O jogador mais “táctico”

22 de Outubro de 2010 10:14
O facto de Hernanes mandar tacticamente no Calcio, diz tudo sobre o ritmo lento do futebol italiano

 

Cada jogo é uma teia de aranha que envolve todos os jogadores. O campeonato italiano continua a ser o mais exigente do mundo no plano táctico e da estratégia. Nesse cenário, um jogador emerge, neste arranque de época: Hernanes, motor da Lazio, líder após 7 jornadas. Médio-defensivo do Brasil (volante como lhe chamam os brasileiros) surge na Lazio a jogar mais adiantado (no lugar do trequartista) quase a 10. Um upgrade posicional que revela o talento criativo/organizador escondido dentro de si, pois antes era visto sobretudo como um transportador/condutor de jogo.
Esta Lazio de Reja é uma equipa que espelha na perfeição o rosto do futebol italiano: estruturalmente lenta e defensivamente sempre completa atrás da linha da bola quando perde a posse. O primeiro aspecto, porém, é o mais significativo, mas o facto de ser um jogador brasileiro recém-chegado a mandar tacticamente no Calcio diz muito do ritmo de jogo que domina actualmente os relvados italianos.  
 
Se há palavra que pode definir esta Lazio é «equilíbrio». Tacticamente, varia entre o 4x2x3x1 (com dois médios de contenção Ledesma-Brocchi ou Matuzalem, atrás de uma segunda linha de três, com Mauri na esquerda a fechar e organizar as transições, quase sempre em profundidade, Hernanes no meio e Zarate adaptado a extremo na direita) e o 4x3x1x2 (com três médios mais de contenção, obrigando para isso ao recuo de Mauri, passando, na frente, Zarate a jogar mais ao lado do ponta-de-lança Floccari, mantendo-se Hernanes a médio-centro ofensivo). É difícil aguentar-se a luta pelo título, mas, no estilo, esta Lazio seria o candidato perfeito. 
A forma como as equipas italianas tornam o jogo lento e depois o administram tacticamente não é, porém, fácil de transportar para a dimensão europeia. Perante equipas rápidas ou que conseguem por o ritmo alto, sentem muitas dificuldades. O Milan de Allegri é, nesse sentido, o exemplo perfeito, como se viu frente ao Real Madrid. Tem uma excelente relação com a bola mas é incapaz de acompanhar o aumento do ritmo de jogo.
 
O futebol italiano joga-se quase em papel quadriculado. Vendo a Lazio até parece que os jogadores se desviam uns dos outros para deixar passar os colegas. Por exemplo, quando Mauri flecte e pega na bola atrás, Brocchi fica, ou quando Ledesma sai, Hernanes descai um pouco na direita, dando o espaço. No início de construção desde os médios-defensivos, à frente da defesa, os passes longos são cada vez mais a forma de sair a jogar, procurar profundidade imediata. Neste cenário, um jogador como Hernanes, muito inteligente a gerir as transições, colocado no corredor central, é a chave para uma equipa ler melhor todo o jogo.
 

 

 

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