Notas tácticas de Mourinho

1 de Janeiro de 2011 21:11
Poderá no futuro o Real Madrid de Mourinho jogar com três médios-centro mais defensivos?

 

É o dilema mais importante com que o Real Madrid se debate na busca do melhor jogo (estrutura e princípios). A alteração feita ao intervalo em Barcelona quando, a perder 2-0, retirou um médio-ofensivo (Ozil) para meter um mais defensivo (Lass) revelou as dúvidas de Mourinho sobre a melhor forma de dar solidez táctica à equipa a meio-campo. Na Liga espanhola, fixou-se num 4x2x3x1 que vai resolvendo, mas Mourinho já percebeu que, para os grandes confrontos internacionais, a equipa precisa de mais peso/rotatividade nesse sector. E surge a questão: pode o Real Madrid jogar com três médios-centro de contenção, montando um 4x3x2x1 que, no Inter, surgiu em 22 dos 38 jogos do Scudetto? (na Champions variou mais, cinco vezes o 4x3x2x1, sete o 4x2x3x1, embora baixando os alas a defender).
Em Madrid, tentou-o em Auxerrre, com o trio Xabi Alonso-Lass-Khedira atrás de Ronaldo-Benzema-Higuain. Só quando mudou, com Ozil e Di Maria, ganharia o jogo. A goleada de Barcelona motivaria essa opção no jogo seguinte contra o Valência, em 4x3x1x2 (quase rombo) com os mesmos três médios atrás e Ozil nas costas de Di Maria-Ronaldo. Ganhou maior posse e superioridade numérica a meio-campo mas perdeu explosão na transição ofensiva pois ficam demasiados jogadores (7) atrás da linha da bola.
 
A solução seria Khedira soltar-se mais ou, em vez do 4x3x1x2, tentar antes o 4x3x2x1, com Ronaldo-Di Maria atrás de um ponta-de-lança (Benzema ou Higuain). Uma opção que ameaçaria Ozil mas que poderia levar ao ensaio para saber que tipo de versatilidade/poder táctico tem na realidade o pequeno alemão ao ponto de poder começar a jogar desde mais atrás, como falso médio recuado.
No 4x2x3x1, depende muito de Xabi Alonso na saída de bola. Viu-se a sua falta contra o Sevilha. Cada perda de bola do Sevilha era um convite para o Real Madrid sair em ataque rápido, mas então via-se como faltava à equipa mecanização/dinâmica posicional. Ou seja, os jogadores movimentam-se sobretudo pelo seu enorme instinto individual e não por uma inteligência colectiva concebida. O movimento mais repetido é quando Ronaldo sai do seu flanco, à esquerda, procurando/pedindo a bola em zonas interiores, Ozil de imediato abre nessa faixa vazia. Ao mesmo tempo, Di Maria procurava movimentos interiores desde a direita, triangulando com Ronaldo. Na frente de ataque, Benzema, meio desconectado táctico-mentalmente com toda este instinto, tentava perceber (ou adivinhar) por onde, no fim da jogada, a bola iria entrar.
 
Em suma, a necessidade parece clara: o Real Madrid tem de mecanizar dois sistemas de jogo (4x2x3x1, preferencial, 4x3x1x2 ou 4x3x2x1, alternativas). Como o fará, eis a questão.
 

 

 

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