As jogadas de Valeri e os remates de Sand. Com o River em crise e o Boca entristecido, a Liga argentina descobriu os seus heróis noutros quarteirões da imensa Buenos Aires.
Pela primeira vez na história, o Lanús sagrou-se campeão argentino. Um feito épico congeminado por um velho treinador, Ramon Cabrero, um filho da casa que regressara ao futebol após uma década afastado durante a qual abriu uma loja de roupas de criança. Talvez por isso chorava como um pibe no último jogo, na Bombonera, após o empate que garantiu o título. Para tornar o feito mais invulgar, lutou até ao fim com uma equipa que chegara este ano à I Divisão, o Club Atlético Tigre.
No leme do onze granata, um grupo de pibes feitos na cantera. Como guia espiritual, o elegante Valeri. Tacticamente, estende-se no sistema que domina o actual futebol argentino (ver em baixo) mais desconfiado dos esquemas com defesa a «3». Continua-se, no entanto, sem ver extremos típicos.
As equipas aposta em dois médios-centro, os chamados volantes, que partem desde a frente da defesa e, depois, soltam dois alas com liberdade para se moverem na frente de ataque.
Atrás do avançado centro, mora o chamado enganche, o jogador que faz a ligação entre a zona de construção e a finalização. Regra geral é sempre um criativo esquivo. No Lanús, foi Lautaro Acosta, 19 anos, coroado campeão do Mundo Sub-20 no Verão passado. Rápido, desequilibra pelo seu jogo de cintura, confundindo os defesas.
O melhor enganche do Torneio morou, no entanto, na cancha do River. O maestro Belluschi. Persegue a bola como um gato atrás de um novelo de lã. É baixinho (1,7m.) mas nunca foge de uma bola dividida. Junto de Palácio, avançado do Boca, que se move ente a faixa e o centro, nos espaços vazios deixados por Palermo são os dois melhores exemplares ainda a jogar na Argentina com perfil para encaixar no futebol europeu.
No Lanús, para além de Acosta, também emergiu, desde a esquerda, os perigoso Blanco, 19 anos, enquanto no centro, o volante Fritzler, 21, marca o ritmo de área a área, embora sem ser muito rápido, tocando a bola com muito critério. Também desde o flanco, pode surgir Aguirre, belo jogador.
Por entre estes pibes, impôs-se Peletieri, um patriarca de 25 anos, num onze que teve no ponta-de-lança Sand o grande goleador. Longe de jogar fixo na área, tenta combinar com Acosta as desmarcações. Foi como um renascimento depois de há várias três épocas ter saído do River sem o seu futebol ser compreendido.
O melhor goleador do torneio mora, no entanto, no Independiente. É o terrível Denis. 17 golos em 18 jogos. No passado, uma aventura falhada no Cesena em 2002. Hoje, está claramente mais maduro. Dos 21 para os 26 anos. Tal como Belluschi ou Palácio, uma estrela gaúcha para brilhar na Europa.
