A construção de um estilo implica uma cultura de jogo transversal à filosofia futebolística de todas as equipas de um clube. O Barcelona respira hoje, em campo, um estilo de jogo que começa a ser apreendido desde as bases. Penso nisso enquanto assisto, ao vivo, em Vigo, no sábado passado, à exibição do Barcelona B frente ao Celta. No banco, está Luis Henrique, no mesmo local de onde saiu Guardiola para treinar a equipa principal. A estrutura é o 4x3x3 com apenas um pivot que não procura sair muito a jogar. A base do seu jogo é o posicionamento que se nota logo na saída de bola desde trás, momento em que os centrais abrem o mais possível, os laterais sobem para meio do meio-campo e o tal pivot (defensivo) se coloca entre os centrais, não para receber a bola, mas para equilibrar a estrutura nesse momento de saída que é feito por um dos centrais. Neste Barça B, quem se destaca nessa tarefa é um central esquerdino de grande classe que convém apontar já o nome: Fontas. Só depois a bola, após a conduzir em posse alguns metros, é metida num dos médios interiores que se coloca para a receber e sair para a segunda linha. É onde aparece um miúdo que joga como respira: Thiago. Apenas 19 anos, cabeça levantada, bola no pé, visão de jogo e passe. É o filho de Mazinho, que se fixou na Galiza depois de lá jogar muitos anos. Os jogadores mais experientes (entre os 23/25 anos) estão no ataque: Nolito (destro criativo pela esquerda), Soriano (nº9) e Benja (à direita).
Mas é Thiago quem mais impressiona. É quando, ao intervalo, na tribuna, olho para trás e sentado nas últimas filas está… Mazinho. Falo com ele, palavras de elogio, e concordando que Thiago tem de aumentar de agressividade diz que “sim, sim, ele joga muito, mas, olha, tenho um guri mais novo que ainda joga mais, você vai ver!”. Mazinho falava do filho mais novo, que também já está nas escolas do clube. A segunda parte confirma o futebol de toque do Barça que só se perturba quando, para o fim, quebra um pouco fisicamente e o Celta mete barulho no jogo e reduz para 1-2, resultado final.
No dia seguinte, no sofá, vejo a estreia da equipa principal de Guardiola em Santander e eis os mesmos princípios de jogo, desde a saída de bola. Abrem os centrais (Piqué-Abidal) e o pivot (Busquets) insere-se entre eles, enquanto os alas (Dani Alves-Maxwell) se adiantam. Depois, é Piqué que sai. Muitas vezes, faz um passe longo, noutras é Xavi que se aproxima para pegar e sair.
São equipas diferentes com igual pedigree táctico-estilístico. O mesmo futebol. Ao ponto de quando já via pela tv o jogo de Santander, bastar fechar os olhos para ver, decalcado, o jogo de Vigo. É o duplo Barça.