Novos aromas “canarinhos”

Há quem não acredite muito nestes pibes e garotos que, na América do Sul, ainda com a casca de ovo na cabeça, fintam e fazem o que querem da bola. Porque, dizem, naquelas paragens, todos são bons tecnicamente. O problema é, depois, a entrada no futebol adulto e, nesse túnel, muitos revelam a leveza da sua arte, no corpo e na mente. É um pouco verdade mas nem todos são assim. O segredo do bom olheiro é distinguir uns dos outros. E detectar primeiro esses craques do futuro. O Sul-americano Sub-20 é um local ideal para esse exercício.

Embora sem grandes artistas, o Brasil continua o berço mágico supremo. No oposto, a Argentina. É, talvez, a selecção gaúcha Sub-20 mais fraca da ultima década. Reflecte-se no jogo e resultados. Baptista apenas apela à garra. Faltam boas ideias para a técnica. Registem apenas Salvio, avançado móvel do Lanus, fotocópia de Lavezzi. Apenas o Uruguai fez sombra aos canarinhos no bom futebol. A dúvida, quase angustia, dos adeptos charruas é a mesma de sempre: conseguirão estes pibes transpor esta qualidade para a selecção adulta? Desde há muito que isso não sucede. Vendo os arranques de Lodeiro, a classe com arte e visão de Tabaré Viùdez e o faro de golo de Hernandez, o intruso do Peñarol num onze feito com 7 jogadores do Nacional, há razões para acreditar. Um sentimento que cresceu com os rasgos de Urreta, num plano exbicional nunca visto na relva lusa.

A maior tentação é semNovos aromas canarinhospre fixar olhar nos avançados. Razão suficiente para ver o Brasil a partir do nº9 Walter (Internacional). O onze tem, no entanto, bases sólidas atrás, com um médio, Giuliano (Paraná), que enche o campo a apoiar o trinco Sandro (Internacional) na recuperação ou a transportar a bola para o ataque, apoiado por Tales (Internacional) deixando a arte para o explosivo canhoto Douglas Costa (Grémio). Não é por acaso que só falamos em jogadores do Sul do Brasil. São os fisicamente mais fortes, aqueles que melhor colocam músculo na técnica e isso faz a diferença no futebol moderno, sobretudo no jogo sul-americano. Patric (Cricuima) é o lateral ofensivo, na direita, que qualquer tradicional onze brasileiro deve ter, mas quem revela mais classe a organizar jogo é o elegante Renan Oliveira, 10 puro, já titular do At.Mineiro. Na frente, para acompanhar Walter, eis o segundo avançado mais esquivo que entra desde as faixas: o serpenteado Dentinho (Corinthians).

Como o verdadeiro talento merece um final feliz, é provável que a história de muitas destas estrelinhas se cruze, no futuro, com os melhores momentos do futebol mundial.

Bloco de notas sul-americano:
Os talentos escondidos

Novos aromas canarinhos1Conduz a bola com vontade de mudar o mundo, aproxima-se da área adversária e descobre linhas de passe. É uma boa forma de definir um bom médio. É a forma de descrever Sherman Cardeñas nº10 da Colômbia Sub-20. Com 19 anos, joga escondido no Bucaramanga colombiano. Não pode ser muito caro. É ele o guia de um onze onde o jogador mais enigmático é o ponta-de-lança Nazarith. Foi brilhante nos Sub-17 mas agora parece muitas vezes adormecido. Joga no Independiente Santa Fé. Para seguir…com cuidado.

O Paraguai e a Venezuela são, das selecções de segunda linha, as que mais dão vontade de ver jogar. No Paraguai, salta à vista dois excelentes alas: Perez, na direita, e Cristaldo, na esquerda. Ambos agressivos, com boa técnica, dando profundidade a atacar, servindo, no centro, o perigoso Ramirez, sempre pronto a rematar. Jogam os três no Libertad paraguaio.

No onze da casa, a Venezuela, cativaram a velocidade com a bola controlada dos médios ou alas. São os casos de Acosta (que já está no Cagliari italiano) e Peña (Estudiantes de Mérida), o motor da equipa, a apoiar no ataque o avançado mais serpenteado: Del Valle (Deportivo Tachira), entrando nos espaços vazios de Rondon, 9 fixo (já no Las Palmas). Tudo nomes para apontar num bloco de notas e seguir no futuro.

Ransford Osei, Gana mágico

Novos aromas canarinhos2Passou no último mês pelos relvados do Ruanda. Tem bom toque de bola, acelera com ela, passa e depois desmarca-se na área, para, no ultimo remate, muito frio, fazer o golo. Ransford Osei.
Com a sua inspiração, o Gana (ver quadro ao lado) conquistou o Can Sub-20. Está a jogar no Bechem Chelsea do Gana, emprestado pelo Maccabi Haifa de Israel. Com 18 anos feitos em Dezembro, Osei é um diamante em bruto. Pensar na questão das idades destes craques jovens vindos do continente negro é outra história. Com um jogo técnico e rápido, este onze Sub-20 provou como o Gana é, na génese, uma espécie de Brasil de África.
A seu lado, Adiyai (do Fredrikstadt da Noruega) e Ayew (do Lorient francês, após descoberto pelo Marselha, cativado pelos genes familiares transmitidos por outro mago Ayew, velha estrela dos anos 90), em constantes trocas posicionais, completaram um empolgante trio atacante que na meia-final e final, atropelou África do Sul e Camarões.
Futebol imaginativo com um guia espiritual indiscutível: a magia de Osei.

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