Notas 2010/11 Selecção A (2)

30 de Março de 2011 20:32
1. A Selecção nos flancos 2. Bebé não é um extremo 3. Vendo a Selecção Sub-21

 

1.   A Selecção nos flancos
 
A matriz do 4x3x3 da selecção de Paulo Bento segue a linha ideológica de Portugal nos últimos tempos, no qual a aparição de extremos (natural ou forçada) é uma tendência cada vez maior. Nenhuma outra selecção tem hoje esse dom tão acentuado. Falta-nos só o canhoto. O importante, porém, é que esses extremos, no jogo, não vivam muito tempo (como é habitual nos extremos) à margem da mecanização táctica da equipa e seus princípios de jogo.
A ideia que me fica é que para um treinador é mais fácil (e produtivo) treinar todos os outros jogadores quando não está Cristiano Ronaldo que, pelo seu valor e dimensão superior, devora por si só qualquer princípio (no jogo e no treino). Por isso, estes dois jogos (sem Ronaldo) até foram mais positivos. Essa noção colectiva está garantida com Varela e Nani. Varela está cada vez mais jogador. Nani quer fazer cada vez mais coisas no jogo. Quaresma é diferente. Está mais autista tacticamente, outra vez. Desde que saiu do Porto, foi sempre a descer. Vê-lo a jogar na Turquia é um atentado ao bom futebol.    
 
 
 
 
2.   Bebé não é um extremo
 
Sempre que pega na bola, esperam-se jogadas fantásticas. A fantasia em torno de Bebé (o jogador que mais do que pelo que joga, foi contratado mais pelo que se imagina que podia jogar) tem esse permanente efeito hipnotizador. Já disse que o acho um jogador interessante. Não o acho um fenómeno. E, afinando análise para o jogo e posição em que joga quase sempre, também não o vejo como um extremo. O 4x4x3 da selecção sub-21 encaixa-o naturalmente nesse lugar. Essa ilusão nasce por ser rápido e quando recebe a bola na sua frente ir embora com facilidade deixando o defesa para trás metendo depois muito bem, na passada, a bola na área.
Penso, porém, que esse raio de acção é limitado para o seu jogo. Vejo-o a jogar mais solto na frente de ataque. Atrás do ponta-de-lança, por exemplo (na pré-época em Guimarães, 4x4x2, chegou a surgir ai) ou com maior liberdade para lá surgir, num 4x3x3 assimétrico que não o amarre tanto numa faixa. Mover-se-ia em espaços maiores, buscando o melhor local de explosão, e soltava melhor o seu jogo (e cabeça).    
 
 
 
 
3.   Vendo a Selecção Sub-21  
 
Segui os primeiros três jogos da nova selecção Sub-21 e não há duvida: Rui Jorge tem ali muito trabalho para fazer. O primeiro objectivo é perceber o que cada jogador pode dar (valor e jogo). Só a seguir irá criar rotinas. Não é fácil dizer um onze-base depois do que se viu. Faltam referências de qualidade nesta geração de 90, da qual só David Simão (o sonolento médio esquerdo que quando acordado joga muito bem) alinha habitualmente na I Divisão.
Cruzando os três jogos, fixaria o onze-base do 4x3x3 com A.Lopez na baliza, João Faria-João Pereira como centrais (embora Vitor Bastos pareça o melhor no jogo aéreo, facto muito importante) e Ivo Pinto-Ruben nas laterais. No meio-campo, Diogo Amado, André Martins e Ricardo Martins (Josué seria outra opção). Na frente, João Silva, ponta de lança, Diogo Viana-Bebé (ou Wilson) nas alas.
 
Acredito que neste grupo irão entrar alguns jogadores agora nos Sub-20 a preparar o Mundial. Nelson Oliveira, Cédric, Roderick, Julio Alves ou Ruben Brígido, todos serão um upgrade de qualidade ao programa-Rui Jorge.

 

 

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