
Tem aquilo a que se pode chamar a pinta de uma boa equipa. Sensacional segundo classificado da Liga Espanhola, a par do Real Madrid, o Levante, regressado á I divisão 30 anos depois da última aparição, cativa pelo seu bom futebol, técnico e vertical, abrindo nas alas, com garra a defender e arte a atacar, muitas vezes ao primeiro toque, em contra-ataque, outras em lances apoiados, procurando desmontar as defesas adversárias. O obreiro da subida foi o milagreiro Manolo Preciado, treinador espanhol famoso pelas equipas que já subiu ao longo da sua carreira, quase toda sempre passada em divisões secundárias, mas o técnico que esta época orienta o onze sensação é o alemão Bernd Schuster, que antes despertara atenção no banco do Xerez. Tacticamente, depois do 4x2x3x1 de Preciado, Schuster passou a alinhar em 4x4x2, reforçando a equipa em postos chave, sobretudo no ataque.
Os motores da equipa estão na transposição defesa-ataque, com dois volantes operários: Culebras ou o suíço ex-Marselha Celestini, mais recuados, e Rivera, o líder do onze, o elo de ligação com a dupla de avançados, com tendência a descair para a direita. Formado no Real Madrid, com 26 anos, o baixote Rivera enche o campo e, depois, também procura o remate, inserido nas manobras ofensivas, onde também se destaca o papel muito activo dos alas-extremos, Ettien, um malabarista possante e desiquilibrador da Costa do Marfim, á direita, e Nacho, á esquerda, em cujo corredor triangula muitas vezes com o irlandês Harte, ex-Leeds. No ataque, dois perigos á solta: o búlgaro Manchev, ex-Lille, com grande agilidade de remate, atleticamente forte e inteligente a recuar para buscar jogo e fugir ás marcações, e, o jovem Sergio Garcia, 21 anos, emprestado pelo Barcelona, cada vez mais adulto e com grande poder de finalização. Em qualquer zona do relvado, o onze pensa o jogo, respira confiança na troca de bola e, com cirúrgico sentido posicional, mesmo que para isso marque ao homem por todo o campo, mantêm sempre as três linhas unidas.