1. AMÉRICA-CHIVAS: A Religião do futebol
Para mim, este jogo é uma como religião. Ainda estamos na fase por pontos e um deles, o Chivas está em 10º (e luta por chegar ao play-off) e o outro, o América, em 5º. Não existe, porém, clássico no mundo tão empolgante como este histórico duelo do futebol mexicano: América-Chivas Guadalajara, no Azteca lotado, mais de 100 mil pessoas, loucura à solta.
Curioso ver que na base de jogo do Chivas está agora o modelo de futebol holandês. Joga num sistema de defesa a 3 (3x1x3x3) treinador por Van´t Schip e aconselhado por Cruyff, que passa muito tempo por perto. Procura um jogo mais apoiado, solta os laterais e baseia o inicio de construção de jogo desde trás num pivot (Paco Araújo). Só tem mexicanos no onze. É a laranja azteca do futebol, com alas (Fabian, mago à direita) e um experiente nº 9 móvel, goleador, na frente (Rafa Marquez Lugo, 30 anos, que fez dois golos de raça). O América de Miguel Herrera, treinador mexicano com estilo assente no grito, joga mais em transições rápidas e contra-ataque, em 4x4x2, com Rosinei forte no meio e apostando nos argentinos Sambueza e Rolfi Montenegro nas alas e na velocidade do avançado equatoriano Chuchu Benitez. Cada explosão sua, é uma bomba no relvado. Só deu para assustar.
Ganhou o Chivas (3-1) e aproximou-se lá de cima. É o superclássico mexicano, a forma ideal de passar uma madrugada. Futebolisticamente falando, claro.
2. ‘Dossier’ Frankfurt
A atração pelas chamadas equipas sensação é um fenómeno de todos os inícios de época. A duvida mora em decifrar se esse impacto inicial vai ter consistência no resto da temporada. Na Alemanha esse enigma chama-se, este ano, Eintracht Frankfurt. À 5ª jornada, quatro vitórias e um empate.
Primeira nota: usou o mesmo onze nos primeiros quatro jogos e no quinto, contra o Dortmund, só mudou o ponta-de-lança lesionado (o canadiano Occean, que joga mais fixo, pelo esquivo austríaco Hoffer).
Esta estabilidade do onze titular (em 4x2x3x1) favorece o solidificar de um modelo de jogo e, ao mesmo tempo, mantê-lo equilibrado em todos os momentos (defesa-ataque-transições) por os jogadores se conhecerem melhor em campo.
Veremos se resiste a mudanças em lugares-chave que, neste momento, começam na dupla sul-americana de centrais -Anderson (brasileiro)-Zambrano (peruano)- e no sólido duplo-pivô Schwegler-Rode. Nas alas, os laterais (Jung-Oczipka), sobem muito, mas, são os alas, Aigner, á direita e o japonês Takashi Inui à esquerda, a dar profundidade ou procurar diagonais. Jogam, porém, quase sempre abertos pois no meio Meier é uma mescla de 10 com segundo-avançado que sabe deixar o espaço livre para as movimentações de um 9 clássico.
Uma ideia de jogo que, muito bem congeminada por Armin Veh (dos técnicos mais sábios do novo futebol alemão) pode resistir muito tempo lá em cima.
3. O que vale El Shaarawy?
É um jogador que me desperta boas sensações. Tem alegria, imaginação e parece não querer assumir demasiados compromissos com nada. É nesse ponto que se cria a confusão sobre o seu real valor. El Shaarawy, 19 anos, é um italiano de origem egípcia (internacional pela Itália de sub-16 a sub-21). Face à ausência de craques e deficit de qualidade de jogo do atual Milan, criou (ou criaram-lhe) um grau de expectativas claramente superior ao seu real valor.
É um falso ala, que rende mais a segundo-avançado. Foi decisivo na Champions, contra o Zenit. Foi uma desilusão, contra o Inter. Em ambos os casos, um exagero extremado de análise. Vendo Bojan jogar a seu lado, aposto ver o seu futuro. Porque Bojan também foi, quando apareceu, o miúdo-craque a quem previram um super-futuro. Não se confirmou, claro. A realidade cedeu aos tais exageros de origem
Acho que nenhum deles, travou (ou travará no caso do egípcio azzurro) a sua evolução se a sua avaliação for feita sempre dentro dos parâmetros indicados. Caso contrário, cada jogo seu arrisca-se a ser sempre um desilusão. Como sucede, injustamente, a Bojan.





