NOTAS 2011/12 (28)

10 de Fevereiro de 2012 10:10
1. Prazer do sofrimento; 2. Personalidade e recuperação; 3. Janko, "páginas amarelas".
1. O prazer do sofrimento
 
Esta é uma página de futebol, mas a frase que me inspira vem de outra existência, o Ténis. Disse-a, na Austrália, Novak Djokovic, após bater Nadal numa Final que durou quase seis horas! “Nunca senti nada igual. Doí-nos tudo. Tudo é excessivo e, no entanto, desfrutamos desse sentimento”. O desafio aos limites físicos que qualquer desporto proporciona é impressionante por si só.
A frase de Djokovic impressiona-me mais porque quando se pretende traduzir essa infinita dedicação física, o mais comum é falar em espírito de sacrifício e trabalho. Djokovic explica que não é assim. Em primeiro lugar porque nenhuma destas palavras nos aproxima da felicidade. Em segundo, porque nenhuma delas garante o êxito. E, por fim, porque a fonte do sucesso está no desfrutar do sentimento que ele refere. Prazer em jogar.
No futebol, o adepto aplaude mais o esforço supérfluo (correr atrás da bola que vai sair) do que o talento inglório (uma finta falhada). No Ténis é diferente. Aplaude-se o desfrutar do sofrimento excessivo, com talento. Durante seis horas.    
 
 
2.   Personalidade, recuperação
 
Existem vários factores que revelam uma boa equipa. Destaco dois: Personalidade e recuperação de bola. O actual Braga tem essas duas coisas. Na forma como entra em campo. Na forma como reage à perda da bola, não a deixando ficar muito tempo no adversário.
Neste ponto, a única coisa que intriga é baixar demasiado a intensidade (e bloco) com o resultado favorável. Vejo a equipa mais personalizada e a recuperar bolas rapidamente quando está atrás do resultado. Dirão que são questões de necessidade e gestão de diferentes ritmos do jogo. Será, mas não me parece que isso faça bem à saúde futebolística da equipa.
Ganhou essa consistência desde o meio-campo. Hugo Viana atrás como relógio e um médio ofensivo que sabe dar velocidade com bola desde trás quando recua, Mossoró, cuja titularidade na segunda linha do meio-campo foi o ponto de inversão táctico do onze após um inicio hesitante entre este sistema e outro com dois avançados, um deles a recuar. Quando passou a ter o médio puro a entrar de trás ganhou logo outro balanço com/sem bola. Personalidade e recuperação
 
 
3.   Janko: “páginas marelas”
 
Por fim, o FC Porto contratou um nº9: Janko. É um ponta-de-lança de processos e análise simples. Não me parece que desgaste muitos os defesas, porque move-se pouco. É mais o típico nº9 de encostar (bola bem metida na área e ele aparece). Sigo-o durante o jogo com o V.Setubal e fico, porém, com clara sensação: em condições ditas «normais», futebolística e financeiramente projectando para o futuro, um jogador como Janko (28 anos, já feito, sem idade para ter retorno financeiro e, no jogo, pinheiro de área) não seria alvo ou nem teria lugar numa no onze FC Porto, É uma contratação de recurso, para tentar responder a um problema/lacuna na equipa. Em Agosto não acredito que tivesse alguma hipótese de ser opção. Em Janeiro, tem todo o perfil para preencher um estado de necessidade.
E, com ele no plantel, até Kleber poderá respirar melhor e crescer sem a ameaça de ficar um queimado aos olhos de adeptos e critica com a exigência de, titular indiscutível, marcar sempre. No entretanto, Janko, jogador de páginas amarelas cumpre a formalidade do golo a nível interno
 
 
 
 
 

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