Quando em Dezembro de 1999, já pouco satisfeito por ser mero adjunto de Van Gaal em Barcelona (onde compartia funções com Mourinho), recebeu o convite para treinar o Vitesse, que então já ia no terceiro treinador nessa época, Koeman não hesitou, fez as malas e regressou ao futebol holandês. Para trás ficava uma carreira brilhante como jogador. Á sua frente, tendo na mente os ensinamentos dos mestres laranjas, uma promissora carreira como treinador. No Vitesse, encontrou um onze a atravessar uma crise de jogo. Esquematizando um 4x4x2 muito compacto, procurando manter sempre o onze como um bloco a defender e atacar, tendo como pilares o duro trinco Kreek e, no ataque, o ponta de lança Van Hooijdonk, a equipa resgatou a confiança e terminou em quarto lugar atrás do trio histórico da Liga holandesa. A equipa ganhou mecanização e, na época seguinte, já como o ganês Amoah no ataque, voltou a manter-se no too da tabela. Terminou em 6º, mas, nos meandros tácticos do futebol holandês o seu trabalho já deixara, no entanto, marcas. Estava-se perante um treinador holandês diferente. Tinha como filosofia os principio que o tornaram famoso e sobre qual fez carreira como jogador – a posse e circulação de bola- mas, em termos de sistema, em vez dos esquemas de três defesas tradicionais da escola holandesa, preconizados por Cruyff e Van Gaal, converteu-se ao realismo dos tempos modernos e seduzido pelo apreendido em Espanha, preferiu escalar clássicos esquemas com quatro defesas, o 4x4x2 e suas variantes, resgatando, neste aspecto, os ensinamentos de Hiddink (com o qual passou anos gloriosos no PSV e foi adjunto na selecção no Mundial 98) que, neste contexto, pode-se dizer ser, ainda hoje, a sua principal referência em termos de abordagem táctica do jogo.
2001: No Ajax, após ser despedido Co Adriaanse…

Em Dezembro de 2001, com Koeman na sua terceira época no Vitesse, o Ajax estava mergulhado numa crise. Após várias derrotas, cairia na classificação, fora a eliminado da Liga dos Campeões e, pior, adoptara um estilo demasiado defensivo. Preocupada, a direcção decide demitir o treinador, Co Adriaanse (hoje no FC Porto) e contratar Koeman para o substituir. A sua missão era ganhar e resgatar o bom futebol. Fiel ao seu modelo preferencial de jogo, Koeman não embarcou, no entanto, em excessivas aventuras ofensivas. Assim, tacticamente, passou a basear as suas variantes num mais clássico 4x2x3x1, que, depois, em campo, variava entre o 4x3x2x1, a defender, e o 4x3x3, a atacar, com a subida dos extremos-flanqueadores. O 4x4x2 era a segunda opção, embora também várias vezes utilizada. Em qualquer variante, mantêm sempre, no entanto, a defesa com quatro elementos. O segredo do bom futebol, mais do que no sistema, residia antes na filosofia de jogo: posse e circulação de bola, sempre em toques curtos rente á relva. Um modelo cuja dinâmica assenta na circulação, na fase de elaboração, e na verticalização, na fase de progressão. Solidificando este estilo sedutor, interpretado por craques como Chivu, Van der Vaart ou Ibrahimovich, conquistou o titulo holandês e atingiu, em a meia final da Liga dos Campeões (eliminado em Milão com um golo no ultimo minuto) em 2002/03. Era então uma das poucas equipas europeias, ao mais alto nível, a jogar num claro 4x3x3 na fase ofensiva. Demonstrando, porém, a sua agilidade táctica, frente a adversários teoricamente mais fortes, Koeman não hesitava em recuar linhas, como sucedeu, por exemplo, contra o Arsenal, fora, alinhando uma espécie de 4x1x3x1x1, onde se destacavam quatro médios tecnicistas, (Piennar-De Jong-Van der Meyde-Van der Vaart) á frente de um trinco (Galasek) e atrás de um ponta de lança (Ibrahimovic). Os elogios, então, pareceram atemorizar Koeman que, nos jogos seguintes (Arsenal, casa e Valência) passou a jogar num cauteloso 4x5x1, com a equipa muito longa e uma excessiva distância entre os médios e ponta de lança. As boas exibições e o enorme respeito pela bola tinham, no entanto, seduzido toda a Europa.
2004/05: A crise de um sonho

A época seguinte não confirmariam, no entanto, as promessas que tinham ficado no ar. Pouco mais de um ano depois, a meio da época 204/05, o perfume de bom futebol desvanecera-se de Amsterdão e nas bancadas, os assobios subsistiram os aplausos. Existiram várias razões para esta transformação. Entre eles, a saída de jogadores chave e a falta de um onze-base, sobretudo no sector defensivo, motivaram, aos poucos, a perda de coesão entre-linhas. Deve-se dizer, no entanto, que mesmo sem render exibicionalmemnte, a equipa denotou sempre, na forma de se posicionar e mover m campo, os mesmos princípios de bom futebol. Essa ideologia detecta-se, desde logo n forma como parte ataque organizado desde a defesa, onde os laterais, na saída de bola, adiantam-se quase para a entrada do meio campo, sendo espaço aberto por esse movimento, defensivamente colmatado por um ligeiro recuou do médio-interior do sector pertencente ao lateral a que o guarda redes fez o passe. A atacar, pode evoluir para 4x4x2 com a subida de um extremo ou médio-ala, ou até com as entradas de trás do médio ofensivo que faz o rombo. A defender recua linhas, e fecha-se em 4x5x1. O mais preocupante, nesta era de crise, residiu, porém, em Koeman nos jogos mais difíceis, ter optado por marcações individuais em vez da zona que sempre caracteriza as grandes equipas. Foi o que sucedeu, por exemplo, esta época, onde, frente á Juventus, De Jong foi sacrificado para marcar Del Piero. Em sucesso, porém. Os maus resultados persistiram e em Fevereiro, com a equipa em terceiro lugar e eliminada da Liga dos Campeões, Koeman acabaria por sair do Ajax pela porta pequena,. O Benfica será, assim, a oportunidade ideal para repor o seu prestigio abalado.
CARREIRA COMO TREINADOR:

Época – Clube – Lugar 1997/98 – Selecção holandesa (adjunto) 1998/99 – Barcelona (adjunto) 1999/00 – Barcelona (adjunto) 1999/00 - Vitesse (desde 1-1-2000) - 4º 2000/01 – Vitesse - 6º 2001/02 – Vitesse (até 3-12-2001) 2001/02 – Ajax (desde 3-12-2001) – 1º 2002/03 – Ajax – 2º 2003/04 – Ajax – 1º 2004/05 – Ajax (até 25-2-2005) 3º