O mundo de chuteiras

11 de Setembro de 2008
No caminho para o Mundial, da Argélia à Lituânia, passando pela nova táctica sueca.

 

No caminho para a África do Sul-2010, o Mundo colocou uma bola no centro das suas preocupações. Viajo de continente em continente em busca de ver o maior numero jogos possíveis. No fim, o bloco de notas está cheio de equipas, tácticas, jogadores. O primeiro impacto de bom futebol veio de África, onde Argélia e Senegal disputaram um jogo intenso e empolgante. Na relva, um jogador que não entendo nunca ser falado para uma grande transferência. O eléctrico médio organizador argelino Ziani. Serpenteia com cérebro por entre o meio-campo senegalês e descobre sempre espaços para centrar ou passar com grande precisão. O onze tem pouca imaginação. Ghilas está muito preso a um flanco, o veterano ponta-de-lança Saifi é pouco móvel, mas depois tem três homens que lutam muito. Os médios defensivos Hemdani-Abdesslam e ganha apoio com um excelente lateral-esquerdo, Belhadj. O Senegal só parece ter qualidade quando está perto da área adversária e Diouf serve o imaginativo Camara, enquanto Dia é uma seta veloz na direita e o forte NDoye continua a pisar forte. Estiveram a ganhar, acabaram por perder (3-2) no inferno do Mustapha Stadium domado por um baixinho de 1,68, Kairim Ziani.
 
Na Europa, a Lituania de Couceiro espantou ao ganhar na Roménia. Em termos de estratégia, reproduziu um pouco o que o Kaunas fizera ao Rangers na Champions, mas com mais qualidade nas transições defesa-ataque. Um 4x1x4x1 com Semberas a trinco. Depois, um muro de quatro homens bem abertos na transição defensiva e móveis após a recuperação. Pilibaitis e Ksenavicius amordaçaram o corredor central do meio-campo romeno. Dominaram a pressão e controlaram a bola. Apontem bem o nome destes dois jogadores. São médios para jogar em grandes equipas. Atrás, a defesa a «4» sempre completa. Nas alas, profundidade garantida e um ponta-de-lança, Danilevicius, há muitos anos em Itália, e por isso habituado a jogar sozinho no ataque. Foi o ultimo avançado e o primeiro defesa do onze. Nesta frase, uma fiel imagem das leis do futebol moderno.
 
Entre as notas tácticas mais relevantes, destaca-se a mudança de sistema da Suécia. Depois de muitos anos em 4x4x2, surgiu em 3x5x2. Dá outra solução de jogo à equipa, mas a opção parece nascer mais da falta de bons médios ala no actual futebol sueco, onde Wihlhelmsson não descola e Ljungberg está na curva descendente. Tacticamente, o melhor do onze é disciplina táctica do centro do meio-campo, mas sem imaginação. Tudo muda quando a bola vai a Ibrahimovic. Nesse momento, a Suécia até parece uma das melhores selecções do mundo. É a ilusão que os grandes craques provocam. Devoram as fragilidades colectivas com a sua mágica qualidade individual. Mas passa rápido, neste caso.

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