1. A posição de Manu
A transformação de um jogador pode não estar na sua mera mudança de posição, mas sobretudo nos estímulos que ela pode provocar no seu jogo. Porque pode permitir-lhe fazer mais coisas nele. Sucede com Manu no Maritimo. Até há pouco era visto apenas como uma ala rápido. Nos últimos jogos, surgiu mais no centro, atrás do ponta-de-lança, com a possibilidade (e missão) de, mais do que só correr, também pensar o jogo, na zona de construção. Por isso, passou a fazer coisas que antes parecia improvável vê-lo fazer. Temporizar, passar e combinar trocas posicionais com Marcinho, na ala.
A estrutura do novo Marítimo de Van der Gaag também ajudou. Joga agora em 4x2x3x1 com duplo-pivot (Bruno-Souza) o que fez sair Olberdam do onze, dando a Manu a posição central da segunda linha. Piques mais curtos, a ganhar zonas entre-linhas (entre centrais e pivot adversário) para depois executar com critério. O golão é a imagem que fica, mas no resto do tempo, foi a qualidade dos seus movimentos e toques que mais cativaram nessa sua nova vida táctico-pocional.
2. O «quarto» do Rio Ave
Sem fazer ruído, o Rio Ave está no quarto lugar. É a equipa tacticamente mais rigorosa em termos de disciplina posicional dos seus jogadores. Cada um sabe bem a limitação periférica do seu espaço e responsabilidade nele. Não vemos trocas posicionais. Por isso se diz ser uma equipa muito posicional. Um estilo que é a base do processo defensivo, sobretudo do triângulo-carraça do meio-campo (Vilas Boas-Wires-Vitor Gomes) muito pressionantes sem bola. No processo ofensivo, porém, sente-se falta de maior mobilidade, ou seja, os jogadores libertarem-se mais das posições. Disfarça com a criatividade um-para-um de Sidney, mas falta Gama surgir mais por dentro e fazer passes verticais para João Tomás.
O jogador que pode mexer na relação meio-campo e ataque ainda está, porém, meio escondido: Adriano. É forte, rápido e objectivo. Mas ainda falta-lhe…disciplina posicional. Sem esse rigor, as possibilidades dele desequilibrar o adversário são as mesmas de…desequilibrar a própria equipa quando perde bola. E esse risco, uma equipa pequena não pode correr…
3. A nova Académica
Ainda segura a lanterna, mas a estreia em casa da Académica de Vilas-Boas, com o Guimarães, mostrou uma equipa bem posicionada e, sobretudo, capaz de à medida que avança no terreno, manejar a introdução de diferentes velocidades no jogo. A transição não é rápida, mas a bola entra rápido nos avançados. Contradição? Só aparentemente.
Vejamos: Em 4x3x3, com o meio-campo em «1x2», quando sai a jogar desde trás, processo no qual o pivot (Nuno Coelho) participa pouco, o passo é lento e o passe curto. A bola entra nos médios mais subidos (Tiero-Cris) e acelera, não através dos jogadores, mas através de um passe mais largo que mete a bola nos alas (Sougou-João Ribeiro).
Na organização ofensiva, então, eles metem outra velocidade no jogo. Ora tentam progredir por um lado, ora rodam, e tentam pelo outro, pedindo o apoio dos laterais, num processo onde foi interessante ver como o nº9 Eder segurava a bola de costas e jogava com os colegas. Ainda fez um golo. Duvidava que este jogador pudesse crescer muito, mas este jogo fez-me pensar mudar de ideia...