O Osasuna de Aguirre

17 de Dezembro de 2005
Um onze feito à imagem do seu técnico mexicano, Javier Aguirre, com técnica e carácter, muito bem distribuído em campo, com figuras como Milosevic, Valdo e Luís Garcia, entre outros. Perto do fim da primeira volta, segue no topo da classificação, junto do Barcelona.
Chamam-lhe o «Pancho Villa» dos treinadores. Em Osasuna há quatro épocas, o mexicano Javier Aguirre já marcou um espaço próprio no futebol espanhol no comando do Osasuna, um onze feito à sua imagem, com técnica e carácter, muito bem distribuído em campo, que, esta época se colou ao topo da classificação, junto do Barcelona. É essencialmente, uma equipa que sabe jogar com os diferentes ritmos de jogo mantendo sempre o controlo emocional do mesmo. Olhando o seu onze, não se detectam grandes estrelas, mas vendo-o jogar sente-se o seu carácter operário que se estende sobretudo no meio campo e na forma como a defesa se coloca posicionalmente sempre completa.
No ataque, mora a maior referência, com o forte ponta de lança sérvio, Milosevic, muito experiente, mortífero em áreas de remate, embora aos 32 anos já vá perdendo a mobilidade de outros tempos. Por vezes, parece meio desconectado com o jogo, protesta com o mundo, mas, num ápice, surge depois a facturar, fazendo dupla no ataque com outro possante avançado, o camaronês Webo, muito forte nas chamadas segundas bolas e nas jogadas de choque. Com esta dupla Milosevic-Webo a equipa nunca receia a dimensão física do jogo na área adversária e, perante adversários mais fechados, pode optar por um jogo mais directo. Nas alas, destaca-se Valdo, feito na cantera do Real Madrid, uma gazua das faixas, forte no um para um, virtuoso e com grande precisão de passe. Á esquerda, pode surgir o marroquino Moha, mais macio, destaca-se sobretudo quando tem a bola nos pés, mas também recua a defender. Muitas vezes, também surge no seu lugar o astuto francês Del Porte. Contando no eixo defensivo com uma segura dupla de centrais, Cuellar-Cruchaga (ou M-Flaño), e mantendo laterais sempre atentos a fechar o flancos, J. Flaño, à direita, Corrales ou Clavero, à esquerdo, o motor do onze surge no eixo do meio campo com o experiente Puñal, médio recuperador. Não é, porém, um organizador típico. Desta forma, assumem-se no comando das transições o dinâmico David Luís que pode jogar no centro ou descaído sobre a direita, e Raul Garcia, 19 anos, a grande revelação da época, vindo da equipa B, um jogador que é obrigatório seguir nos próximos tempos. Em síntese, um excelente conjunto, que pode manter-se, até ao fim, na luta por um lugar na Europa.

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