Espanha Sub-19: o método
Depois dos títulos da selecção principal e da Sub-21, a Espanha Sub-19 também conquistou o seu Europeu. Em relação àqueles outros onzes, esta Rojita não tem ainda, porém, a mesma capacidade de posse de bola do idolatrado estilo espanhol. Nota-se a intenção de começar a circular desde trás, mas a tentação de chegar ao ataque leva à opção por muitos passes verticais desde a primeira fase de construção à frente da defesa. Penso que existe, nesta fase, uma tentativa de conciliar algumas forma de jogar individuais para, assim, ter os jogadores o mais juntos possível em campo.
Em vez do clássico pivot único, esta Espanha Sub-19 joga com duplo-pivot: Alex-Pardo, ambos com cultura de saída de bola. A largura permanece, no entanto, igual à do 4x3x3, com alas abertos, destacando-se Deulofeu, extremo puro. O craque do onze é Sarabia, de início a 10 no triângulo invertido. Tem algo de Xavi na forma de jogar, mas vê-se bem que não tem a cultura de formação do Barça. Ele é da cantera do Real Madrid e, por isso, é mais um avançado que gosta de jogar nas costas do nº9 ou descaído na ala a vir para dentro, em vez de pegar jogo atrás. A sua qualidade técnica e visão de jogo pedem aos gritos que lhe dêem outra cultura: a da posse, pausa e passe, um jogo mais pensado, menos vertiginoso. É o seu ADN em conflito com o modelo de jogo.
Todos em 4x3x3? Não!
Ao contrário do que se refere, não considero importante, num processo de formação, que os diferentes escalões de um clube (ou selecção) joguem todos no mesmo sistema. Desde logo, porque o sistema em si não diz nada sobre o jogar da equipa. Não existem dois 4x3x3 iguais. Decisivo é definir um modelo, uma filosofia, e trabalhar nessa construção! Cultivar a posse e passe apoiado ou privilegiar as transições rápidas em profundidade. Isso tanto pode ser feito em 4x3x3 como em 4x4x2. O mesmo em relação a jogar pelos flancos. Um ala pode perfeitamente crescer em 4x4x2, que, numa determinada dinâmica, até pode contemplar extremos. Desaconselhável é o jogador mudar muito de posição durante este processo.
Por isso ver a Espanha Sub-19 em 4x2x3x1, fora do 4x3x3 habitual, não subverte a ideologia. Num clube, sucede o mesmo. Jogar no mesmo sistema não garante coerência de processos. O caso de Sarabia é exemplar. Importante é definir a filosofia de jogo e posição a cultivar. Depois, no ideal, ser capaz de emoldurá-la em diferentes sistemas. Assim se constrói um estilo. O 4x3x3 é apenas uma estrutura estática.