Notas internacionais (2)

2 de Dezembro de 2010 19:22
Van der Vaart, Brest, Malmoe e dois treinadores para o futuro

 

O “novo” Van der Vaart
 
Um dos pontos mais interessantes de analisar no actual futebol europeu é o novo papel de Van der Vaart no forte Tottenham de Redknapp. Ele transformou o antigo médio organizador holandês (estilo 10) em avançado ou segundo avançado em 4x4x2.
Primeira impressão: Van der Vaart está hoje um jogador mais pesado (vê-se, claramente, que ganhou uns quilos a mais). Isso tira-lhe alguma agilidade. Dá-lhe maior robustez no contexto inglês para o choque.
 
Segunda impressão: Conserva a criatividade mas o drible (com menor jogo de cintura) já não sai tão fluído. Na posição mais avançada, porém, essa necessidade é menor e o holandês aparece mais no último passe ou em zonas de finalização a rematar. É uma dinâmica que depende se na frente, joga Crouch, Pavlyuchenko ou Defoe. No onze, o médio mais serpenteado a criar é agora Modric (com Lennon em velocidade na faixa direita).
Aos 27 anos, esta é a nova vida táctica de Van der Vaart. Mudou fisicamente, reciclou o estilo e adiantou a posição. Duvido é que tudo isto faça dele melhor jogador…
 
 
 
Garrido e Pochettino 
 
São dois jovens treinadores no futebol espanhol. Observando o estilo, ideia de jogo e acções/reacções a tudo o que os rodeia, vejo-os como possíveis referências para o futuro. Juan Garrido e Maurício Pochettino, Villarreal e Espanhol, respectivamente.
O Espanhol de Pochettino (4º lugar) joga no clássico 4x2x3x1 espanhol com duplo-pivot mecanizado: Baena fica mais em contenção, Javi Marquez solta-se para apoiar em construção, combinando com Verdu que recua para pegar no jogo. A equipa não tem alas puros. Luis Garcia joga por dentro e Calejon (excelente na recepção) é quem dá maior largura. Todo este trio de médios de segunda-linha recua sem bola em missões de recuperação. Depois sai para o ataque em jogo apoiado.
 
O Villarreal (em 3º) é a equipa espanhola que muda mais de sistema (4x2x3x1, 4x4x2 clássico ou losango). Garrido é mais um «treinador de estratégia». Nunca mostra, porém, nessas nuances, receio do adversário. O objectivo é sempre explorar espaços de penetração previamente estudados, com alas (Cazorla o mais vertical) e uma dupla atacante muito móvel, rápida e com poder de desmarcação (Nilmar-Rossi)
Têm, portanto, formas de jogar preferenciais diferentes mas sente-se personalidade nas suas equipas e na forma como as orientam e trocam olhares desde o banco. Trata-se portanto, de uma análise sensorial cruzada com análise táctica. 
 
 
 
A sensação Brest
 
O mais provável é quebrar brevemente, mas, neste momento o Brest está entre os primeiros da Liga francesa. Astuto, o técnico Dupont monta um 4x4x2 clássico que se estende a toda a largura do relvado. Desde a saída de bola, tem a intenção de abrir o campo o mais possível. Assim, coloca Lesoimer, na esquerda, e Poyet, na direita, bem encostados às alas. Não são jogadores muito verticais, serão mais flanqueadores, mas sabem temporizar com a bola no último terço do terreno. Noutras ocasiões, combinam com as subidas do pivot checo Licka, que lê muito bem o timing de ruptura pelo corredor central e chega a zonas ofensivas causando desequilíbrios. Atrás, muito posicional a equilibrar a equipa defensivamente, fica o experiente congolês Ewolo.
 
Na frente, o outro checo do onze, o móvel canhoto Micola (tal como Licka veio esta época do Banik Ostrava) que gosta de recuar para pegar na bola. Joga curto, procura apoios entre-linhas e, embora não dê muita profundidade, solta Roux para a área, como nº9 mais tradicional. Quando quer preencher melhor o meio-campo, sai um avançado (Micola) e entra Grougi, de 28 anos, médio mais pensador. Ele entra e o jogo da equipa fica logo mais junto, com grande qualidade de passe.
Sem ser explosiva, é uma equipa que, pelo colectivo e valores individuais, vale a pena ver com atenção.
 
 
 
Vendo o Malmo
 
Já não existem campeões nórdicos como antigamente. O Malmo conquistou a Liga sueca (após 8 anos de vazio) mas o seu estilo de jogo já não se traduz apenas no puro passe em profundidade para avançados fortes e altos. Com vários brasileiros, o futebol jogado nos relvados suecos está mais técnico, como explicam, no onze do Malmo, Ricardinho (desde a ala esquerda) e Wilton Figueiredo (a meio-campo). Mas, nesta nova babilónia, o futuro está nos pés de Mehmeti, 20 anos, um segundo avançado com grande criatividade, nascido no Kosovo, e Hamad, 19, médio-direito de origem curda. Ambos jogam, porém, na selecção sueca Sub-21.
A ponta de lança, Larsson (fez 11 golos) procura sobretudo mobilidade. Ironia futebolística, o jogador fisicamente mais forte (até a fazer golos de cabeça nas bolas paradas) é o central…português Yago Fernandez, com 22 anos, chegado a meio da época do Espanhol B. Muito alto (1,94m.) domina o jogo aéreo e, com raízes latinas, dá o tradicional aroma mais atlético ao onze de Roland Nilsson. 

 

 

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