1. Ser mais “coisas” no jogo
Há jogadores que nos causam boa impressão, mas, sem saber muito bem o quê, sentimos que lhes falta alguma coisa. Penso nisso vendo Éder durante o Leixões-Académica. Gosto (aprendi a gostar…) do estilo do ponta-de-lança dos estudantes. Tem pinta, segura bem a bola, forte e com técnica. O que falta? Rematar mais. Não é, dirão, um pormenor, pois falamos de um ponta-de-lança, mas a forma como muitos nº9 crescem no nosso futebol, muitas vezes mais obrigados a jogar com os médios ou segundos avançados que entram de trás, quase os fazem sentir em campo mais confortáveis a jogar de costas para a baliza. Éder pode ter as duas coisas, como o seu belo golo confirmou.
Nenhum jogador é tacticamente um ser imutável. Adrián também pode dizer isso. Surgiu como médio-defensivo mas os últimos jogos mostram que pode ser construtivamente mais coisas no jogo. Nunca será um criativo ofensivo como o 4x3x3 cada vez mais 4x2x3x1 de Pedro Emanuel lhe pede, mas na capacidade de saber dar dois passos à frente no terreno, estará muito do seu crescimento como jogador.
2. A “postura” e a “cabeça”
Os adeptos gostam, muito de ver os sprints de Capel quando arranca pelo seu flanco esquerdo, cabeça pregada na relva a olhar para a bola, e, no fim, um centro para a área (o que é diferente de um centro para…o jogador que está na área). Empolga pela garra, perturba pela dificuldade em definir o lance com outra clareza. Já foi engraçado ver uma vez Domingos no banco, fazendo-lhe um gesto discreto, com a sua mão a erguer o queixo, para ele levantar mais a cabeça. Não acredito que isso vai mudar. O estilo de Capel é, para ele, já uma forma de vida.
Por isso, gosto mais de olhar para o outro flanco, quando joga Carillo. Basta ver como encara o adversário com peito feito, bola controlada e…cabeça bem no ar. É um «agitador táctico nato». Em processo de maturação de talento, parece ideal para entrar durante os jogos. E agitar. Em breve, estará moldado para jogar de inicio e, para além de agitar, meter mais «cabeça» na ordem colectiva através de cada truculenta jogada…individual que faça pelo flanco, imagem de marca do 4x3x3 com extremos puros.
3. Organização: a chave
É comum ouvir-se que decisivo é ter bons jogadores. Que pode-se falar muito da organização táctica que, sem grande qualidade técnica, nada é possível. Não faz sentido. Porque esses tais bons jogadores são cada vez mais raros nas equipas pequenas ou médias. Portanto, se estas não tiverem então organização, o que lhe resta? Nada, claro. Uma forma de perceber isto foi ver o Belenenses em Alvalade. A equipa (seus jogadores) tem limitações enormes. Zé Mota sabe disso. E a cada jogada que acabava mal, explicava aos suplentes o que se deveria ter feito.
Claro que foi uma estratégia com duas linhas de quatro atrás da linha da bola (defesas e pivots Koukou-Vitor Alves fixos, Miguel Rosa-Camara alas e o nº9 Rodrigo mais Sidnei, terceiro médio, a recuarem) cobrindo espaços de penetração em largura, com vigilâncias individuais. Depois, tentar contra-atacar. Por falta de qualidade individual não consegui marcar e entrar mais no jogo. Por qualidade de organização táctica, consegui-o discuti-lo e perturbar o Sporting. O que é, afinal, mais importante?