Regressa a Champions e os gigantes libertam-se da prisão das Ligas locais. Buscando favoritos, há uma equipa que parece quase esquecida. O Inter. Em silêncio, o monstro foi crescendo, alimentado pelo cinismo táctico de Mancini. Tranquilo, devorou o Scudetto e agora, quando sair da catacumba transalpina, pode fazer tremer qualquer relvado. Como um monstro que se preze, não ambiciona ganhar concursos de beleza, mas para entenderem a sua dimensão, pensem em Materazzi nas alturas, com a cabeça e os cotovelos, na força de Vieira, nos arranques de Stankovic, os centros de Figo, na pujança de Ibrahimovic, Adriano e Crespo. Juntos, podem dar ao jogo um peso insuportável para um adversário até mais sedutor, mas vulnerável para aguentar o embate táctico-físico. Primeiro palco para ver o monstro: contra o Valência.
Romário, Projecto-Mil golos

Foi um dos melhores jogadores do mundo. Assim mesmo, foi, no passado. Aos 41 anos insiste continuar a jogar. Este é, porém, outro Romário. A obsessão de chegar aos 1000 golos ameaça pairar como uma sombra sob toda a sua fantástica carreira. Não duvido que vai chegar lá. Parece um daqueles records absurdos do Guiness. Em busca dele já andou este ano pela Austrália e até Miami. Faltam apenas dez para a marca. Consegui-lo no Vasco da Gama pode dar-lhe maior dignidade. No estilo blazé que o tornou famoso, sempre divorciado da figura de atleta. O tesouro do seu futebol é, no entanto, muito superior à simples marca do milésimo golo. Qualquer momento de perfeição já tem, mesmo inconscientemente, a palavra fim inserida. Nesse contexto, Romário já devia ter parado há alguns anos. Por volta dos 800, talvez.
Zigic e Munitis, SA

Quando se fala em jogar bem, lembro logo as pequenas sociedades que, em campo, se estabelecem entre jogadores que habitam os mesmos espaços. A dupla atacante, por exemplo. Um mais possante, outro mais esquivo. Em Santander, um gigante, Zigic, 2,02m. e um baixote, Munitis, 1,67m. Enquanto Zigic joga como torre entre os defesas, Munitis joga no espaço vazios. Zé Castro e Pablo, centrais do At.Madrid entendem a ídeia, até que, ao minuto 72, a bola cai na área e a ordem inverte-se. É o baixote Munitis que a ataca primeiro. Ágil, levanta a perna, chega onde parecia impossível e faz o passe, perfeito, para o centro, surgindo Zigic a rematar rente à relva. Golo. Uma inversão de papeis que provou a agilidade da sociedade Zigic-Munitis, o gigante e o baixote SA. Procurem-na nos relvados espanhóis.
COTTERILL GEORGE BEST

É comum, nas boas famílias, os pais colocarem nomes de craques aos filhos. É um bom costume, diga-se. Inglaterra é um país de mitos. Embora comece quase sempre no banco, há no Wigan um jogador que quando entra cria um suspense especial: Cotterill. Não só porque é daqueles extremos rápidos que assusta quando, com maiores espaços, entra com os defesas já cansados, mas sobretudo quando se repara no nome todo: David George Best Cotterill. No pátio da escola deve ter sido engraçado ter um nome destes mas, depois, não é fácil crescer com esse peso. É galês e tem 19 anos. A linha que separa a imitação da identificação é demasiado grande para se unir com apenas um nome, mas a ideia de bom futebol também funciona pelo instinto. É a sensação com que dá vendo-o jogar. Experimente num próximo jogo do Wigan.