É uma selecção com um estilo de futebol com um rosto cada vez mais europeizado. Em vez da velocidade e verticalidade dos coreanos, ou do jogo directo que caracteriza o Irão, a selecção japonesa, muito influência da, desde há décadas, pelo cultura futebolística brasileira (jogadores e treinadores), pratica um jogo apoiado, de pé para pé, avançando em toques curtos e evidenciado, sobretudo no meio campo, um alto índice técnico obra de vários jogadores que fazem da bola que querem. No continente asiático, só a Arábia Saudita, embora com menor rigor táctico e nível técnico, cultiva o mesmo estilo. Conhecedor profundo do futebol japonês, onde está desde inicio dos anos 90 (tendo terminado no Kashima Antlers a sua carreira de jogador), Zico herdou a selecção nipónica em 2002, após a criticada era de Troussier, um técnico que nunca conseguiu incutir no onze uma base táctica sólido, nem tão pouco dar uma alma a uma selecção que, mesmo jogando em casa o Mundial, pareceu sempre sem confiança e alegria, sobretudo em contraste com a vibrante selecção coreana.
Com Zico, porém, o Japão resgatou a essência do seu futebol. O sector-chave para moldar este estilo é o meio campo, sempre muito povoado, procurando sempre ter superioridade numérica, a defender e a parir para o ataque, na recuperação de bola e na construção ofensiva. Tacticamente, parte de um 3x5x2 que se estende numa espécie de 3x3x3x1 pelo que, na prática, acaba por jogar sempre com seis médios divididos em duas linhas de três, a defensiva e a atacante, num esquema inicial de 3x6x1. Na defesa a «3», destaca-se, no seu comando o aguerrido Nakazawa, apoiado por Tanaka e Miyamoto. Á sua frente, Fukunichi e Ono são os recuperadores que fecham espaços e iniciam a saida para o ataque. Na lateral esquerda, Ale Santos, brasileiro naturalizado, faz todo o corredor, muito activo ofensivamente. Apesar de contar com dois excelentes pontas de lança (Yanagisawa, o habitual titular, jogador do Messina, que rouba o lugar a Takahara, do Hamburgo), Zico só joga com um avançado puro e aposta na criatividade e visão de jogo dos médios para construir jogo e enrar de trás na finalização. Assim atrás de Yanagisawa, costumam jogar Nakamura, á esquerda, Suzuki, á direita, e, no meio, a revelação Ogasawara, enquanto se espera o regresso de Nakata. Prometeu muito no inicio da carreira, mas, aos 28 anos, está um jogador muito inconsistente. Aparece e desaparece com uma facilidade impressionante e nos últimos anos, em Itália, já passou por cinco clubes, sem nunca convencer definitivamente. Num rasgo, porém, pode decidir um jogo. No global, o onze tem um ritmo de jogo por vezes excessivamente lento, mas a criatividade dos médio colmata essa lacuna, com passes ou triangulações que abrem espaços de penetração com grande facilidade.
JAPÃO. TR: ZICO (ONZE BASE - SISTEMA: 3X3X3X1)