Notas Internacionais (19)

16 de Novembro de 2011 20:07
Vonlanthen em Itaguí; Evitar a finta a mais; Dortmund: processo defensivo; Lamela, Roma

 

Vonlanthen em Itaguí
 
Há alguns anos passou nesta página no destaque principal. Sinceramente, já me tinha esquecido dele. Mas esta semana tive uma sensação estranha ao ver resumos da Liga Colombiana. No meio de tanto jogador desconhecido, de repente, vi uma cara familiar. Mais gordo, sem dúvida, mas conhecia-a de algum lado. O jogador familiar mexia-se, contra o Envigado, no ataque do Deportivo Itaguí Ditaires. Pensava já que o confundira com alguém, quando vi seu nome: Volanthen. Era o extremo ala que jogara no PSV e Suíça em 2004 e 2008. A época passada esteve toda sem jogar (só 13 minutos) no Salzburg.
Redescubro-o nos confins da Colômbia, numa equipa pequena, um campo que põe a bolas aos saltos, e ele no meio. Só tem 25 anos. A ausência confunde-se com causas extra-futebol. Ele não fala nos motivos religiosos, de não poder jogar aos sábados ou recear jogar à noite. Nega tudo, mas foram coisas como essas que levou o Salzburgo a não inscrevê-lo. Contam-se muitas coisas dele. O clube não explica. A sua barriguita e cara redonda, não acompanham o talento que estará escondido nos quilos em excesso. Aparece em Itaguí, longe da elite. É uma visão consciente de um outro futebol.  
 
 
 
 
 
Evitar a “finta a mais”
 
Podia estar colocado ao primeiro lugar, mas penalizado com menos 6 pontos, está encafuado para o meio/fundo da tabela. A Atalanta de Colantuono também tem o bom perfume do futebol argentino, em diferentes estilos. Dennis é um avançado que, após quatro anos em Itália, já conhece bem as estradas do Calcio. Por isso, não é de admirar que esteja a jogar (mover-se) tão bem e a fazer golos.
Quem mais me surpreende é o baixinho Maxi Moralez, de 24 anos. É a primeira época, vindo do Vélez onde era idolatrado, e parece que jogou sempre em Itália. Arranca, desmarca-se, continua a serpentar, mas aprendeu rápido o timing certo de passar, algo que o menor tempo e espaço europeu para pensar e executar exige. No estilo, físico e jogo, faz-me lembrar Orteg, só que Moralez faz tudo no momento certo (nunca se perde no tal drible a mais como Ortega que falhou em Itália).
 
Numa espécie de 4x4x1x1, joga como segundo avançado, ficando Schelotto ( com apenas 22 anos, mas maturado desde há três em Itália, no Cesena) na ala direita, forte fisicamente a acelerar, entrando em rupturas a atacar. É o belo Calcio de Bérgamo, a conexão Schelotto-Moralez-Dennis. 
 
 
 
 
 
Dortmund: processo defensivo
 
Tentar entender o processo defensivo das equipas alemãs (ou melhor, descobrir razões da perda de solidez de posicionamento) é dos debates tácticos mais interessantes no futebol europeu de top. Penso nisso vendo jogar o Borussia Dortmund em Marselha. O onze de Klopp é, claramente, mais equipa. Resultado final: perdeu 3-0! No momento ofensivo, organização ou transições, sabe descobrir os melhores espaços para meter a bola de forma rápida e apoiada entre-linhas, com largura e profundidade dada pelas combinações laterais e alas (habituais titulares: Schmelzer-Grosskretuz, à esquerda, Pieszcze-Gotze, à direita). Sem bola, porém, todo o processo defensivo de recuperação é muito pesado. Isto é, não pressiona, prefere recuar em organização, mas, quase sempre, num timing lento, que desequilibra a equipa, sobretudo frente a um adversário como o Marselha com avançados móveis rápidos (Remi-Valbuena-Ayew) e um médio-condutor criativo (Lucho).
O Dortmund mantém um duplo-pivot fisicamente forte, mas sem jogo de cintura que expõe muito à dupla de centrais que jogam quase sempre cara-a-cara com os avançados. Não é um problema de qualidade individual dos membros do sector defensivo. É antes uma questão tacticamente mais profunda, já nos cadernos do treinador, que passa pela perda de domínio de todo o processo defensivo desde o meio-campo.
 
 
 
 
 
Lamela, Roma (parte I) 
 
A melhor forma de um jogador expressar as suas qualidades é quando encontra uma equipa a necessitar exactamente da sua forma de jogar e principais características do seu jogo. Penso nisso vendo surgir, por fim, na Europa, furando os muros tácticos do Calcio, o jogador que mais me fascinava ver jogar na Argentina. Lamela, de 19 anos e toda a vida à sua frente para ter uma bola nos pés. Em rigor, nas canchas argentinas, ele mais do que jogar, deslizava sobre o césped. Na Roma, entrou no lugar do lesionado Totti, atrás dos avançados, como médio trequartista do 4x3x1x2, mas com liberdade para também se tornar ele próprio num…avançado.
Numa altura em que o onze de Luís Henrique vive em busca de afirmação, Lamela pode ser uma chave para ligar um trio de médios recuados (De Rossi, pivot, Perrota-Gafo ou Pizarro) por vezes demasiado presos a soltar a transição defesa-ataque. A questão agora coloca-se em saber onde colocar Lamela quando regressr Totti. Mantendo o sistema, atrás é inviável. Ou seja, em 4x3x1x2, a solução passa pela dupla de ataque, caindo para um flanco, esquerda ou direita, deixando Osvaldo mais fixo no centro e ficando Totti na casa 10 (o 1 do sistema), mas cada vez com menos inserimento (como dizem os italianos) para entrar desde trás, jogando mais através do passe. Só com este recuo de protagonismo de Totti é que acredito na afirmação imediata de Lamela no futebol italiano.

 

 

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