Os segredos africanos

12 de Junho de 2010 18:55
Primeiro Mundial em África: o ideal para a explosão das selecções africanas?

 

É o primeiro Mundial em África. Com este habitat, poderia ser, pela lógica da natureza, o ideal para as selecções africanas brilharem e, por fim, colocarem no presente o chamado «futebol do futuro». É pouco provável. Olha-se as cinco selecções da África negra (Costa do Marfim, Nigéria, Ghana, África do Sul, Camarões) e fica uma sensação pouco excitante. Estão lá grandes jogadores, mas as equipas aparecem sem a mesma alma de outrora. A ideia que fica é que, já membros à alta burguesia europeia, quando chegam à selecção, numa realidade quase ancestral, sentem-se acima da equipa. E jogam sobretudo com os seus egos. Drogba ou Eto`o, por exemplo. Os treinadores (Eriksson, Lagerback, Le Guen e Rajevac e Parreira) são, quase todos, viajantes acidentais. Chegam poucos meses antes, fazem um Mundial (ou uma CAN) e partem. Não fazem qualquer trabalho em profundidade. Por isso, talvez o onze mais consistente seja hoje aquela que tem um treinador há mais tempo. Os Camarões de Le Guen. Procura posse e circulação de bola. Song é a âncora que agarra a equipa à frente da defesa e Eto´o o avançado que a pode esticar no ataque ou contra-ataque.
 
A África do Sul (onde quase todos os jogadores jogam em clubes locais) explodiu nas botas de Tshabalala mas o mais importante é ver como Parreira deu à equipa uma moldura táctica com a intenção dela saber sobretudo defender-se dos seus defeitos, tentando ficar posicionalmente mais atenta para não se expor aos erros. 
O Gana não tem um criativo para colorir o seu jogo ofensivo. Adaptou Appiah a nº10 puro (em 4x2x3x1) e coloca Muntari mais descaído sobre a esquerda, quando, sem Essien, podia fazer mais sentido no corredor central para dar maior referência de recuperação/transição à equipa.
 
Na Nigéria, ainda existe Kanu, símbolo da geração que, nos anos 90, colocou as Águias verdes no topo do mundo. Mas já joga pouco. Odenwingie, Yakubu, Keita, Uche e Obinna são nomes que assustam em termos ofensivos mas a defesa tem muitos buracos. Olhando o meio-campo, a revelação pode ser Lukman Haruna. Com 20 anos, já nos quadros do Mónaco, é um médio que recupera bem a bola e depois assume muito bem a sua condução/construção atacante. E remata bem.
 
 
 
A descoberta americana
 
Vendo-os jogar, parece que espelham o mesmo sentimento de indiferença que a nação americana tem em relação ao soccer. A selecção dos EUA tem um projecto de jogo muito interessante, mas vive, em campo, sem dramas tácticos ou emocionais. Pode, neste contexto, até ser uma vantagem. A adopção pelo 4x2x3x1 colocou Dempsey, o seu jogador com mais carácter, o melhor lugar para mexer com a equipa: é uma mescla de segundo avançado com médio ofensivo nas costas do possante ponta-de-lança: Altidore. Neste esquema, Donovan, a grande estrela do soccer, joga como extremo-direito, embora puxando depois a bola quase sempre para dentro, em diagonais.
Um aspecto interessante desta equipa é a facilidade com que, a meio do jogo, pode mudar para 4x4x2. Mas, para isso, não faz adiantar Demsey. Em geral, tira um ala e pede ao seu médio-centro (Dempsey) ou ao avançado que entra, para ser mais móvel e ir buscar muitas vezes jogo à faixa vazia (em geral a esquerda). A revelação da equipa pode vir, então, do avançado que entra. Fixem estes dois nomes: Findley e Buddle. Jogam ainda ambos na MSL americana. Buddle é mais forte e segura bem a bola, Findley é mais rápido e esquivo nos espaços. É o futebol do Tio Sam

 

 

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