1. Qual está melhor?
FC Porto e Benfica, cinco jogos, os mesmos pontos. Qual deles chega melhor ao clássico? É uma resposta com várias…respostas. Porque o jogo, equipas, têm vários pontos, espaços, posições, duelos previsíveis, estratégias possíveis, etc. Witsel e Moutinho são hoje dois médios que pegam na equipa pela mão. Nesse sentido, o Benfica tem esta época um argumento táctico para aguentar diferentes ritmos que antes não tinha. Tem problemas nas laterais, é evidente, sobretudo à esquerda. Para o fechar, necessita de superioridade zonal mas em espaços adiantados.
O FC Porto tem mais certezas posicionais quando quer circular a bola. Entre-linhas, Belluschi é o mais criativo que pode inventar. Aimar é diferente como segundo-avançado ou médio-ofensivo. Não será o jogo ideal para Jesus dizer que não criou um sistema alternativo esta época (4x2x3x1). Para Vítor Pereira, a certeza dos três médios, mas a necessidade de impedir que as trocas posicionais provocadas entre eles não desequilibrem a equipa quando perder a bola. Apenas tópicos para pensar o clássico.
2. “O que faço a seguir?”
Os jogadores muito rápidos raramente são de confiança em termos de disciplina táctica posicional. Isto é, com essa vertigem de jogo, vão-se embora com facilidade mas depois raramente regressam com a mesma velocidade. Há a tentação de ligar velocidade e rebeldia, principalmente quando são extremos. Sobretudo os que finta muito. O Feirense dos contra-ataques perigosos em campo grande que assustou o FC Porto, tem dois desses exemplares em zig-zag que, quase sempre, andam mais depressa do que a própria equipa. Nuns casos isso é uma vantagem, noutras é um desvio ao colectivo e, sobretudo, à melhor opção para acabar a jogada.
Diogo Cunha e Ludovic, estilos diferentes. O primeiro, usa a finta para construir e quando quer definir, em geral… finta outra vez. O segundo, veloz inventor confunde finta com o auto-passe (mete a bola e vai busca-la à frente), mas depois quando podia temporizar, decide quase sempre… depressa demais, o remate. A ideia que fico é que, de facto, o adversário não sabe o que eles vão fazer a seguir, mas a sua equipa…também não.
3. Os extremos como “nº9”
Sigo o Gil Vicente-Olhanense e é curioso ver os dois treinadores apostarem (ambos em 4x3x3, embora com dinâmicas diferentes) em dois avançados estruturalmente extremos/alas, pelo seu perfil rápido, criativo e vertical, como avançados-centro, na posição nº9. Hugo Vieira e Wilson Eduardo. A análise deve passar pela especificidade de cada estratégia, mas ao abdicar do 9 mais tradicional, referência fixa entre os centrais (como Roberto e Daddy que acabaram o jogo) ambos procuram dar maior profundidade ofensiva ao jogo. É uma ideia que funciona melhor com espaços para o contra-ataque. Wilson Eduardo faz esse lugar no 4x4x2 na selecção sub-21. Tem maior mobilidade desde o centro. Hugo Vieira é, na essência, mais jogador de faixa no sentido vertical do jogo. Tem maior mobilidade desde o flanco.
Penso no espaço de explosão que necessita e não encontra no corredor central, zona de pressão mais forte. Enfiado no meio, num ataque em organização contra um adversário em bloco-baixo, desaparece. O espaço, por si só, não faz o jogador mas…ajuda muito.