O novo "factor 9"

January 25, 2011 5:50 PM
A entrada de Dzeko no Manchester City: como um ponta-de-lança transforma uma dinâmica de jogo

 

Quando se pensa em jogadores que, entrando a meio da época, mudam a forma de jogar de uma equipa, não se pensa, em geral, em pontas-de-lança. Desses, pensa-se que podem mudar sobretudo a relação com o golo, finalização pura. Pensa-se sobretudo nos médios como factor principal de mudança da dinâmica táctica, mas nem sempre é assim. O nº9, mesmo o mais clássico, tem hoje uma inter-relação com os outros jogadores (e todo o jogo colectivo) muito maior do que no passado. Um jogador ideal para esse case study é Dzeko e as implicações da sua entrada no Manchester City. O factor-Dzeko pode mudar a face demasiado conservadora da equipa.
O primeiro jogo (contra o Wolverhampton) revelou essa nova arma de Mancini. Mesmo sem mudar o sistema, 4x3x2x1 com um trio rochoso de médios (De Jong-Barry duplo-pivot e Touré mais solto numa segunda linha a subir) Tevez deixou de ser o avançado isolado na frente para passar a jogar desde a esquerda. Na direita, surgiu Johnson, que, neste novo esquema, deverá alternar na posição com Silva. Jonhson mais rompedor, Silva mais culto no passe e a ir para dentro. Quem fica com menos opções, é, claramente, Balotelli.
 
Numa primeira análise de transformação (ou libertação) táctica, a entrada de Dzeko beneficia sobretudo dois jogadores: Yayá Touré e Tevez. Vejamos: Touré, desde logo, porque uma das armas deste City são bolas longas metidas pelo guarda-redes pedindo que depois alguém as ganhe nas alturas a meio do meio-campo adversário. Até agora, Touré fazia isso sozinho, agora terá Dzeko também nessa tarefa, mesmo que para isso recue um pouco (na saída do pontapé longo ambos estão próximos de perfil). Umas vezes cabeceia em apoio, noutras cabeceia (penteia) para prolongar o passe para a área.
Noutra vertente, como De Jong e Barry produzem pouco jogo de transição ofensiva, Touré vai subir melhor pelo corredor central e, perto da área, descobrir alguém no espaço central. Outra vez Dzeko, que por tendência baixa para receber a bola de costas para a área/baliza e segurar. Ou seja, neste momento em que Dzeko segura a bola, a posse é vista como uma arma para jogar com os jogadores que entram desde trás. É nessa variação que entra o upgrade dos movimentos de Tevez, deixando de ficar tão fixo entre os centrais adversário, surge agora mais solto para mover-se entre-linhas, rompendo ao aproveitar o arrastar de marcações de Dzeko.
 
Com todos estes apoios mais próximos (linhas mais juntas) o onze poderá também ter mais bola no sentido do passe e circulação. Na base de tudo, mantendo o sistema, a entrada de um ponta-de-lança. E, claro, para além disso, Dzeko também remata forte e…faz golos! 
 

 

 

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