-campo. Os adeptos viam o seu nome e imaginavam o treinador com receio.
Esta época, Guarín entra, e vê-se logo que lhe pediram para mais do que pressionar, sair com a bola, usar a potência física para queimar-linhas, conduzir jogo, e surgir no processo ofensivo, junto à área a rematar. E hoje, quando os adeptos, antes do jogo, vêm que ele está no onze inicial, imaginam que o treinador está a pensar chegar ao ataque com maior potência física e remate. As exibições e golos do novo Guarín versão 2011 confirmam esta teoria da evolução das espécies (posições) tácticas.
2. 45 minutos de momentos decisivos
Edgar falha o penálti (dava 4-3) e a seguir o FC Porto marca (5-2). A tentação óbvia é dizer que foi o momento decisivo da Final da Taça. Tenho, porém, muita dificuldade em dividir assim os jogos em jogadas. Momento decisivo da Final da Taça? O(s) momento(s) de organização e transição defensiva do Guimarães, uma sucessão de erros durante 45 minutos (não cobrindo espaços ou perdendo noção de reposicionamento após perda da bola). Machado manteve o seu 4x2x3x1, mas como marcações ao homem ou promovendo jogos de pares o duplo-pivot defensivo Cleber-Renan foi arrastado constantemente pela movimentação do meio-campo portista enquanto os laterais não resistiam a seguir as pegadas das diagonais dos alas azuis-e-brancos. Sem apoio defensivo do…ataque, a equipa partia-se em duas com uma facilidade impressionante, abrindo excessivos espaços entre-linhas.
Tudo isto sucedeu antes do penálti falhado por Edgar. Falar em jogada decisiva, implica que não se cometeram erros tácticos globais importantes. O Vitória esteve longe de cumprir essa premissa.
3. Feirense: marcas da subida
Os dois golos, no jogo da subida, confirmam a importância dos defesas-centrais (poder físico a defender e a atacar nas bolas paradas) da maior dimensão física dominante no jogo da II Liga. Henrique foi o herói do Feirense rumo à I Liga. No global, fica a ideia de uma equipa tacticamente coerente. Mesmo quando hesitou entre sistemas, entre o 4x2x3x1 ou estruturas com dois avançados mais puros, manteve sempre a intenção de fazer uma zona de pressão no centro do meio-campo (decisivo Siaka Bamba) e largura nas alas (bons movimentos de Gonçalo Abreu) embora, muitas vezes, sem dar grande profundidade.
A referência, por vezes demasiado fixa, do nº9 clássico, Roberto, foi bem equilibrada pelas movimentações permanentes do esquivo Diogo Cunha, ou pelas aproximações, mantendo distância de mobilidade, de Carlos Fonseca, embora, pessoalmente, o jogador que goste mais de ver seja André Fontes. Por isso, no fim, fica a ideia que os jogadores queriam mesmo jogar sempre em 4x4x2. A primeira ilusão táctica de meter sempre dois homens bem perto da área.